A blockchain pode se tornar o arcabouço para o desenvolvimento da inteligência geral artificial (AGI), a inteligência artificial (IA) com raciocínio humano. O que pode representar trilhões de dólares para o mercado de criptomoedas, segundo especialistas.

A AGI está calcada na criação de algoritmos avançados, capaz de raciocinar, aprender e resolver problemas complexos, de maneira semelhante à inteligência humana. O que pode ser alcançado por uma rede neural descentralizada, via blockchain, por exemplo.

Na avaliação do cofundador da plataforma provedora de dados para IA Sentient, Himanshu Tyagi, a internet não é suficiente para fornecer a argamassa necessária para moldar a AGI. Segundo o professor do Instituto Indiano de Ciência, a pavimentação da AGI passa pela descentralização.

“A IA leal é o próximo consenso de trilhões de dólares. Nos últimos 15 anos, o consenso BFT sobre livros-razão financeiros permitiu uma coordenação louca e criação de riqueza — BTC, ETH, SOL, DOGE, tudo veio disso. Agora precisamos de um consenso completamente diferente para domar a AGI”, diz o especialista.

Tyagi sugere que a AGI pode envolver trilhões em novos tokens, pela necessidade de as “pessoas contribuírem livremente com seus modelos treinados com habilidades e alinhamentos específicos”. 

“Se escolhermos silos centralizados para coletar esses dados, eles serão de utilidade limitada”, argumenta.

Ele sugere que os tokens podem incluir a monetização pelo treinamento da AGI, incluindo, por exemplo, a heurística, que é a criação de atalhos mentais que ajudam na tomada de decisão, algo que está presente no cotidiano das pessoas e não na internet.

Para a brasileira Karoline Hoffmann, advogada especializada em Processo Civil, Regulação e Novas Tecnologias e Direito Digital, “a utilização de tokens para incentivar o desenvolvimento colaborativo de AGI apresenta uma oportunidade inovadora para democratizar o acesso à tecnologia, permitindo que diversos atores contribuam com dados, algoritmos e poder computacional em troca de recompensas automatizadas via contratos inteligentes”.

De acordo com a sócia na empresa de cursos de Direito Digital Aplicado (DDA), a descentralização no treinamento da AGI também reduz a concentração de poder e fragilidades jurídicas.

Oportunidades e desafios

Ela também vê a oportunidade de o Brasil liderar em AGIs éticas e com aplicações locais, mas lembra que elas enfrentam desafios regulatórios, como a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a classificação regulatória desses tokens perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, principalmente, a definição clara de responsabilidade civil por eventuais danos causados por sistemas AGI desenvolvidos coletivamente.

“O Brasil tem a chance de se posicionar na vanguarda desse debate, criando um marco regulatório que equilibre inovação e proteção de direitos. Para isso, é urgente discutir como estruturar governanças distribuídas que garantam tanto o desenvolvimento aberto da AGI quanto mecanismos de accountability, assegurando que os benefícios dessa revolução tecnológica sejam compartilhados de forma justa e responsável”, completa.

Recentemente, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou a empresa está perto de desenvolver sua AGI, conforme noticiou o Cointelegraph.