O inverno cripto pegou de surpresa a exchange de criptomoedas espanhola Bit2Me, que acaba de demitir a maior parte de sua equipe de funcionários no Brasil apenas cinco meses após inaugurarar suas operações no Brasil.

No entanto, ao contrário do que publicou o InfoMoney, a exchange espanhola não encerrou suas operações no Brasil.

Em conversa com a reportagem do Cointelegraph Brasil, Ricardo da Ros, executivo que coordenou a entrada da Bit2Me no mercado brasileiro, esclareceu que a empresa optou por reduzir os custos operacionais de suas atividades no país, transferindo a administração do negócio à matriz espanhola.

Da Ros, que também estruturou as operações das exchanges Binance, Ripio e Crypto.com no país, confirmou a demissão da maioria dos funcionários da Bit2Me no Brasil, mas garantiu que a decisão não afeta as operações da empresa no país nem a experiência dos usuários de sua plataforma. 

O próprio executivo deixou o cargo que ocupava na empresa há algumas semanas e, portanto, oficialmente não responde mais pela Bit2Me no Brasil. Em uma postagem publicada no LinkedIn na segunda-feira, 19, o executivo fez menção direta ao atual inverno cripto para anunciar as mudanças na estrtutura da exchange no Brasil:

"Depois de liderar uma equipe de 30 talentosos profissionais no Brasil à frente da Bit2Me, os ventos frios sopraram e tivemos que dispensar praticamente todo o time. Não foi agradável, especialmente porque tudo estava indo muito bem. Em apenas 3 meses e sem um produto estabelecido, conseguimos construir uma das maiores comunidades de criptomoedas online do Brasil e lançamos a marca com força total."

A agência responsável pela assessoria de imprensa da Bit2Me no país informou à reportagem do Cointelegraph Brasil que já encerrara o contrato de prestação de serviços à exchange há mais de um mês.

A Bit2Me se instalou no mercado brasileiro em abril. Portanto, antes de eventos como o colapso do ecossistema Terra (LUNA) e das crises de liquidez e insolvência que vieram logo a seguir, abalando fortemente um mercado já fragilizado pelos cenários macroeconômicos e geopolíticos desfavoráveis. 

Da Ros afirmou ainda que momentos como os que o mercado está atravessando agora têm um impacto decisivo sobre as empresas do setor, uma vez que há "queda no interesse dos clientes, queda nas receitas, quedas na estabilidade financeira, queda na confiança."

Além de coincidir com o aprofundamento do ciclo de baixa do mercado, a entrada da Bit2Me no mercado brasileiro ocorreu em um momento em que diversos players nacionais de peso anunciaram o lançamento de plataformas próprias de negociação de critpomoedas, como o Nubank, o BTG Pactual e a XP Investimentos.

Também foi um período que testemunhou a demissão de funcionários de empresas em operação no Brasil. Por exemplo, o grupo 2TM, controlador da exchange MB (Mercado Bitcoin), demitiu 190 funcionários em duas levas. A primeira, em junho, e a segunda, em agosto, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil em ambas as ocasiões.

*Atualizada as 18h.

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