O governo do estado e a prefeitura do Rio de Janeiro assinaram um protocolo de intenções com a Nasdaq e a Global Environmental Asset Plataform (GEAP) para abertura de uma bolsa para negociação de créditos de carbono na capital fluminense ainda em 2022, informou reportagem do portal IG publicada na quarta-feira.

A parceria foi firmada em uma reunião em Nova York e tem como objetivo principal reposicionar o Rio de Janeiro como protagonista no cenário econômico brasileiro através de iniciativas de desenvolvimento sustentável.

A reabertura de uma bolsa de operações financeiras na capital fluminense 22 anos após o fechamento da Bolsa de Valores do Rio é um ponto de inflexão dos esforços conjuntos das administrações estadual e municipal nesse sentido, conforme destacou o secretário municipal da Fazenda, Pedro Paulo Carvalho, ao Valor Econômico logo após a celebração da parceria:

"O objetivo não é competir com o mercado tradicional de ações de São Paulo, mas buscar esse mercado de ativos financeiros sustentáveis e também de criptoativos."

O documento que formaliza o acordo prevê a colaboração contínua entre as partes envolvidas a fim de certificar, emitir e negociar créditos de carbono - etapas obrigatórias para operação nesse mercado. Créditos de carbono são um mecanismo de compensação financeira utilizado por países e empresas que não atingiram suas metas de redução de emissões de CO2. Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Estes créditos podem ser negociados no mercado internacional.

Os primeiros passos para implantação do empreendimento incluem a elaboração de um projeto piloto da plataforma de negociação e a formação de um grupo de trabalho conjunto para concepção do planejamento executivo. Uma vez concluída esta etapa, uma subsidiária brasileira de uma holding formada pela Nasdaq e pelo GEAP dando origem à nova bolsa do Rio de Janeiro.

De acordo com fontes do governo do Rio, o Estado será responsável pela emissão dos ativos digitais, enquanto a Nasdaq fornecerá infraestrutura técnica e operacional para viabilização das transações. O estado do Rio de Janeiro tem 31% de sua área total ocupada por florestas nativas. Assim, a expectativa é que, em plena capacidade, a nova plataforma seja capaz de negociar 73 milhões de toneladas de CO2, movimentando aproximadamente R$ 2 bilhões, levando-se em conta um preço médio de R$ 25,00 por tonelada.

Bolsa Verde

Em dezembro do ano passado, o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ) já anunciara pretensões de criar um mercado voluntário de créditos de carbono na capital, a chamada Bolsa Verde. Na ocasião, a administração municipal divulgou a intenção de reduzir a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% incidente sobre empresas certificadoras ou desenvolvedoras de projetos sustentáveis e consultorias ambientais.

O reposicionamento do Rio de Janeiro como protagonista do setor financeiro brasileiro conta também com iniciativas ligadas ao mercado de criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil. No início deste ano, durante a Rio Innovation Week, o prefeito Eduardo Paes revelou a intenção da prefeitura de lançar uma criptomoeda carioca nos mesmo moldes da Miami Coin (MIA), enquanto o secretário da Fazenda, Pedro Paulo, afirmou que a administração municipal estava estudando a possibilidade de oferecer descontos para contribuintes que optassem por pagar impostos utilizando Bitcoin (BTC).

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