O Ministro da Economia, Paulo Guedes, acredita que o Real deve ser a moeda 'oficial' das nações da América Latina, assim como o Euro é a moeda comum do grupo de países europeus que integram a União Européia e, com isso, as nações teriam o Real Digital como seu CBDC.
As declarações de Guedes foram proferidas, na terça, 01, durante um encontro com empresários no evento Brazilian American Chamber of Commerce em Nova York.
Durante seu discurso o ministro defendeu que o continente deveria ter uma moeda única que inclusive pode salvar economias fragilizadas como Argentina e Venezuela. Ainda segundo ele, caso as nações já tivessem adotado um 'euro latinoamericano' muitos países estariam agora em uma situação econômica melhor.
Ainda segundo declarações do ministro, em breve ninguém mais irá usar dinheiro físico e, com as inovações tecnológicas trazidas pela blockchain, fica cada vez mais latente a necessidade de uma moeda única para o bloco da América Latina.
"Daqui a quatro, cinco anos, vamos ter uma moeda digital, blockchain, ninguém usando dinheiro vivo. Como na China, todo mundo [pagando] com celulares", projeta. "Daqui a alguns anos, haverá seis ou sete moedas relevantes no mundo, e as outras vão desaparecer por irrelevância. Mesmo os cidadãos dos países que as usam vão abandoná-las", afirmou.
Real Digital
Embora os planos de Guedes para tornar o Real Digital a moeda única da América Latina possa ser um sonho um tanto quanto distante, no Brasil, a implementação da moeda digital já começará, em fase de testes, neste ano.
Segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os primeiros testes visando o lançamento oficial do Real Digital devem começar já no segundo semestre do ano. A CBDC (moeda digital de banco central) brasileira será implementada em fase experimental e o anúncio oficial do lançamento do projeto piloto será feito em breve, afirmou Campos Neto.
No entanto, o presidente do BC afirmou que uma versão final do Real Digital deve ser lançada aos brasileiros somente em 2024, quando o PIX e o Open Banking estiverem mais maduros e, desta forma, habilitando o sistema do CBDC nacional.
Campos Neto também destacou que a proposta do BC com o Real Digital é diferente da maioria dos CBDCs que vem sendo anunciados pelo mundo, tendo a China como um dos casos mais proeminentes.
Assim, enquanto boa parte das nações visa o desenvolvimento de uma moeda digital para o varejo (pagamentos e transferências entre pessoas e instituições) o BC pretende que o Real Digital seja voltado para aplicações financeiras orientadas pelo dinheiro programável, ou seja, contratos inteligentes, finanças descentralizadas, Dapps, entre outros.
Com isso o Banco Central mira com o Real Digital permitir a construção ou interligação do sistema financeiro nacional com as finanças descentralizadas (DeFi) e com os contratos inteligentes (smart contracts) que são, na sua opinião, as grandes contribuições do ecossistema do Bitcoin (BTC) e das criptomoedas.
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