O mercado de investimentos está aquecido no Brasil, seja ele o de criptoativos ou o mercado tradicional, diversas pesquisas mostram que o apetite dos brasileiros por aplicações financeiras nunca esteve tão alto.

Neste cenário a principal dica dos especialistas é sempre diversificar seu investimento, desta forma, nunca apostar em uma criptomoeda só, em um ação específica, em um ETF só ou mesmo em um mercado apenas.

Para aqueles que desejam, além do Bitcoin (BTC) e das criptomoedas, diversificar seu portifolio no mercado tradcional o Cointelegraph conversou com a Ativa Investimentos, corretora independente com mais de 35 anos de atuação no mercado financeiro, que indicou algumas das principais debêntures do mercado.

"Temos mais de 125 ativos disponíveis para negociação na plataforma da Ativa, e essa diversidade de debêntures possibilita selecionarmos as melhores oportunidades no mercado secundário para os nossos clientes", explica Bruno Brostoline, analista de Crédito da Ativa que assina a carteira.

Confira as cinco debêntures incentivadas indicadas pela Ativa Investimentos.

ECHP11

Emissor: a Echoenergia Participações é uma geradora de energia elétrica a partir de fontes renováveis, com operações no Nordeste. Atualmente, conta com 9 complexos eólicos em operação e mais 3 em construção, a maioria no Rio Grande do Norte.

A empresa tem destacada posição de negócios no segmento de geração eólica no país, e até o final de 2021 deverá contar com capacidade instaladad de 1,2 GW. A entrada em operação dos parques eólicos em desenvolvimento, em conjunto com os já funcionais devem fortalecer o perfil de crédito da empresa, com aumento na geração de caixa e redução da alavancagem financeira.

Além de estar incluída num ramo de energia limpa, elogiado pela sustentabilidade ambiental, a geração eólica vem ajudado a amenizar os efeitos da crise hídrica no Brasil. A companhia conta com parques eólicos localizados em regiões estratégicas do Nordeste, em que a elevada incidência de ventos leva diversos parques eólicos da região a baterem recordes de geração, operando com máquinas de eficiência superior e um centro de operações de alta de tecnologia.

A empresa é controlada pelo fundo britânico Actis, reconhecido mundialmente pela sua grande estrutura, alto padrão de governança e elevado perfil de crédito.

Debênture: vence em junho de 2036 e tem uma duration de cerca de 5 anos, cerca de um terço do prazo.

O fluxo de pagamentos da dívida é composto por pagamentos de juros semestrais e amortizações anuais a partir de junho de 2023. Não contém garantias, mas conta com covenants financeiros de dívida líquida/EBITDA para limitar a alavancagem financeira da empresa.

BRST11

Emissor: a Brisanet Participações é uma das maiores provedoras de banda larga fixa no país. Suas operações situam-se na região Nordeste, com cerca de 670 mil clientes de fibra ótica, TV e telefonia.

É uma empresa ainda em crescimento, embora tenha estrutura menor do que algumas de suas concorrentes, como Vivo e Algar, e opera com margens de lucro e geração de caixa acima do setor, mesmo com preços mais competitivos.

A emissão da dívida, em conjunto com seu recente IPO, faz parte da estratégia para manter seu plano de investimentos, direcionados à expansão para novos locais de atuação e consolidação das regiões em que já está presente. A expansão, aliada a sua transparente governança corporativa (Novo Mercado), são bem vistas pelo mercado e projeta-se um crescimento das receitas acima dos 20% pelos próximos anos, que pode diminuir sua alavancagem e elevar seus índices de liquidez.

Além disso, a empresa tem espaço para uma nova emissão, se refinanciar dívidas.

Debênture: vence em março de 2028 e tem uma duration de cerca de 4,3 anos. O fluxo de pagamentos da dívida é composto por pagamentos de juros semestrais, a partir de setembro de 2021, e amortizações semestrais a partir de março de 2025. A emissão apresenta garantias reais e um covenant financeiro de dívida líquida/EBITDA de 3,5x. Rating A+ pela S&P.

ELET23

Emissor: sem precisar de maiores introduções, a Eletrobras é o maior grupo do setor elétrico na América Latina, atuando nos segmentos de geração e transmissão desde 1962 pelo Governo Federal. É conhecida em todo o país pela sua enorme estrutura e importância ao Brasil, e é responsável por cerca de metade das linhas de transmissão brasileiras.

Nos últimos anos, com uma melhor estrutura de capital, menor alavancagem e geração de caixa mais robusta, a empresa melhorou seu perfil de crédito e conta com um importante suporte do governo em caso de necessidade, em função de sua relevância no setor elétrico do país.

A possível privatização da Eletrobras diminuirá o suporte financeiro vindo do governo, mas poderá trazer melhoras nas suas receitas e margens, além de diminuir as potenciais influências políticas na companhia.

A Eletrobras tem uma forte posição de liquidez, com mais de R$ 15 bi em caixa, valor maior do que as dívidas de curto prazo. Além disso, se beneficia por sua composição de dívidas terem vencimentos mais longos.

Outro ponto importante é sua diversificação geográfica e operacional e as suas diversas fontes de receita, que contribuem para uma melhor situação financeira. A empresa e o ativo foram avaliados como AA pela Fitch.

Debênture: vence em abril de 2031, e tem uma duration de 7,6 anos. O fluxo de pagamentos da dívida é composto por pagamentos de juros semestrais, a partir de outubro de 2021, e pagamento do principal no vencimento. A emissão não apresenta garantias e conta com um covenant financeiro de dívida líquida/EBITDA de 3,75x.

CAEC21

Emissor: A Cagece, Companhia de Água e Esgoto do Ceará, presta serviços de saneamento básico em todo o estado, detendo quase um monopólio na região. Tem contratos de longo prazo com o governo com cláusulas de reajuste tarifário anual, uma importante proteção para manter a geração de caixa.

O setor de saneamento contém baixo risco aos negócios. Serviço essencial à população, tem uma demanda constante e forte, diferentemente de muitos outros setores na economia. A empresa apresenta um sólido perfil de crédito, com baixa alavancagem financeira e boa liquidez.

O novo marco regulatório no setor exigirá uma ampliação da sua cobertura de água e esgoto no Ceará, levando a maiores necessidades de investimento pela companhia, motivo principal desta emissão.

Embora esteja exposta a um segmento muito regulado, sua expansão pode trazer uma maior rentabilidade no longo prazo e margens maiores com sua maior escala de negócios. O controle do governo na companhia não apresenta risco políticos relevantes e garante um certo suporte financeiro, caso necessite.

Debênture: vence em março de 2029 e tem uma duration de cerca de 5,3 anos. O fluxo de pagamentos da dívida é composto por pagamentos de juros semestrais, a partir de setembro de 2021, e amortizações semestrais a partir de setembro de 2027. A emissão não apresenta garantias e conta com três covenants financeiros relacionando suas dívidas ao EBITDA.

SAIP11

Emissor: a Salus Infraestrutura Portuária é uma sociedade de propósito específico voltada para o desenvolvimento de obras de melhorias no canal marítimo Piaçaguera, localizada em Santos e Cubatão (SP).

A dívida é assegurada pela VLI, uma grande operadora logística que integra portos, ferrovias e terminais em todo o Brasil e tem como seus principais acionistas a Vale, Mitsui, FI-FGTS, BNDES Participações e Brookfield.

A VLI apresenta escala relevante de negócios e vantagens competitivas perante as demais opções de transporte, com rentabilidade operacional relativamente alta e estável, sustentadas por contratos que garantem satisfatória proteção contra custos inesperados e que propiciam sólida capacidade de geração de caixa operacional.

A indústria em que está inserida conta com sólidos fundamentos, como demanda estável mesmo em meio a diversos ciclos econômicos e operações ligadas ao comércio internacional. Os recursos da emissão serão utilizados para pagamento de despesas relativas ao projeto de drenagem, recuperação e manutenção do canal.

Debênture: vence em outubro de 2024 e tem uma duration curta de cerca de 1,5 anos, quase metade do prazo. O fluxo de pagamentos da dívida é composto por pagamentos de juros e amortizações anuais no mês de outubro. A emissão não apresenta garantias e covenants financeiros. O ativo teve seu rating de crédito avaliado como AAA pela Fitch.

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