No ano passado, a criptomoeda SafeMoon viralizou nas redes sociais e viveu o seu auge. árias celebridades e influenciadores como o rapper Lil Yachty, o YouTuber KEEMSTAR e o boxeador Jake Paul, endossavam o projeto e seu incrível programa de queima de tokens para criar uma escassez e inflar seu preço.
Sua promoção chamativa e a promessa de rendimento "seguro" para investidores ” geraram otimismo em torno do projeto Safemoon, surfando na onda de farms de liquidez, um dos maiores atrativos do mercado de Finanças Descentralizadas, o DeFi.
A história do SafeMoon é de um projeto que atraiu estrelas e investimento para um projeto que nasce derivado de outro, o BEE, e que transformou-se em um filme de terror, com acusações, processos judiciais e prejuízo aos investidores.
Projeto BEE
Os líderes do projeto, entre eles o fundador John Karony, alegaram que os golpes de puxadas de tapete ("rug pull") no SafeMoon seriam impossíveis porque o pool de liquidez estava bloqueado, segundo eles porque o Safemoon era um fork do projeto BEE. Mas a realidade é que o Bee serviu justamente para que o projeto fosse acusado de golpe. "Se o token Bee poderia puxar o tapete, isso significa que os fundos do SafeMoon também não estariam bloqueados, e não são realmente seguros.", alegou o youtuber e um dos acusadores da Safemoon, Coffeezila.
O SafeMoon foi auditado em maio de 2021 pela empresa de segurança HashEx, especializada em auditar projetos em blockchain e smartcontracts. Na época, a empresa identificou 12 vulnerabilidades de contratos inteligentes, incluindo uma “renúncia temporária de propriedade” que a tornou especialmente propensa a um rug pull.
Além do risco de um rug pull de US$ 20 milhões, a HashEx também identificou algumas funções de conjunto de contratos supostamente problemáticas que podem permitir que um invasor exclua certos usuários de receber recompensas ou distribuir para carteiras específicas.
Vale ressaltar que, apesar de todo o esquema acusado por Coffeezilla, o SafeMoon também foi auditado pela Certk, uma das principais empresas de certificação de projetos da indústria de criptomoedas. O protocolo ganhou 86 pontos em 100 possíveis no quesito segurança.
Mecanismo de escassez do Safemoon
A história do SafeMoon começou no ano passado, quando a criptomoeda foi lançada e quase imediatamente chamou muita atenção graças ao seu mecanismo incomum: toda vez que alguém vende o token SafeMoon, 5% do processo volta para os atuais detentores, e outros 5% são destruídos. Este sistema é projetado, em teoria, para reduzir a oferta do token e aumentar seu preço, encorajando os investidores a manter o SafeMoon em vez de especular com ele. Como o nome do projeto indica, era para ser uma maneira "segura" de chegar "à Lua".
Mas o Safemoon não chegou à Lua, e em vez disso, caiu por terra. O preço do SafeMoon atingiu uma alta de todos os tempos de US $ 0,003145 no início de janeiro de 2022, de acordo com o Coingecko, mas despencou desde então. Seu preço atualmente é de $0,0004731.
Fonte: Coingecko
Em um ano o token já desvalorizou 99%, após um rali que o levou à uma valorização da ordem de 14.000%.
Uma escalada de processos
Hoje, os criadores do SafeMoon estão enfrentando uma terceira ação coletiva, alegando fraude em investidores, ao inflar artificialmente o preço dos tokens por meio de declarações supostamente fantasiosas sobre a segurança financeira do ativo digital.
A SafeMoon LLC também supostamente vendeu ilegalmente tokens não registrados junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), de acordo com a queixa apresentada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Utah, segundo a BloombergLaw.
A SafeMoon LLC, seus líderes corporativos e celebridades que promoveram a moeda digital também estão enfrentando outros dois processos de fraude de valores mobiliários de ação coletiva, registrados no início deste ano no tribunal federal de Los Angeles.
Os detentores de tokens teriam perdido“centenas de milhões de dólares” depois de acusações contra os fundadores do SafeMoon de que propaganda enganosa. Dave Portnoy, CEO do Barstool Sports e influenciador no Twitter, também está sendo processado pela Safemoon LLC, por insinuar que o projeto seria um esquema fraudulento, apesar de ainda deter US$ 40 mil no token Safemoon.
Os fundadores teriam a capacidade de retirar fundos dos pools de liquidez, alegava a denúncia, contrariando as declarações dos responsáveis pelo projeto SafeMoon de que os pools de liquidez suportariam o “preço mínimo do token”.
Mas o projeto ainda não morreu e desde que foi lançada sua versão 2, os desenvolvedores já prometeram novos lançamentos, como um cartão de débito, o Safemoon card, no qual os detentores podem pagar suas compras com seu saldo em Safemoon, e para o qual já há uma lista de espera, desde 08 de abril.
Outros desenvolvimentos incluem o lançamento de uma nova versão da carteira Safemoon, o lançamento do Live Crypto Party, uma plataforma metaverse “party-to-earn” que recompensaria os usuários em criptomoedas e NFTs por se divertirem online e offline. Resta saber se o futuro do projeto vai sobreviver ao drama atual.
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