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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

CVM vai criar normas para definir quais criptomoedas devem ser consideradas valores mobiliários

“Nos próximos dias, vamos anunciar ao mercado um parecer de orientação que vai trazer muitas novidade no sentido de reunir todas as disposições até então apresentadas pela CVM sobre a temática dos criptoativos”, disse o presidente da CVM.

CVM vai criar normas para definir quais criptomoedas devem ser consideradas valores mobiliários
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O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, declarou que a autarquia vai divulgar nos próximos dias um parecer com disposições normativas sobre o mercado de criptomoedas no Brasil, relatou reportagem do Valor Econômico publicada na quinta-feira, 15.

Entre as deliberações, haverá normas para definir o enquadramento de determinados criptoativos na categoria de valores mobiliários e orientações sobre o tratamento contábil de criptomoedas  nos balanços patrimoniais de empresas brasileiras, disse Nascimento durante participação no encerramento de um seminário sobre normas contábeis para ativos digitais e ambientais realizado esta semana:

"Nos próximos dias, vamos anunciar ao mercado um parecer de orientação que vai trazer muitas novidades no sentido de reunir todas as disposições até então apresentadas pela CVM sobre a temática dos criptoativos. Na temática do cripto, para falar sobre a contabilização, vamos apresentar um enquadramento sobre quais são os criptos que são um valor mobiliário. Na sequência, um diálogo sobre o mundo da contabilidade é absolutamente fundamental. Temos conversado bastante com nossa superintendência de normas contábeis sobre isso."

A discussão sobre o enquadramento de criptoativos como valores mobiliários também vem mobilizando a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Há anos, a SEC move um processo judicial contra a Ripple devido a uma suposta emissão irregular de valores mobiliários não registrados através da comercialização do XRP.

O presidente da autarquia, Gary Gensler, já opinou em mais de uma ocasião que, exceto o Bitcoin (BTC), as criptomoedas têm características de valores mobiliários e poderiam ser enquadradas como tal.

Vácuo regulatório

Diante do vácuo na regulação de criptoativos no Brasil, a CVM tem assumido uma participação mais relevante nos debates sobre o tema desde que Nascimento assumiu o cargo de presidente do órgão, em julho deste ano.

Segundo ele, na ausência de uma legislação específica, dispositivos legais atualmente em vigor permitem que a autarquia exerça um papel propositivo em temas referentes ao mercado de criptomoedas:

"Ainda não existe lei. Se não existe lei é absolutamente compreensível que o poder normativo da CVM não tenha sido exercido na sua maior extensão porque o poder normativo é para evitar um ato secundário. E na ausência de um ato primário não tem como haver um ato secundário."

Nascimento ressaltou a importância da regulação para que o mercado de criptomoedas no Brasil possa se desenvolver “livre de riscos de servir para terrorismo, financiamento de corrupção, lavagem de dinheiro, remessas ao exterior sem incidência de tributação”.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, nos bastidores a CVM estaria sugerindo alterações no Projeto de Lei 4401/2021, que define um marco regulatório para o mercado de criptomoedas no Brasil.

Aprovado no Senado em abril, a aprovação do PL depende da aprovação pelo plenário da Câmara dos Deputados. Às vésperas das eleições, a matéria perdeu a prioridade na pauta da Câmara e a votação foi postergada.

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