O EBANX, uma das maiores empresas de pagamentos digitais do mundo, está de olho no futuro dos pagamentos com a implementação de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), stablecoins e tecnologias emergentes como blockchain e Web3.

Eduardo de Abreu, vice-presidente de Produto da empresa, destacou em entrevista exclusiva ao Cointelegraph Brasil, o impacto dessas inovações no setor e o papel do EBANX nesse novo cenário, que promete transformar profundamente o sistema financeiro global.

Para Eduardo de Abreu, a chegada das CBDCs representa uma evolução necessária no cenário dos pagamentos, especialmente pela segurança proporcionada pela rastreabilidade dessas moedas.

"Toda tecnologia desenvolvida para prevenir fraudes e lavagem de dinheiro é muito bem-vinda no EBANX, que sempre busca aperfeiçoar suas operações com o mais alto padrão de compliance", afirmou.

Além de segurança, as CBDCs também podem reduzir custos e acelerar transações, alinhando-se à missão do EBANX de criar acesso por meio de soluções financeiras inovadoras. Abreu destacou que, enquanto o Pix já transformou o mercado de pagamentos instantâneos no Brasil, as CBDCs vêm para complementar esse sistema, especialmente em transações internacionais.

"As CBDCs podem facilitar a conversão direta entre moedas digitais emitidas por bancos centrais, tornando as transações instantâneas para ambas as partes", explicou.

O Banco Central do Brasil vem avançando no projeto Drex, que promete revolucionar o sistema financeiro nacional com a introdução de contratos inteligentes e uma estrutura voltada ao atacado. Para o EBANX, esse é um passo importante que pode melhorar a experiência tanto de consumidores quanto de vendedores em transações digitais.

Abreu enfatizou que, com o Drex, etapas intermediárias de processos burocráticos poderão ser eliminadas, resultando em checkouts mais rápidos e maior eficiência para o comércio digital. "O Drex tem o potencial de criar um ecossistema mais dinâmico e seguro, totalmente alinhado com as demandas dos nossos clientes nos 29 países onde atuamos", afirmou.

Drex, Banco Central e stablecoins

Com o Banco Central abrindo uma nova fase de testes do Drex, o EBANX tem demonstrado interesse em participar ativamente desse processo. Eduardo de Abreu ressaltou o envolvimento da empresa em discussões tecnológicas, tanto no Brasil quanto em outros mercados, como parte de sua estratégia global.

"Fazemos questão de nos envolver nesses processos para ajudar no desenvolvimento de novas tecnologias e entender como elas impactarão nosso negócio e nossos clientes", explicou.

O crescimento do uso de stablecoins para pagamentos e remessas também tem chamado a atenção do EBANX. A empresa está acompanhando de perto o desenvolvimento do mercado de criptoativos e as discussões regulatórias que cercam o setor.

Segundo Abreu, "é essencial garantir a segurança e a confiabilidade das operações envolvendo ativos digitais", e o EBANX busca continuamente integrar novas tecnologias que possam agregar valor e eficiência para seus clientes. Confira a entrevista complea

CBDC

Cointelegraph Brasil (CTBR) O EBANX é uma empresa global de pagamentos e, neste setor, há uma emergência das CBDCs de varejo, voltadas para pagamentos, como a empresa vê este cenário? O mundo dos pagamentos precisa de uma CBDC como o Yuan Digital ou sistemas como o Pix já resolvem os use cases de remessa e transações cross border?

Eduardo de Abreu (EA): A chegada dos CBDCs com sua característica de rastreabilidade vai aumentar significativamente a segurança das movimentações financeiras – e isso é um ponto positivo para o nosso negócio, que é todo baseado no mais alto padrão de compliance e gestão de riscos.

Toda tecnologia desenvolvida para prevenir e combater fraudes e lavagem de dinheiro é muito bem-vinda no EBANX, uma empresa que está sempre em busca de aperfeiçoar suas operações.

É importante dizer também que os CBDCs têm o potencial de reduzir custos e tempo das transações, o que certamente vai melhorar a eficiência dos pagamentos e fomentar a inclusão financeira. Esses avanços estão alinhados com a nossa missão de criar acesso através de soluções financeiras e tecnologia. Isso nos leva à segunda parte da sua pergunta, o Pix.

O Pix resolveu os desafios relacionados à instantaneidade, eficiência e acessibilidade dos pagamentos e de algumas transações financeiras – no comércio digital, espera-se que o Pix responda por 40% do valor total transacionado no Brasil neste ano, e que passe os cartões de crédito no ano que vem, segundo dados da PCMI.

Mas quando olhamos para pagamentos internacionais, além da integração com cada método de pagamento, cada parceiro, banco e outros atores, também tem a parte do câmbio e da remessa, que é onde os CBDCs podem ter muito potencial para atuar, facilitando a conversão direta entre diferentes moedas digitais emitidas por bancos centrais. Por isso, eu diria que os CBDCs são uma solução complementar ao Pix.

