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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Pintura de Frida Kahlo avaliada em R$ 51,5 milhões é incinerada após ser convertida em 10 mil NFTs

Vídeo da destruição da obra da pintora mexicana, de autenticidade ainda não comprovada, provocou revolta nas redes sociais.

Pintura de Frida Kahlo avaliada em R$ 51,5 milhões é incinerada após ser convertida em 10 mil NFTs
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Possivelmente desconhecendo que as novas tecnologias podem ser uma ferramenta impulsionadora da produção artístico-cultural e não uma arma de destruição ou substituição das artes, tampouco da história, um milionário resolveu colocar fogo em uma obra da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) depois de digitalizar a imagem, transformada em 10 mil tokens não fungíveis (NFTs).

O episódio, que aconteceu em Miami (EUA) e foi publicado no final de julho no YouTube, além de gerar uma enxurrada de críticas dos internautas, é objeto de uma investigação aberta pelo Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (INBAL) do México, que tenta descobrir se a pintura queimada por Martin Mobarak é mesmo o original da obra "Fantasmones Siniestros" (fantasmas sinistros), de 1944, avaliada em 10 milhões de euros, R$ 51,5 milhões pela cotação da moeda europeia nesta terça-feira (27).

"Fantasmones Siniestros" foi queimado após ser transformado em NFTs. Imagem: Reprodução

Segundo o magnata mexicano, que detém, ou detinha, a obra desde 2015, e que se autoproclama “alquimista de arte”, “visionário”, “líder filantropo” e “transformador NFT” em sua página no LinkedIn, o objetivo da transformação da obra em NFTs é criar “pedaços” que possam crescer “na eternidade.”  Mobarak disse ainda que os fundos arrecadados pela venda dos NFTs serão destinados a entidades ligadas à saúde infantil, à Casa Museu Frida Kahlo e à Escola de Belas Artes Mexicana, e à Escola Nacional de Artes Plásticas, entre outros beneficiários. 

Ao jornal El Pais, Martin Mobarak admitiu que a queima da obra de Frida Kahlo é algo forte e que ele pode ser “mal interpretado”, mas justificou que a artista já é bastante conhecida e que pode alcançar a “imortalização.”

“Frida Kahlo se imortalizou na forma de NFTs. Sua arte, agora compartilhada em todo o mundo, criou doações que continuarão a crescer em perpetuidade”, diz um trecho da descrição do vídeo. 

Já o INBAL negou que a Casa Museu Frida Kahlo e a Escola de Belas Artes Mexicana irão receber doações de  Martin Mobarak e acrescentou que o Banco do México é o administrador fiduciário da Casa-Museu Diego Rivera e Frida Kahlo, "na sua qualidade de detentor dos direitos patrimoniais das obras."

O INBAL disse ainda que não autorizou e não recebeu qualquer pedido de reprodução da obra de Frida Kahlo, no caso a pintura incinerada por Martin Mobarak, e acrescentou que "a destruição deliberada de um monumento artístico constitui um crime nos termos da Lei Federal sobre Monumentos e Zonas Arqueológicas, Artísticas e Históricas."

Em vez de “queimar a arte e a memória”, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) decidiu usar os NFTs em uma plataforma em que os colecionáveis trazem vídeos de momentos marcantes da história das copas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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