Maior exchange global de criptomoedas, a Binance anunciou a inauguração de dois escritórios no país, no Rio de Janeiro e em São Paulo, para servirem de centros operacionais para sua equipe brasileira, que já soma 150 funcionários e colaboradores, informou reportagem publicada pelo O Globo.

Trata-se de mais um passo da Binance no sentido de regularizar suas operações no Brasil, tornando-se uma instituição de pagamentos autorizada pelo Banco Central. Em março a exchange adquiriu a corretora Sim;Paul, que possui licença para atuar como instituição de pagamentos, mas o processo ainda está sob análise do BC.

Embora a legislação em vigor não exija licenças da natureza para que exchanges de criptomoedas estrangeiras operem no país, a Binance está se antecipando a eventuais mudanças propostas pelo marco regulatório das criptomoedas, atualmente parado na Câmara dos Deputados, aguardando votação, como afirmou à reportagem Matthew Shroder, vice-presidente Global e diretor regional da Binance, durante sua passagem no Brasil na semana passada:

"Hoje, o Brasil não exige esse tipo de licença, mas a gente está se antecipando a requerimentos futuros com base nas regulamentações que estão sendo aprovadas. Estamos sendo proativos para garantir que mesmo antes da nova regulamentação entrar em vigor, que a gente atenda aos pré-requisitos para operar como uma corretora de cripto."

Além disso, o movimento faz parte da estratégia mais ampla dos negócios da empresa no mercado brasileiro. A exchange pretende oferecer aos brasileiros um cartão de débito para pagamentos em reais através do saldo em criptomoedas mantido em carteira pelos clientes.

Inicialmente, um cartão nestes moldes foi lançado na Europa em parceria com a Visa. Há pouco mais de um mês, um cartão semelhante foi lançado na Argentina, desta vez através de uma associação com a Mastercard, inaugurando planos de expansão além das fronteiras europeias.

A ambição da empresa é expandir o serviço para os usuários de toda a América Latina, afirmou Shroder:

"Os primeiros resultados que estamos vendo na Argentina mostram que o produto está sendo muito bem sucedido. Estamos avaliando quais serão os próximos mercados e certamente há requerimentos regulatórios a seguir e negociação com parceiros. Mas diante do tamanho do mercado brasileiro e da sua importância para a Binance, sem dúvida o Brasil está no topo da lista dos próximos mercados para esse produto. Estou confiante que teremos algo logo."

A Binance enxerga no Brasil um mercado para expansão da sua oferta de produtos para além da infraestrutura para negociação de criptomoedas. A empresa pretende explorar aqui outros recursos da tecnologia blockchain, como a emissão de certificados para transações de comércio exterior, transferência de recursos entre países no segmento de pessoas físicas, entre outros.

Líder do mercado brasileiro

O Brasil é hoje um mercado importante para a Binance, que conta com 120 milhões de clientes cadastrados em todo o mundo. A empresa lidera a negociação de Bitcoin no país atualmente, de acordo com o mais recente boletim do CoinTrader Monitor.

Em agosto, a Binance respondeu por 45,06% das negociações de Bitcoin (BTC) realizadas no Brasil, mas já chegou a responder por mais da metade deste mercado, antes da quebra de contrato com o Banco Capitual, que intermediava saques e depósitos via Pix entre a empresa e seus clientes.

Neste primeiro momento, os funcionários e colaboradores da Binance no Brasil trabalharão em espaços de coworking, tendo inclusive a possibilidade de optar por regime de trabalho remoto. A empresa pretende abrir um escritório próprio em um horizonte aproximado de um ano e meio, dependendo dos avanços do marco regulatório das criptomoedas no Brasil.

Recentemente, a exchange de criptomoedas anunciou a contratação do ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para fazer parte do conselho consultivo global criado pela empresa.

Entre outras coisas, o novo conselho buscará um diálogo direto com reguladores de diferentes jurisdições, de forma a contribuir para o estabelecimento de diretrizes que contribuam para o melhor funcionamento e expansão dos mercados de criptomoedas.

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