Mercados de baixa podem ser entediantes e desanimadores para os investidores de criptomoedas, mas configuram-se como uma ótima oportunidade de aprendizagem para que os investidores possam ganhar experiência e sejam capazes de utilizar seus conhecimentos para melhorar o desempenho de seus portfólios em um futuro cenário de alta.

À primeira vista, o universo das finanças descentralizadas (DeFi) pode parecer impenetrável e ameaçador. Além das complexidades de interagir diretamente com os protocolos descentralizados e da ampla gama de operações possíveis, investidores ainda se expõem a riscos variados, que incluem ataques hackers, rug pulls, perda impermanente e falhas em contratos inteligentes.

De qualquer forma, se o seu interesse é integrar e construir um ambiente verdadeiramente descentralizado, interagir diretamente com protocolos de finanças descentralizadas é um imperativo.

Os princípios básicos são os mesmos que valem para aqueles investidores que estão fazendo a sua iniciação no universo das criptomoedas: investir apenas aquilo que se está disposto e se pode perder e tomar as devidas medidas de segurança para evitar o comprometimento dos seus fundos. No caso das finanças descentralizadas, a autocustódia de fundos, chaves privadas e dispositivos de segurança adicionais é uma condição fundamental.

Estando ciente dos riscos – e também das recompensas –, vale a pena seguir três dicas básicas do trader e especialista Patrick Scott, da Dynamo DeFi, para iniciação no universo das finanças descentralizadas.

"Fazer staking e obter rendimentos em DeFi parece algo inacessível quando você está começando. O segredo é começar modestamente e desenvolver-se a partir daí", diz Scott na primeira postagem de um thread de propósito educativo publicado no Twitter sobre como dar os primeiros passos no universo das finanças descentralizadas.

1. Escolha uma rede para explorar

As finanças descentralizadas nasceram a partir das funcionalidades dos contratos inteligentes da Ethereum (ETH). Trata-se da rede líder do setor em termos de capital bloqueado e também é aquela que oferece a maior quantidade de DApps (aplicativos descentralizados) e de instrumentos DeFi para os usuários. Por esse mesmo motivo, não é barato realizar transações na Ethereum. Então, a não ser que você tenha uma grande quantidade de capital disponível, a melhor opção é buscar uma rede alternativa compatível com a Ethereum Virtual Machine (EVM) para começar.

Soluções de camada 2 da Ethereum são uma boa opção. Atualmente, Polygon (MATIC), Arbitrum e Optimism (OP) são as mais populares. Outra opção é utilizar uma rede de camada 1 alternativa à Ethereum, como a Avalanche (AVAX). Todas elas se caracterizam por baixas taxas de transação. Também não é complicado enviar fundos de uma exchange centralizada para um endereço em qualquer uma delas. 

Antes de tentar prever qual rede irá explodir, você precisa se familiarizar com os blocos de construção DeFi.

Escolha uma única rede para experimentar.

Polygon e Avalanche têm grandes ecossistemas, taxas baixas e muitos canais de acesso via exchanges.

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Em seguida, acesse defillama.com/chains e encontre a rede que você selecionou.

Observe quais aplicativos são os maiores e quais estão crescendo rapidamente.

Teste-os.

— Patrick | Dynamo DeFi (@Dynamo_Patrick)

2. Tipos de operação

Três dos quatro tipos de operações possíveis para gerar rendimentos em DeFi são: exchanges descentralizadas (DEX), protocolos de empréstimo e protocolos de staking líquido.

Exchanges descentralizadas permitem que os usuários negociem livremente seus criptoativos sem a necessidade de que informem previamente seus dados pessoais ou de credenciais de acesso. Uma vez conectada a carteira, o usuário pode realizar transações.

As DEX também permitem que os usuários assumam a função de prover liquidez em pools de negociação. Nesse caso, o usuário deve adicionar dois ativos diferentes em proporções iguais de valor para ter direito a participação nas taxas de negociação geradas pelo pool em questão.

Uniswap (UNI) na Polygon e na Ethereum, e Trader Joe (JOE) na Avalanche são DEX populares entre os usuários DeFi

Os protocolos de empréstimo permitem que os usuários ofereçam liquidez depositando um token específico em um pool para receber rendimentos sobre empréstimos tomados contra seus fundos. Igualmente, é possível tomar empréstimos sem necessidade de aprovação de crédito, mas sim contra o depósito de ativos colaterais. Nesse caso, há risco de liquidação das posições do mutuário caso ele não honre com o pagamento da dívida que lhe cabe.

