Os brasileiros possuem cerca de R$ 825,720 bilhões investidos na carteira de poupança, segundo revelou recentemente o Banco Central do Brasil no balanço de dezembro, referente a novembro. Aliado ao open banking, o total de investimentos dos brasileiros armazenados nos bancos pode apresentar uma oportunidades para o Bitcoin.
Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, somente em novembro foram depositados mais de R$ 208.219 bilhões na poupança que, por outro lado, teve uma retirada de R$ 205.792 bilhões e foi o melhor resultado desde novembro de 2017. Os números mostram que o apetite do brasileiro por investimento está aquecido, somente este mês já foram mais de R$ 33,243 bilhões em depósitos contra R$ 28,837 bilhões de retirada.
A capitalização da poupança, aliada ao open banking, que deve ser lançado no ano que vem no Brasil, abre uma grande oportunidade para as empresas que operam no segmento de criptomoedas tendo em vista que, com o lançamento do novo sistema, fintechs poderão conectar suas aplicações diretamente com os bancos e, desta forma, acessar a conta bancária dos usuários que assim permitirem.
Desta forma, diversas soluções podem ser criadas, como por exemplo, um resgate automático do valor aplicado na poupança se o real iniciar um movimento de desvalorização. Assim, estabelecendo um limite do preço do dólar, automaticamente uma porcentagem ou até mesmo o saldo total aplicado na poupança pode ser convertido em Bitcoin para evitar uma desvalorização cambial.
Não só os recursos da poupança poderão ser acessados pelas empresas que integrarem o sistema de open banking, com a autorização do cliente, também poderão ser acessadas contas corrente e conta salário, assim, um empresa pode construir uma solução de 'conversão automática' de parte do salário em Bitcoin ou criar uma 'aposentadoria em Bitcoin', as possibilidades são inúmeras.
"Eu acho que o open banking é sensacional. É uma grande oportunidade de conectar o mundo de cripto ao fiduciário, pois vamos analisar friamente qual é o serviço prestado por um banco? Ele presta o serviço de custódia do meu dinheiro (...) aquele dinheiro é meu, então, em tese, eu que teria que decidir para onde aquele dinheiro vai. E acredito que o open banking pode permitir isso. Pois a partir do momento que eu tenho uma 'chave' para o cofre e o cliente compartilha esta 'chave' comigo ele pode permitir, por exemplo, que todo mês eu invista R$ 300 reais para ele em Bitcoin e criptomoedas. Isso é fantástico e abre um leque de oportunidades afinal a liberdade, de certa forma, volta para o cliente que pode dar acesso a 'chave de seu cofre a quem ele quiser. Olhando pela liberdade financeira, este é o serviço correto que os bancos tem que fazer", destacou Rocelo Lopes - CEO da Stratum Blockchain Group.
O Banco Central do Brasil anunciou a abertura de uma Consulta Pública sobre o Open Banking, até o dia 31 de janeiro de 2020, após esta data, o BCB deve analisar as propostas e publicar um novo edital definitivo com as regras para participação das empresas e instituições financeiras no sistema.
Como noticiou o Cointelegraph, recentemente, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, voltou a defender a tecnologia blockchain em um recente almoço na Federação Brasileira de Bancos, Febraban, no qual destacou que não importa se uma instituição é um banco tradicional ou uma fintech, todos terão que ser digitais.
"Não pode haver mais diferença entre um grande banco ou uma fintech. Todas as instituições financeiras precisam ser digitais", disse.
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