Desde 1994, o CDI rendeu 2 vezes mais que o Ibovespa. Mas essa comparação é tão simples assim? É essa a pergunta que o pesquisador Pedro Novaes publicou no Twitter sobre o rendimento entre os dois vértices do mercado financeiro no Brasil: renda fixa versus renda variável.

A primeira coisa que deve se entender, segundo Novaes, é quando se compara a rentabilidade de dois investimentos é que olhar o histórico total pode induzir ao erro. Visto que ambos os índices se comportam de forma cíclica, quando um está em alta, o outro está em baixa. Nunca houve, na história do mercado de capitais no Brasil, dados que sustentem que CDI e IBOV tenham se correlacionado e operado em alta ao mesmo tempo. Em geral, quando a curva de juros aumenta, o CDI vence; quando a curva de juros declina, a bolsa vence.

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Fonte: Pedro Novaes/Twitter

Segundo Pedro Novaes, é curioso observar que historicamente no Brasil a bolsa sempre teve retornos piores que a renda fixa. E isso não parece ter mudado em tempos recentes. Veja por exemplo o caso do BOVA11, que começou pós-2008 e ainda perde para o CDI.

 

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Fonte: Pedro Novaes/Twitter

CDI vs. Ibovespa:

  • Nas janelas de 3 anos: Ibov ganhou 42% das vezes do CDI. 
  • Nas janelas de 5 anos: Ibov ganhou 32% das vezes.
  • Nas janelas de 10 anos: Ibov ganhou só 17%.

Bitcoin, CDI e IBOV

Há cinco anos, o Bitcoin não era um ativo que era muito levado a sério pelos gestores de fundos e pela economia em geral, então carece de estudos mais robustos. Contudo, o criptoativo performou melhor que ambos nos últimos 5 anos. 

Gráfico, HistogramaDescrição gerada automaticamente

Fonte: Tradingview

Em cinco anos, o Bitcoin acumulou lucro da ordem de 490.7%, frente 65.19% do Ibov e 49.31% frente ao CDI.

A questão que se deve colocar aqui é que o cenário mundial nos últimos 5 anos foi de insana liquidez para os mercados, no qual o Bitcoin e o mercado de ações andaram juntos e da mesma forma que no último ano, o CDI vence tanto o Bitcoin quanto o Ibovespa. 

GráficoDescrição gerada automaticamente

Fonte: Tradingview

O cenário de recessão e inflação monetária que se intensificou no último ano, se deve ao fim dos incentivos dados pelos governos para conter os efeitos deletérios à economia devido a Pandemia.

Depois de incentivos dados na casa dos US$3 trilhões, o Federal Reserve (Fed), assumiu uma postura mais conservadora aumentando os juros e provocando um arrocho fiscal na economia americana e esta por ser o motor da economia mundial, vem reagindo como um freio de arrumação em escala global.

Soma-se a isso a escassez energética na Europa, por conta da guerra na Ucrânia, com a Rússia suspendendo gasodutos e a China passando por vários problemas como queda no PIB e problemas no setor imobiliário, com a iminente falência do grupo Evergrande.

Então, diante de um ambiente de extrema incerteza, não é estranho os ativos de risco (ações e Bitcoin) estarem perdendo há um ano para o CDI e lá fora para os títulos do governo americano (c-Bonds).

Gráfico, Gráfico de linhas, HistogramaDescrição gerada automaticamente

Fonte: Tradingview

Os títulos com vencimento de 2 anos: 386.61%. Os títulos com vencimento de 10 anos: 128.70%. Os títulos com vencimento de 30 anos: 82.89%. Enquanto isso o Bitcoin amargou: -54.34% de desvalorização em comparação aos C-Bonds.

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