O Bitcoin (BTC) confirmou a sua pior semana em um mês no domingo, 16 de junho, devolvendo todos os ganhos acumulados em junho até então. A vela vermelha de 4,2% no gráfico semanal levou o Bitcoin a testar novamente o suporte em US$ 66.000, aumentando as incertezas sobre os movimentos do mercado de criptomoedas no curto prazo.
A queda semanal coincidiu com saques da ordem de US$ 600 milhões em fundos de investimentos em criptomoedas, conforme o mais recente relatório da CoinShares. A maior parte – US$ 565 milhões – foi retirada de ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos.
O influxo negativo reforça o sentimento pessimista que tomou conta do mercado de criptomoedas, antecipando novas quedas no curto prazo.
Embora tenha encerrado o domingo cotado a US$ 66.676, o par BTC/USD iniciou a nova semana sendo negociado abaixo do suporte de US$ 66.300, que no gráfico diário ainda permanece intacto desde a alta de 7,8% registrada em 20 de maio.
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Previsão de preço do Bitcoin
O fechamento da vela diária desta segunda-feira deve oferecer pistas mais claras sobre o que os traders podem esperar da ação de preço do Bitcoin na continuação de junho, de acordo com a análise de Diego Pohl, da Crypto Investidor, para o Cointelegraph Brasil:
"O Bitcoin abre a semana testando uma região importante de suporte, próximo dos US$ 66.000. Este nível é um divisor de tendências dentro da faixa de acumulação em que o BTC vem oscilando recentemente."
Se os ursos confirmarem a quebra do suporte, um reteste da região em torno de U$ 60.000 pode ser o próximo movimento da ação de preço do Bitcoin, 18% abaixo das máximas históricas de US$ 73.750, e 9% abaixo do seu valor atual de mercado.
Ainda assim, uma queda de tal magnitude não seria incomum nos meses seguintes ao halving, sob uma perspectiva histórica. Assim como no halving de 2020, alguns mineradores de Bitcoin estão sendo forçados a desativar suas plataformas de mineração ou a vender BTC no mercado à vista para cobrir seus custos operacionais diante da redução pela metade das recompensas por bloco minerado.
Uma evidência de que isto está de fato ocorrendo foi confirmada pela quebra da tendência de alta de 18 meses da taxa de hash do Bitcoin. Embora a capitulação dos mineradores ainda não esteja afetando significativamente o preço do Bitcoin, ela contribui para estender a atual atual fase de lateralização.
"Se um padrão semelhante se mantiver neste ciclo (este é um grande "se"), poderemos permanecer em uma tendência de alta suave (com quedas no meio do caminho) até setembro", afirmou a analista Noelle Acheson na edição desta segunda-feira, 17, do seu boletim diário "Crypto is Macro Now."
No que diz respeito à ação de preço, no entanto, o atual ciclo de alta vem apresentando comportamentos significativamente diferentes dos padrões observados em ciclos anteriores. Especialmente porque, até então, o Bitcoin jamais renovara o seu recorde histórico de preço antes do halving, como ocorreu em março.
Assim, afirma o analista da Crypto Investidor, uma vitória dos touros na batalha pela manutenção do suporte em US$ 66.000 pode resultar na interrupção da tendência de queda atual, imediatamente seguida por uma reversão:
"Caso ocorra a manutenção do atual suporte, o preço tende a buscar novamente a região de resistência dos US$ 72.000, com grandes chances de finalmente ocorrer um rompimento após as repetidas falhas em superar essa barreira crucial."
A transformação da resistência de US$ 72.000 em suporte se configura como o impulso necessário para que o Bitcoin retome a tendência de alta e busque novas máximas históricas antes mesmo do final deste ano, afirma Pohl:
"O rompimento da resistência poderia provocar uma aceleração do preço do Bitcoin em direção aos próximos alvos de alta, em US$ 100.000 e US$ 150.000."
Gráfico semanal anotado de futuros perpétuos de Bitcoin (Binance). Fonte: Crypto Investidor
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil recentemente, a adoção institucional do Bitcoin ainda encontra-se em seus estágios iniciais, e pouco tem contribuído para a valorização do preço do ativo, segundo Marc Degen, cofundador e presidente da Trust Square, um hub de tecnologia focado em blockchain.
Segundo o executivo, os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos, por si só, não foram suficientes para aumentar a confiança do setor corporativo na indústria de criptomoedas.