Em busca dos investidores de Bitcoin, Bolsa de Valores do Brasil quer lançar BDR para o varejo

A Bolsa de Valores do Brasil, B3, destacou em uma entrevista ao jornal Valor Econômico que deve lançar novos produtos com foco no varejo para atrair investidores 'do Bitcoin', conforme publicação feita hoje, 02 de dezembro, no jornal Valor Econômico.

A entrevista foi concedida por Juca Andrade, vice presidente de Produtos e Clientes da B3, que destacou que a Bolsa pretende focar no lançamento de BDRs (uma forma de brasileiros negociarem no Brasil ações listadas em outras bolsas). Desta forma, investidores brasileiros poderiam 'comprar' ações da Apple, Facebook e até das brasileiras XP, Stone e PagSeguro (que estão listadas em Nova York).

Segundo Andrade, com um novo cenário econômico no Brasil pequenos 'poupadores' estariam mais interessados em novas formas de rentabilidade e de olho em novos investimentos, 'Existe um potencial para os investidores locais porque com o juro mais baixo a rentabilidade muda", disse.

"Estamos vendo um movimento crescente, que estamos esperando faz tempo (...) O CDI alto não motiva ninguém a investir (...) Olhando toda a B3 temos 6,5 milhões de CPFs cadastrados (...) Portanto, são 6,5 milhões de investidores ampliando em algum instrumento que não é poupança"

Andrade destacou ainda que a estratégia de inclusão de BDRs para o varejo vem sendo debatida junto com a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, CVM e que a intenção é ter papéis dos EUA, Europa, Ásia e até da América Latina. De acordo com Andrade a operação faz todo sentido pois investidores jovens teriam preferência a este tipo de investimento, com acontece com o Bitcoin.

"Estamos em conversas com o regulador, porque hoje o BDR é apenas para investidor qualificado com investimos acima de R$ 1 milhão. Ainda é restritivo e estamos em conversas com a CVM que está sensível a isso Eu acho que faz sentido: O investidor brasileiro está em bitcoin mas não pode investir em BDR de Apple por exemplo", disse.

Em 2017 a B3 chegou a destacar que estudava o lançamento de um produto de negociação baseado em Bitcoin, contudo, depois das declarações nunca mais a B3 falou publicamente sobre o assunto e tem buscado uma certa 'distância' com relação as criptomoedas mas vem trabalhando em soluções baseadas em blockchain.

Recentemente o consórcio R3 também reforçou que a B3, empresa que controla a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), vem trabalhando em uma plataforma em blockchain usando o Corda para Identificação Digital, segundo a empresa.

Como noticiou o Cointelegraph, o índice IBOV, mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, poderá agora ser negociado com bitcoins, de acordo com um anúncio da plataforma de negociação de criptomoedas, EMX.

O IBOV é formado pelas ações com maior volume negociado nos últimos meses. Para que sua representatividade se mantenha ao longo do tempo, a composição da carteira teórica é reavaliada a cada quatro meses. Essa reavaliação é feita com base nos últimos 12 meses onde são verificadas alterações na participação de cada ação. O índice é calculado em tempo real, considerando instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista com ações componentes de sua carteira (lote padrão) e é divulgado pela B3.

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