Encerrado o ciclo olímpico de 2016, o ginasta brasileiro Petrix Barbosa se mudou para Miami, nos Estados Unidos, com o ideal de conjugar a vida de atleta com o empreendedorismo.
Em busca de oportunidades de investimento, Petrix se deparou com o Bitcoin (BTC) e as criptomoedas. Imediatamente intuiu que, mais do que uma alternativa para ganhar dinheiro, a tecnologia blockchain era um campo novo, aberto a inovações que iam além do ambiente financeiro.
Naquela época, setores hoje consolidados como DeFi (finanças descentralizadas), NFTs (tokens não fungíveis) e games, por exemplo, sequer existiam. A tecnologia disruptiva dos contratos inteligentes implementados na Ethereum (ETH) era explorada com fins exclusivamente especulativos.
Em vez de seguir o caminho mais fácil de comprar e vender criptomoedas visando lucro imediato, Petrix tornou-se um investidor de startups da Web3 focadas em desenvolver produtos com casos de uso real para os usuários do espaço.
Atuando em um primeiro momento como investidor-anjo, e posteriormente liderando um fundo de capital de risco, Petrix investiu em mais de 250 projetos.
“Nesse processo de investir em mais de 250 startups, eu li mais de 3.000 apresentações de projetos de diferentes empresas e foi aí que eu fui entendendo os problemas e as oportunidades que existem no espaço da Web3", diz o executivo em entrevista ao Cointelegraph Brasil.
Com a experiência adquirida enquanto investidor e usuário da Web3, Petrix compreendeu que a tecnologia blockchain e as criptomoedas têm potencial para solucionar os problemas de centralização, controle de dados e monetização do modelo dominante implementado pela Big Techs.
Assim surgiram as ideias e a motivação para lançar seu próprio projeto. Em 2023, surgiu a Matchain, uma solução de camada 2 baseada na BNB Chain que opera na convergência entre inteligência artificial (IA) e blockchain para desenvolver soluções de identidade digital, soberania de dados e entretenimento.
Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, Petrix explicou que a Matchain tem o propósito de fazer o onboarding de usuários da Web2 para Web3 por meio de produtos que utilizem os recursos de transparência, imutabilidade e propriedade digital da blockchain, abstraindo todas as complexidades inerentes às operações on-chain.
“Atualmente, nós contabilizamos mais de 25 milhões de usuários na Matchain, sendo que 20 milhões vieram da Web2”, afirmou o executivo.
Identidade Digital
Petrix identificou lacunas nos sistemas de identidade digital e propriedade de dados adotados tanto por empresas da Web2 quanto da Web3:
“A duplicidade de usuários é um dos grandes problemas que existem, hoje, na internet. Os mesmos usuários possuem perfis diferentes em diversas plataformas. A missão da Matchain é tornar todos usuários únicos dentro da Web2 e da Web3, para que todos tenham uma única identidade digital.”
Buscando uma solução efetiva para esse problema, a Matchain foi desenvolvida com um sistema integrado de IA especializado na categorização de dados e do perfil dos usuários, visando mesclar perfis sociais da Web2 e da Web3 em uma identidade digital unificada.
O sistema DID da Matchain emite carteiras de identidade digitais únicas para os usuários da rede, que podem ser vinculadas a diversos endereços de carteiras e OpenIDs, reduzindo a fragmentação e promovendo a interoperabilidade entre plataformas.
Ao mesmo tempo, permite que os usuários mantenham a propriedade e o controle sobre seus dados pessoais, incluindo as maneiras como são utilizados e monetizados, afirma Petrix:
“Todas as grandes empresas de tecnologia, Meta, Apple, Amazon, Alphabet, fazem muito dinheiro utilizando nossos dados e vendendo as nossas informações. A blockchain tem essa beleza de conceder aos usuários propriedade sobre suas identidades, dados e informações pessoais. Tendo uma única identidade digital, nós temos uma análise muito mais completa, mais eficaz e mais honesta do que nós fazemos nesse mundo digital, para poder, sim, monetizar nossos dados como desejamos e consentimos.”
Parceria com Paris Saint-Germain
Após um ano e meio operando em rede de testes, a Matchain lançou sua rede principal em agosto de 2024. Em outubro, fechou uma parceria com o Paris Saint-Germain (PSG) para se tornar o parceiro exclusivo do clube em soluções de identidade digital.
Segundo Petrix, o objetivo é unificar a base global de fãs do gigante do futebol francês por meio de uma carteira de identidade digital, incentivando a adoção da Web3 por meio do esporte.
Divulgação da parceria entre a Matchain e o Paris Saint-Germain. Fonte: Matchain
Além disso, a parceria inclui a criação de um estúdio compartilhado de inovação dedicado ao desenvolvimento de experiências inovadoras em Web3. Petrix almeja revolucionar o engajamento dos fãs do PSG através de experiências personalizadas, recompensas exclusivas e eventos imersivos na blockchain da Matchain.
Lançamento de token e airdrop
Petrix revela que o roadmap da Matchain prevê o lançamento de um token nativo. Ainda sem data definida, o MAT será a moeda utilizada para a monetização dos dados de usuários da Matchain dispostos a comercializá-los em um futuro marketplace, explica o executivo:
“Dados de gamer, estilo de vida, saúde, viagens poderão ser monetizados quando empresas quiserem acessar informações sobre os usuários da rede. O token será utilizado para pagar os usuários que disponibilizarem seus dados.”
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Petrix também confirmou que os usuários da rede serão beneficiados por um airdrop a ser anunciado este ano:
“Sim, nós já estamos preparando a lista de carteiras qualificadas para o airdrop. Nossa campanha já tem quase um ano, com muitas tarefas para que usuários criassem carteiras e realizassem certas transações. Nesse momento, estamos fazendo um processo de filtro para bloquear bots e usuários desonestos, e descobrir se teremos 100 mil, 500 mil ou até 1 milhão de pessoas elegíveis para o airdrop.”
O Relatório da Indústria de DApps do DappRadar de 2024 revela que a Matchain registrou uma média de 252.000 usuários únicos diários em 2024, destacando-se como uma das principais redes do setor.