Co-fundador da Finlab Brasil especula sobre possível moeda digital de BC brasileira

O co-fundador da empresa de serviços financeiros Finlab Brasil e colunista do portal InfoMoney Gustavo Cunha publicou um artigo em um blog do portal tratando de uma possível moeda digital emitida pelo Banco Central do Brasil.

O artigo, entitulado “Bitcoin do governo: entenda a ideia por trás da moeda digital do Banco Central”, diz que haveria uma discussão “muito intensa” no mundo sobre o papel moeda e como ele se portará no futuro. Segundo ele, a moeda essencialmente deve ter três propriedades: reserva de valor, meio de pagamento e unidade de conta. A partir disso, ele diz que não há uma necessária relação entre um governo e a moeda em papel.

Gustavo Cunha escreve que “há 10 anos, veio a ideia libertária de criar uma moeda que não fosse ligada a nenhum governo, mas que pudesse cumprir com todos os requisitos acima”. Segundo ele, porém, moedas como o Bitcoin esbarram em controle “jurídico, administrativo e organizacional”, dificultando a adoção estatal por conta do princípio anonimato das redes de criptografia.

Por outro lado, segundo o colunista, a segurança na transferência de valores sem intermediários e o registro imutável das transações atraiu bancos centrais ao redor do mundo. Segundo ele, os bancos centrais do mundo - entre eles o brasileiro e o japonês - investem em tecnologia blockchain para lançar estudos sobre suas próprias moedas digitais, a Central Bank Digital Currency (CBDC).

Segundo o colunista, a emissão do CBDC seria diferente do Bitcoin em vários pontos, pois não teria oferta de moeda inicialmente definida, por conta da autonomia do BC para emissão de mais moeda, mas traria mais escala para o processo.

Ele ainda diz que a forma da emissão da moeda também é um desafio, assim como a definição de qual a plataforma blockchain privada (DLT) a ser utilizada. No caso brasileiro, ele escreve que a implementação de uma moeda digital, caso aconteça, deverá ser gradual e isolada, “como toda inovação começa, mas com efeitos exponenciais pra se acertar o caminho”.

Como o Cointelegraph publicou nesta semana, o novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto disse em seu discurso de posse que, em sua gestão, o banco central brasileiro estimulará diversas frentes de tecnologia financeira, entre elas a blockchain.

O ministro Paulo Guedes também disse neste ano que tem planos para usar blockchain no aprimoramento do combate à sonegação de impostos, e o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, disse que “a blockchain é um tipo de tecnologia com potencial de transformar não só o ambiente de negócios, mas também a vida das pessoas”.