O universo as finanças descentralizadas (DeFi) habilitado pelas criptomoedas invadiu o sistema financeiro tradicional com as possibilidades de inovação baseada em dinheiro programável e agora, com o lançamento das Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs), como é o caso do Real Digital no Brasil, o setor de DeFi caminha para uma nova era, habilitando o Defi 2.0.
Essa é a opinião dos painelistas que participaram do webinar “Smart contracts, IoT e dinheiro programável”, organizado pelo Banco Central do Brasil e que debate os rumos do Real Digital para o país.
De acordo com Marcos Viriato, CEO da Parfin, a união entre CBDCs e contratos inteligentes impulsionados por blockchain representa uma revolução na sociedade não apenas do ponto de vista financeiro mas também da perspectiva da relação do ser humano com as coisas.
Segundo ele, ter um CBDC como colateral para um ecossistema de dinheiro programável fará com que a inovação em todos os setores ganhe um impulso explosivo que irá mudar a sociedade como um todo.
"Isso para mim é uma revolução. A oportunidade de ter uma melhor proteção com interoperabilidade cria um enorme mundo novo de aplicações e trocas financeiras. É um futuro totalmente novo que ainda estamos por descobrir", disse.
Para ele, o papel do BC na emissão de um CBDC deve ser o de criar uma ponte entre o poder público e o privado de forma que isso estimule a inovação em uma ponta e garanta a regulação e segurança na outra.
Desta forma ele entende que stablecoins, criptomoedas e CBDCs podem e devem conviver em conjunto cada qual permitindo que a inovação digital ganhe vida habilitando novos serviços financeiros e não financeiros aos cidadãos.
Um novo mundo que ainda não imaginamos
Também presente no debate, Luís Kondic, Diretor de Produtos Listados e Dados da B3, destacou que o ecossistema em torno do Real Digital bem como suas possibilidades em termos de contratos inteligentes e finanças descentralizadas é um dos pilares que está moldado o sistema financeiro e o sistema de pagamentos do futuro.
Para Kondic o Real Digital deve habilitar um novo mundo de pagamentos programáveis e automatizados gerando uma grande eficiência nos negócios como um todo.
"São inúmeras as aplicações, como por exemplo, você pode programar o dinheiro para ser distribuído entre os acionistas automaticamente de acordo com os lucros da empresa; programar o dinheiro para a quitação automática de emissão e pagamento de recebíveis; pagar fornecedores automaticamente dentro de uma cadeia de distribuição; programar a distribuição de bônus automatizados por metas; pagamentos automatizados em leilões, enfim, muitos casos de uso", disse.
Desta forma o Real Digital pode habilitar um novo mundo para as finanças descentralizadas constituindo uma verdadeira plataforma de inovação dentro de um ambiente regulado e que permita a inovação.
Inclusão financeira
Já Shailee Adinolfi, Diretora de Contas e Vendas Estratégicas da Consensys, afirmou que a empresa atualmente vem trabalhando com cerca de 10 Bancos Centrais no desenvolvimento de pilotos de CBDCs, como o Real Digital, e vê um potencial enorme na união da Moeda Digital do Banco Central com as plataformas de blockchain.
Segundo ela, a união entre stablecoins, blockchain públicas e CBDCs é o combustível de inovação para o sistema financeiro do futuro
isso também vai dar ao público também mais confiança neste ecossistema eficiente e o dinheiro físico está sendo reduzido cada vez mais e precisa fomentar novas opções de pagamento, interoperabilidade e vc quer que tudo isso faça parte desta inovação
"Uma vez que o CBDC garanta segurança e privacidade e você torne ele interoperável, então você vai permitir ao setor privado construir soluções enquanto o governo foca na estrutura funcional. Todos esperam por isso e eu creio que esta união trará mais abertura para a inovação e para a inclusão financeira", disse.
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