Doações em criptomoedas às vítimas do maior desastre ambiental da história do Rio Grande do Sul terão seu valor duplicado nas campanhas de arrecadação promovidas pelas exchanges Foxbit e Bitso.

As estatísticas atualizadas da Defesa Civil contabiliza 83 mortes, 111 desaparecidos e 291 pessoas feridas em decorrência das fortes chuvas que atingiram o estado na semana passada.

Ainda segundo o último boletim, 149,3 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas, sendo que 20 mil foram encaminhadas para abrigos e 129,2 mil estão desalojadas e dependem do apoio de amigos e familiares. Ao todo, 364 dos 496 municípios do estado foram afetados pelas inundações. Estimativas indicam que 873 mil pessoas sofreram alguma forma de perda ou dano devido ao desequilíbrio climático no sul do país.

A Foxbit foi a primeira grande empresa do ecossistema brasileiro de criptomoedas a mobilizar esforços de captação de recursos em apoio às vítimas. Em 3 de maio, a exchange de criptomoedas lançou a campanha emergencial "Ajude o Rio Grande do Sul", com o "objetivo de mobilizar recursos de forma rápida e eficiente para oferecer o máximo de apoio possível às vítimas deste trágico evento."

A campanha prometeu duplicar o valor doado até o limite de R$ 50.000 para doações feitas com Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e a stablecoin atrelada ao dólar Tether (USDT). A campanha se encerra na terça-feira, 7 de maio, e os fundos arrecadados serão doados para ONGs (organizações não governamentais locias) que "estão ​​liderando os esforços de auxílio e reconstrução" do Rio Grande do Sul. "

A Foxbit promete prestar contas à comunidade, revelando o valor total das doações após o encerramento da campanha.

No domingo, 5 de maio, foi a vez da Bitso anunciar a sua própria campanha em uma postagem no X (antigo Twitter), sob a chamada "SOS Rio Grande do Sul."

As doações podem ser feitas através do aplicativo da exchange, utilizando o recurso Bitso Transfer. "A cada R$1 doado em cripto, a Bitso vai dobrar a doação", diz a postagem, sem informar se há limites para a duplicação dos fundos recebidos ou até quando a campanha estará em vigor.

Nenhuma das duas exchange apresentara um balanço parcial de suas campanhas até o momento em que este artigo era escrito, no início da tarde desta segunda-feira, 6 de maio.

Outras iniciativas

Baseada no Rio Grande do Sul, a GoBTC criou uma campanha de doação de Bitcoin através da plataforma de financiamento coletivo Geyser. Até o início da tarde, eram contabilizadas 20 contribuições, somando 0,00574552 BTC – o equivalente a aproximadamente R$ 1.855 na cotação atual do par BTC/BRL.

Segundo a postagem em que a iniciativa foi anunciada, "os fundos em Bitcoin serão liquidados para Reais e repassados para uma instituição a ser selecionada." 

Em uma atualização publicada no domingo, 5 de maio, a GoBTC informou ter montado equipes de campo para resgatar moradores ilhados e que os fundos arrecadados pela campanha de doação seriam utilizados "para ajudar famílias do bairro sarandi, [bairro na zona norte de Porto Alegre] comprando colchões, cobertores e produtos de limpeza."

Em Rolante, capital nacional do Bitcoin, as enchentes resultaram na paralisação do atendimento ao público em hospitais e unidades básicas de saúde (UBSs) e o fornecimento de água foi interrompido.

Líder da comunidade Bitcoin é Aqui, Ricardo Slim destacou a situação de calamidade enfrentada pelos moradores de Rolante nos últimos dias. A comunidade local de Bitcoiner não só iniciou uma campanha de arrecadação emergencial, mas também organizou forças-tarefas para oferecer suporte direto às vítimas e voluntários.

As doações à comunidade Bitcoin É Aqui podem ser feitas via Lightning Network, através da plataforma Coinos, diretamente através da blokchain do Bitcoin ou via Pix, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente.