O fundo de capital de risco brasileiro Fuse Capital anunciou a participação na rodada de financiamento semente da Etherfuse. A startup mexicana é a criadora de um protocolo de tokenização de ativos do mundo real (RWA) atrelados a títulos de dívida de mercados emergentes integrado ao ecossistema de DeFi (finanças descentralizadas).

A rodada de financiamento foi liderada pela White Star, ao lado de North Island Ventures, e contou também com a participação da Stellar (XLM).

A Etherfuse desenvolveu um protocolo inovador para facilitar o acesso de investidores globais e de varejo a ativos de alta rentabilidade e baixo risco, garantindo um lastro de 1:1 com os títulos de dívida subjacentes.

Os tokens RWA emitidos pela Etherfuse podem ser negociados no ecossistema de DeFi e mantidos sob autocustódia, permitindo que investidores do mundo inteiro tenham acesso ao mercado de títulos de dívida pública, sem intermediários, em mercados com ampla liquidez.

A integração de tokens RWA atrelados a ativos seguros e estáveis ao ecossistema de DeFi possibilita que os investidores utilizem títulos públicos como garantias em operações financeiras sofisticadas, mitigando os riscos associados à volatilidade das criptomoedas. 

Ao oferecer um token RWA emitido pela Etherfuse como garantia para tomada de empréstimos em protocolos DeFi, os riscos de liquidação são reduzidos significativamente, por exemplo.  Além disso, por ser uma entidade regulada, a Etherfuse também simplifica o processo de verificação de identidade (KYC), exigindo-o somente no momento do resgate dos rendimentos. 

O modelo de negócios da Etherfuse reduz as barreiras de exposição a títulos de mercados emergentes. Tradicionalmente, títulos públicos são de difícil acesso tanto para investidores institucionais quanto de varejo, devido às limitações técnicas e regulatórias dos mercados financeiros tradicionais.

Fuse Capital e o mercado brasileiro

O investimento estratégico da Fuse Capital visa facilitar a inserção da startup no Brasil, após o sucesso inicial de suas operações no mercado mexicano:

"Investir na Etherfuse faz parte da estratégia da Fuse Capital de apoiar projetos que tragam soluções de valor real para o ecossistema blockchain", afirmou Guilherme Hug, sócio fundador da Fuse Capital, ao Cointelegraph Brasil.

Além do investimento financeiro na startup, a Fuse Capital vai prospectar novos parceiros e oportunidades de negócios que possam contribuir para a consolidação da Etherfuse no Brasil, explicou Hug:   

"A Fuse Capital acredita que a Etherfuse tem o potencial de conquistar um mercado ainda maior no Brasil em comparação com o México. Cabe a nós criar conexões com os players locais mais adequados para impulsionar os negócios da Etherfuse."

David Taylor, CEO da Etherfuse, afirmou que a startup tinha planos de expansão visando o mercado brasileiro antes mesmo do investimento da Fuse Capital.

"O mercado de dívida do Brasil é maior que o mexicano e oferece grandes oportunidades de tokenização de ativos do mundo real", disse Taylor. No entanto, faltava um parceiro local que pudesse oferecer suporte tanto do ponto de vista legal quanto de estratégia comercial, acrescentou o CEO da Etherfuse:

"Encontramos na Fuse Capital o único player que conjuga conhecimento profundo sobre o mercado financeiro tradicional, aliado a um forte conhecimento do que há de mais moderno desenvolvido em blockchain, algo que é extremamente raro."

O roadmap da Etherfuse projeta a criação e a comercialização de uma ampla gama de ativos sob a forma de tokens RWA. A plataforma tem a meta ambiciosa de tokenizar mais de 3.500 ativos do mundo real nos próximos 18 meses, incluindo títulos de dívida de curto prazo de diversos países, além de outros ativos disponíveis para negociação na bolsa mexicana.

O crescimento do mercado de ativos do mundo real tem sido impulsionado pela tokenização de produtos financeiros tradicionais, conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil.

Empresas como BlackRock, Franklin Templeton e Fidelity estão liderando a expansão de um setor cujas projeções mais otimistas estimam que poderá chegar a US$ 30 trilhões nos próximos dez anos.