A blockchain pode se tornar o arcabouço para o desenvolvimento da inteligência geral artificial (AGI), a inteligência artificial (IA) com raciocínio humano. O que pode representar trilhões de dólares para o mercado de criptomoedas, segundo especialistas.
A AGI está calcada na criação de algoritmos avançados, capaz de raciocinar, aprender e resolver problemas complexos, de maneira semelhante à inteligência humana. O que pode ser alcançado por uma rede neural descentralizada, via blockchain, por exemplo.
Na avaliação do cofundador da plataforma provedora de dados para IA Sentient, Himanshu Tyagi, a internet não é suficiente para fornecer a argamassa necessária para moldar a AGI. Segundo o professor do Instituto Indiano de Ciência, a pavimentação da AGI passa pela descentralização.
“A IA leal é o próximo consenso de trilhões de dólares. Nos últimos 15 anos, o consenso BFT sobre livros-razão financeiros permitiu uma coordenação louca e criação de riqueza — BTC, ETH, SOL, DOGE, tudo veio disso. Agora precisamos de um consenso completamente diferente para domar a AGI”, diz o especialista.
Loyal AI is the next trillion dollar consensus. Over the last 15 years, BFT consensus on financial ledgers enabled crazy coordination and wealth creation—BTC, ETH, SOL, DOGE, everything came from it. We now need a completely different consensus to tame AGI: the consensus of…
— Himanshu Tyagi (@hstyagi) January 13, 2025
Tyagi sugere que a AGI pode envolver trilhões em novos tokens, pela necessidade de as “pessoas contribuírem livremente com seus modelos treinados com habilidades e alinhamentos específicos”.
“Se escolhermos silos centralizados para coletar esses dados, eles serão de utilidade limitada”, argumenta.
Ele sugere que os tokens podem incluir a monetização pelo treinamento da AGI, incluindo, por exemplo, a heurística, que é a criação de atalhos mentais que ajudam na tomada de decisão, algo que está presente no cotidiano das pessoas e não na internet.
Para a brasileira Karoline Hoffmann, advogada especializada em Processo Civil, Regulação e Novas Tecnologias e Direito Digital, “a utilização de tokens para incentivar o desenvolvimento colaborativo de AGI apresenta uma oportunidade inovadora para democratizar o acesso à tecnologia, permitindo que diversos atores contribuam com dados, algoritmos e poder computacional em troca de recompensas automatizadas via contratos inteligentes”.
De acordo com a sócia na empresa de cursos de Direito Digital Aplicado (DDA), a descentralização no treinamento da AGI também reduz a concentração de poder e fragilidades jurídicas.
Oportunidades e desafios
Ela também vê a oportunidade de o Brasil liderar em AGIs éticas e com aplicações locais, mas lembra que elas enfrentam desafios regulatórios, como a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a classificação regulatória desses tokens perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, principalmente, a definição clara de responsabilidade civil por eventuais danos causados por sistemas AGI desenvolvidos coletivamente.
“O Brasil tem a chance de se posicionar na vanguarda desse debate, criando um marco regulatório que equilibre inovação e proteção de direitos. Para isso, é urgente discutir como estruturar governanças distribuídas que garantam tanto o desenvolvimento aberto da AGI quanto mecanismos de accountability, assegurando que os benefícios dessa revolução tecnológica sejam compartilhados de forma justa e responsável”, completa.
Recentemente, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou a empresa está perto de desenvolver sua AGI, conforme noticiou o Cointelegraph.