Aave e MakerDAO (MKR) são protocolos de empréstimo bastante populares entre os usuários DeFi.

Os protocolos de staking líquido oferecem a possibilidade de que o usuário conceda os seus fundos para staking e, em contrapartida, recebam tokens sintéticos equivalentes ao montante depositado. Esses tokens sintéticos rendem juros aos portadores, que ainda podem utilizá-los em outras operações de finanças descentralizadas, como utilizá-lo como colateral para tomar empréstimos, ou mesmo para negociá-los no mercado à vista.

O Lido Finance (LDO) é o mais popular protocolo de staking líquido do mercado. ETH, DOT, SOL, MATIC e KSM são alguns dos tokens que podem ser bloqueados no protocolo em troca de versões sintéticas. 

Muitas vezes, também é possível que, além dos rendimentos gerados pelas taxas de transação e pelo bloqueio dos tokens, os usuários sejam recompensados com tokens de governança do protocolo com os quais interagem.

3. Experimentar outras redes

Uma vez que o usuário esteja familiarizado com uma determinada rede e com os diferentes tipos de operações que se pode fazer em DeFi, é hora de testar outras redes. Aqui, sugere Scott, o usuário deve buscar as seguintes respostas para tornar-se um trader mais capacitado:

- O que há de diferente na nova rede?
- Do que você gosta e do que você não gosta?
 -Quais aplicativos são os mais lucrativos para o seu perfil de investimento?
- Quando os rendimentos oferecidos são de fato sustentáveis?

Riscos

Como dito anteriormente, é importante considerar que a interação com protocolos DeFi oferece tantos riscos quanto oportunidades. Por isso, é preciso estar ciente dos principais antes de se aventurar no ecossistema de finanças descentralizadas.

Volatilidade

No caso das finanças descentralizadas, os custos da volatilidade podem ser mais altos devido ao bloqueio dos ativos em staking. Ou seja, em caso de perdas massivas, os criptoativos nem sempre podem ser negociados imediatamente para minimizar os prejuízos.

Fraude

Há o risco de investir em projetos ou esquemas fraudulentos e a consequente perda dos ativos investidos. De acordo com um relatório publicado pela pela firma de gerenciamento de riscos Ellipitc, US$ 2 bilhões foram roubados diretamente de aplicativos descentralizados nos últimos dois anos.

Rug pulls

Literalmente uma puxada de tapete, este tipo de golpe se caracteriza pelo sumiço dos desenvolvedores de um protocolo depois de acumular uma boa quantidade de fundos dos investidores. Dificilmente é possível identificar os responsáveis pelo crime, logo os fundos tornam-se irrecuperáveis.

Falhas no contrato inteligente

Os contratos inteligentes podem conter falhas, às vezes até deliberadamente para favorecer ataques, colocando os ativos dos investidores em risco. Contratos não auditados são mais suscetíveis a ataques ou golpes.

Perda Impermanente

A cotação de um determinado ativo pode aumentar ou diminuir enquanto está em staking, gerando ganhos ou perdas não realizadas. Esses ganhos ou perdas tornam-se permanentes quando as criptomoedas são destravadas. Se a perda for maior do que os rendimentos obtidos com o staking, caso os ativos estivessem disponíveis para negociação o prejuízo poderia ser menor.

Regulação

O setor DeFi é um dos principais alvos dos reguladores, especialmente nos EUA, onde a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) já emitiu declarações de que que alguns ativos digitais são valores mobiliários e, portanto, devem se submeter à regulação.

Minimizando os riscos e se beneficiando das oportunidades, após estas experiências iniciais, provavelmente, você terá se tornado um investidor melhor, afirma Scott na última postagem do thread:

"A esta altura, se você seguiu essas etapas, terá experiência no uso de vários aplicativos DeFi em várias redes diferentes. Você entenderá de onde vem as recompensas e quais rendimentos são sustentáveis. Se você tiver sorte, como eu tive, você ganhará dinheiro e fará amigos ao longo do caminho."

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