Cointelegraph
Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

CVM não descarta enquadrar DeFi como valor mobiliário mas afirma que não será 'tão dura' como a SEC

CVM declarou que a autarquia pode emitir instruções classificando tokens de finanças descentralizadas (DeFi) como valores mobiliários.

CVM não descarta enquadrar DeFi como valor mobiliário mas afirma que não será 'tão dura' como a SEC
Notícias

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio do superintendente de supervisão de investidores institucionais, Daniel Maeda, declarou que a autarquia pode emitir instruções classificando tokens de finanças descentralizadas (DeFi) como valores mobiliários. Contudo Maeda afirmou que a CVM não deve ser 'tão dura' como sua irmã americana, a SEC.

Segundo Maeda, o que muitas vezes ocorre é que projetos dizem que são descentralizados e que ninguem controla o protocolo, mas, quando há um olhar mais aprofundado sobre o criptoativos é possível identificar uma organização centralizada operando, modificando e garantido seu desenvolvimento.

Ainda de acordo com ele, para a CVM pouco importa a tecnologia mas o conceito do ativo, quem controla ele e quais são as 'promessas' e remunerações atreladas ao projeto.

“As pessoas vendem certas estruturações e tecnologias com o mesmo discurso libertário do Bitcoin, que não tem ninguém por trás. Apesar do discurso, quando você mergulha naquilo percebe que tem sim um agente central, um empreendedor alinhado com o sucesso daquela emissão. Não enxergo DeFi como por conceito isento de responsabilidades”, afirmou.

Após a publicação do Decreto Nº 11.563, que regulamenta a Lei nº 14.478, de 21 de dezembro de 2022, conhecido como Marco Legal das Criptomoedas, foi garantido a CVM o papel de regulador de tokens ou oferta de investimentos baseadas em criptoativos que se enquandrem como valor mobiliário. 

Desde então a CVM vem afirmando que deve publicar novas diretrizes para este mercado dentro de suas responsabilidades. Estas diretrizes devem aprofundar os conceitos abordados no Parecer 40 e devem refletir a experiência na tokenização obtida com o Sandbox.

Regular staking não está nos planos

Em março deste ano, o presidente da CVM, João Pedro Nascimento, afirmou que a autarquia não pretende regular serviços de staking ou renda passiva (serviços com Earn) com criptomoedas oferecidos por exchanges e empresas de criptoativos no Brasil. 

Nascimento destacou que a agenda regulatória é uma construção evolutiva e, como tal, atualmente não há previsão de se atentar a serviços de investimento coletivo como staking. O presidente da CVM destacou que embora os reguladores brasileiros tenham uma posição muito avançada sobre a economia digital, ainda faltam 'braços' para a CVM lidar com a complexidade do mercado de capitais.

Segundo ele, o Parecer 40 foi escrito por duas pessoas, enquanto a SEC, tem cerca de 300 pessoas olhando para o mercado de criptoativos nos EUA.

O presidente da CVM também reforçou que o papel da autarquia não é frear a inovação, mas permitir que ela ocorra de maneira organizada para beneficiar toda a população e usou a analogia da invenção dos automóveis no início do século passado.

"Quando os automóveis surgiram, as pessoas estavam acostumadas aos cavalos e logo surgiram os críticos dizendo que os carros eram uma 'máquina da morte', contudo, com o tempo, a regulamentação foi permitindo seu desenvolvimento, criando as regras de trânsito, padronizando a indústria, criando regras de segurança. Também deve ser assim com a criptoeconomia", disse.

LEIA MAIS

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy