Fundos 'brasileiros' de Bitcoin foram melhor que maconha e ouro mas perderam para gado e ações

Fundos brasileiros que investem em Bitcoin e criptomoedas por meio de operações no exterior e em acordo com as regras da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, CVM, tiveram um prejuízo em novembro porém apresentaram uma performance melhor que outros fundos de investimentos baseados em maconha e ouro, segundo revelou uma reportagem publicada hoje, 09 de dezembro, pelo Valor Investe.

A reportagem computou os dados de cinco fundos que investem em ouro; um que investe em empresas ligadas à cadeia produtiva de maconha nos Estados Unidos e no Canadá; dois que compram criptomoedas (diretamente, no caso da BLP, ou por intermédio de um índice, no da Hashdex); um cujos gestores tomaram a decisão de passar a investir em bois; e um com estratégia sistemática de alocação em ativos estrangeiros.

Os dados revelaram que as criptomoedas, apesar da queda drástica no mês de novembro quando o Bitcoin chegou a ser cotado em US$ 6.500, permanecem entre os melhores investimentos do mês e, olhando o resultado anual, os investimentos deste fundos superam o de outros ativos 'não tradicionais'..

 

FundoApostaNovembro2019
BLP Criptoativos FIMcriptomoedas-2,23%13,48%
Hashdex Digital Assets Discoverycriptomoedas-1,86%n/a *
Vitreo Canabidiol FIA IEmaconha-8,34%n/a *
BTG Ouro FIMouro-3,89%n/a *
Caixa Ouro FIM LPouro-3,56%13,10%
XP Trend Gold FIMouro-3,09%14,79%
Vitreo Ouro FIC FIMouro0,41%n/a *
Órama Ouro FIMouro2,02%28,59%
Argumento ARG I FIMboi *1,81%9,29%
Canvas Vector FIC FIMações globais1,65%24,84%
* fundos criados durante o ano de 2019   
** aposta pontual do fundo   

Fonte: Marcelo D'Agosto / Morningstar - Crédito: Valor Investe

Os números dos fundos de criptomoedas refletem a instabilidade no mês de novembro e que, mesmo com inúmeras notícias positivas, o Bitcoin não conseguiu recuperar seu patamar de valor. Contudo, segundo Glauco Cavalcanti, gestor da asset BLP, isso é temporário, pois até 2030 fundos de pensão deve ter pelo menos 0,2% alocados em cripto e isso é um efeito muito grande.

"Fundos de pensão, por exemplo, administram muito dinheiro, e em horizontes de duas ou três gerações. Não podem chegar em 2030 sem criptos na carteira, e, se colocarem 0,2%, já farão um efeito enorme. (Em 2019) Houve avanços de regulação e de tecnologia. Os futuros de criptos começaram a operar, custodiantes entraram no mercado – nós mesmos terceirizamos nossa custódia para a CoinBase, nos EUA. Não houve grandes ataques hackers, e a volatilidade está caindo. Foi um ano bom, melhor que 2018, que foi um desastre e machucou muita gente que só vai voltar aos poucos", disse a reportagem.

Enquanto a China é apontada como responsável pela queda no Bitcoin por 'iniciar' uma suposta perseguição contra exchanges de criptomoedas a segunda maior economia do mundo também teria sido responsável pelo 'lucro do boi'.

Afinal quem investiu no 'fundo do boi', se deu melhor em novembro, e, de acordo com a reportagem, o resultado reflete um dado interessantes: gestores passaram a comprar contratos futuros de bovinos de olho em um possível aumento da demanda da China, ocasionando uma valorização de 1,81% no investimento que acumula alta de 9,29% no ano (perdendo para as criptomoedas que tem mais de 13%).

Como noticiou o Cointelegraph, a poupança, denominado o investimento mais conservador do mercado e apontado como o 'mais seguro' por alguns especialistas, possui, segundo dados do Banco Central do Brasil mais de R$ 800 bilhões aplicados e, de acordo com divulgação do BCB, o mês de novembro apresentou o melhor resultado deste setor desde 2017.

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