Hoje em dia, quando um brasileiro faz uma compra em um site global que opera no Brasil e paga com Pix, a transação é instantânea, em muitos dos casos, só para o consumidor. O vendedor ainda precisa esperar um bom tempo para receber por conta de toda operação de câmbio, caso ele queira fazer essa liquidação fora. Com os CBDCs, as transações deverão ser instantâneas para os dois lados. Esse é o cenário perfeito para os nossos clientes.

DREX

CTBR: Como o EBANX vê o projeto do DREX e que casos de uso acredita podem ser habilitados para e-commerces e clientes que usam gateways de pagamento?

EA: O projeto do DREX representa um avanço significativo para o sistema financeiro brasileiro. O Brasil já ganhou muita relevância global no mercado de pagamentos por causa do Pix e agora temos a chance de liderar também no campo das remessas.

E vou além: assim como o Pix, o DREX também pode melhorar e muito a experiência do consumidor final. Dependendo de como vai funcionar essa tecnologia, uma compra online poderia ser realizada com muito mais facilidade, simplicidade e rapidez. Um dinheiro que já está amarrado a uma pessoa, a um CPF, muito provavelmente precisaria de menos etapas intermediárias, eliminando processos burocráticos e reduzindo o tempo necessário para a confirmação e liquidação de uma transação.

Para o cliente, isso significa checkouts mais rápidos e uma jornada de compra mais fluida, com menos falhas. Para o vendedor, mais conversão, menos fraudes e, claro, redução no tempo de recebimento dos pagamentos. Eu não tenho dúvidas de que o DREX e outros CBDCs têm o potencial de criar um ecossistema de comércio digital mais dinâmico e seguro, e isso está totalmente alinhado com as demandas dos nossos clientes nos 29 países onde o EBANX atua.

Segunda fase Drex

CTBR: No caso do DREX, o BC abriu uma segunda fase agora permitindo que novas empresas ingressem nos testes do Drex com novos casos de uso que não apenas tokenização de títulos públicos. O EBANX tem interesse em participar desta nova fase?

EA: O EBANX tem interesse em participar de qualquer discussão sobre o desenvolvimento de novas tecnologias que tenham como objetivo modernizar e aperfeiçoar o sistema financeiro e de pagamentos brasileiro e mundial. E isso não é diferente com o DREX.

Nós somos líderes em pagamentos digitais em mercados emergentes, atuamos em 29 países e temos mais de uma década de expertise e experiência para compartilhar nesses processos. E é o que estamos fazendo já há algum tempo nos principais fóruns de discussão promovidos pelas entidades e associações representativas do mercado, como a Abranet e a ABFintechs, e nas nossas interações com o próprio Banco Central.

Essa colaboração, aliás, vai muito além do DREX. Por exemplo, o EBANX vai participar do piloto das novas funcionalidades do Pix agora no segundo semestre de 2024. Essa colaboração, aliás, também acontece em outros mercados onde estamos presente. Nós fazemos parte do grupo consultivo do banco central colombiano nas discussões sobre pagamentos instantâneos para o país, muito por causa da nossa experiência com o Pix.

Nós fazemos questão de nos envolver nestes processos não apenas porque queremos ajudar no desenvolvimento de novas tecnologias, mas também porque precisamos entender como elas vão impactar o nosso negócio, nossos clientes, e os clientes deles. A construção do futuro dos pagamentos digitais passa pelo EBANX.

Stablecoins

CTBR: No Brasil tanto a Receita Federal como o BC têm notificado o crescimento do uso de stablecoins para pagamentos e remessas, como o EBANX vê o desenvolvimento do mercado cripto e há interesse em integrar soluções baseadas em ativos digitais?

EA: Como líder na indústria de pagamentos digitais, o EBANX precisa estar por dentro de todas as inovações e tendências, incluindo o mercado de criptoativos. Nós acompanhamos de perto o desenvolvimento da tecnologia em si e também toda a discussão em torno da regulamentação, que é fundamental para garantir a segurança e a confiabilidade das operações envolvendo ativos digitais.

A edição 2022/23 da Beyond Borders, o estudo anual do EBANX sobre pagamentos e mercado digital, por exemplo, trouxe um capítulo inteiramente dedicado à indústria de cripto na América Latina, abordando oportunidades e desafios que passam necessariamente por questões regulatórias.

O EBANX é parte destas discussões porque estamos continuamente buscando maneiras  de integrar novas tecnologias que agreguem valor, eficiência e praticidade aos nossos clientes e parceiros, mantendo a confiança e a segurança que sempre foram os pilares do nosso negócio.

Blockchain, Web3 e DeFi

CTBR: Como o EBANX vê o advento da blockchain, Web3 e DeFi e como eles podem impactar o setor de pagamentos?

EA: São tecnologias muito bem-vindas e bastante promissoras porque conseguem combinar três pilares fundamentais para o comércio digital: segurança, eficiência das transações e experiência do usuário.

Elas viabilizam, na prática, uma jornada de compra com muito menos fricção para o consumidor, menor custos para processar os pagamentos e maior confiabilidade em todas as etapas desse processo. A consequência natural de tudo isso é um aumento nas taxas de conversão, o que impacta positivamente toda a economia digital. Pelo compromisso do EBANX com a acessibilidade financeira e com a segurança das transações, a empresa se mantém atenta a esses novos cenários e tecnologias.