Resumo da notícia:
Ex-executivos do Mercado Bitcoin fundam a Atlas, um banco de investimento focado em crédito estruturado global e tokenização de ativos.
A operação estreia com R$ 100 milhões emitidos.
A tokenização de ativos reais (RWA) é uma tecnologia fundamental para as pretensões globais da nova empresa.
Os ex-executivos do Mercado Bitcoin (MB), Alexandre Reda e Felipe Siqueira, lançaram a Atlas, uma plataforma de crédito estruturado e investimentos alternativos que pretende competir com a exchange brasileira nos mercados de dívida tokenizada e tradicional.
Os sócios-fundadores da Atlas contribuíram para o MB se consolidar como uma das três maiores emissoras de dívida tokenizada no mundo. A empresa foi estruturada após os dois fundadores deixarem o MB em outubro de 2025, acompanhados por outros cinco funcionários da equipe de investment banking da exchange. Na ocasião, a área era responsável por 40% da receita do MB.
Segundo os fundadores declararam à reportagem do NeoFeed, o propósito da Atlas é atuar como uma plataforma global que utiliza a tecnologia para conectar investidores em diferentes países, independentemente de onde o ativo esteja registrado.
“Queremos ser a primeira plataforma de investimentos globais para investidores globais”, afirmou Siqueira.
A Atlas estreou com aproximadamente R$ 100 milhões emitidos em operações estruturadas de crédito e equity em setores como crédito consignado, imobiliário, telecomunicações e infraestrutura. A empresa nasce com a estimativa de atingir R$ 5 bilhões em emissões futuras no curto prazo, a partir de tíquetes que variam de R$ 2 milhões a R$ 1 bilhão.
A Atlas captou R$ 5 milhões em uma rodada de financiamento semente liderada pela Credit Saison, instituição financeira japonesa que tem expandido sua atuação no Brasil. O aporte também contou com a Seeders Ventures e investidores-anjo como Rafael Coelho (cofundador da Monkey) e Paulo Cunha (investidor de empresas como Stone e CloudWalk).
Segundo Felipe Siqueira, a vantagem competitiva da nova plataforma reside na experiência prévia da equipe e na regulação pioneira do Brasil no setor. Os fundadores afirmam que a estrutura tecnológica da Atlas visa reduzir o tempo de estruturação de produtos financeiros de oito meses para apenas 30 dias, utilizando ferramentas de inteligência artificial (IA) para otimizar a prospecção e o atendimento de clientes.
Tokenização é central para ambições globais da empresa
Inicialmente, 70% das emissões da Atlas foram realizadas via mercado tradicional. Embora se declarem agnósticos em relação à tecnologia, os fundadores defendem que a tokenização é a infraestrutura mais adequada para garantir escala global na distribuição dos ativos.
A tecnologia blockchain permite que investidores dos Estados Unidos, México ou Ásia, mercados prioritários para a empresa, acessem os produtos financeiros emitidos na plataforma.
Nesse primeiro momento, a maior parte das operações foi originada no Brasil (54%) e nos Estados Unidos (40%), além do México e Singapura. No entanto, Siqueira enfatiza a relevância da tokenização para as ambições globais da Atlas:
“Tem mais operações no Brasil, dada a natureza da companhia e o pouco tempo de vida que ela tem, mas a Atlas já nasce global. Pouco importa onde o investidor está baseado. Eu registro na blockchain e distribuo onde fizer sentido.”
No início das operações, a distribuição da Atlas está focada em investidores institucionais e assessorias de investimento. O acesso direto aos investidores do varejo está previsto para uma etapa posterior, após a consolidação da marca.
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o Mercado Bitcoin superou a marca de R$ 1 bilhão em ativos tokenizados em 2023. Atualmente, a exchange possui R$ 876 milhões em operações ativas, de acordo com dados da RWA.xyz.
