'Vendi minha casa para aplicar na GenBit e perdi tudo', diz investidor com Bitcoin bloqueado

A Folha de S. Paulo, um dos principais jornais do país, destacou em 16 de dezembro, o desespero em que se encontram clientes da GenBit, empresa de Campinas, no interior de São Paulo, que prometia altos rendimento por meio de supostas aplicações com Bitcoin e criptomoedas e não vem honrando seus saques há mais de 3 meses.

Há, segundo a reportagem, relato de clientes que pegaram empréstimo no banco e até de pessoas que venderam a casa para aplicar no suposto golpe que prometia retornos de até 400%.

A GenBit, segundo a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM), estaria ligada a Zero10, que também prometia investimentos em Bitcoin por meio do mercado Forex que é proibido no Brasil. Ambas, GenBit e Zero10, tiveram um condenação emitida pela CVM para que suspendesse seus serviços, contudo, embora a Zero10 tenha acatado a determinação, a GenBit continuou operando.

Sem autorização ou dispensa da CVM, a GenBit estaria atuando irregularmente no Brasil e é acusada pelos clientes de operar em um sistema de pirâmide financeira e, desta forma, se confirmada as acusações, a empresa estaria cometendo crime contra a Economia Popular.

Como mostra a Folha e como vem noticiando o Cointelegraph, sem receber, clientes da empresa tem acionado a justiça em busca de seus valores bloqueado e segundo o advogado André Bueno, que representa mais de 70 clientes contra a empresa, há relatos de investidores com mais de R$ 400 mil retidos e que, pela quantidade de processos e da promessa de rendimentos, a empresa não teria condições de liquidar a dívida.

Agora a proposta da empresa é pagar todo os investidores em um token próprio, chamado TreepTokens, que a partir de março de 2020, poderá ser convertidas em reais ou utilizadas em compras no marketplace do grupo. Hoje, basicamente, ele não serve para nada e não pode ser negociado em nenhuma corretora.

Segundo a reportagem, para Diego Martins, diretor da ACCrypto, associação que defende os direitos de clientes de corretoras de criptomoedas, a conversão da dívidas em tokens “vende esperança a prazo”.

“O cliente fica entre acionar a empresa na Justiça ou esperar com o seu investimento retido até que a moeda de fato adquira liquidez. Ele ainda acaba virando um criminoso, por que acaba atraindo mais gente para um negócio que sabe não ter o retorno prometido, na esperança de reaver o seu dinheiro no futuro", explica Martins a Folha.

Já para Fabrício Tota, diretor de mercado de balcão do Mercado Bitcoin, a promessa de retornos muito discrepantes em relação ao mercado, devem ser analisados com atenção.

“Dinheiro fácil não existe. Uma proposta incrível com alto rendimento fixo e sem risco é motivo de desconfiança. Se [a corretora] pedir [indicação de] novos entrantes, desconfie”, diz

No entanto a GenBit, nega que os saques estejam atrasados e alega que a demora no cumprimento das solicitações é que os saques estão agora 'escalonados' mas que tudo será normalizado em até 90 dias. Em um comunicado enviado aos clientes, a corretora afirma que cumpriu os contratos sem atraso por um ano e oito meses, mas um “descompasso na realização bancária dos valores de saques” e um clima de pessimismo e ataques à credibilidade da empresa diminuiu o volume de vendas, prejudicando as finanças"

Como vem noticiando o  Cointelegraph, a GenBit nega que seja uma pirâmide financeira e, embora sem o consentimento dos clientes, todos os investimentos na plataforma foram transformados em ativos digitais, sugerindo que o token TreepTokens terá liquidez para pagar todas as supostas vítimas.

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