Nesta terça-feira (12), a gestora Fuse Capital e a Transfero anunciaram o lançamento da Stakease, uma plataforma para staking de stablecoins. O objetivo da Stakease é solucionar o problema de rendimento das stablecoins, oferecendo uma experiência segura e usabilidade simples. 

A rede escolhida para criação dos contratos inteligentes onde as stablecoins serão depositadas foi a Polygon, conhecida por suas taxas baixas. Inicialmente, a Stakease dará suporte à BRZ, stablecoin lastreada ao real e emitida pela Transfero, com planos para inclusão de mais moedas digitais em breve. Por enquanto, a plataforma está em fase fechada de testes, e é necessário preencher um formulário para participar. 

João Zecchin, sócio da Fuse Capital, afirma que a Stakease é uma forma de oferecer aos investidores uma plataforma de staking de stablecoins que combina simplicidade e segurança.

"Nossa plataforma também permite que o usuário escolha o período do investimento, variando de 1 a 24 meses, proporcionando uma experiência e retornos maiores, muito semelhante a investir em um CDB tradicional, mas com todos os benefícios e transparência que a blockchain oferece", completa Zecchin.

Além disso, o Stakease oferece previsão de rendimento atrelado ao CDI, tornando a experiência mais familiar aos usuários novos no mercado de criptomoedas.

“Esta ferramenta, junto com o Kona [Finance, plataforma de crédito colateralizado], marca o início de nossa jornada em oferecer produtos revolucionários nesse segmento. Visualizamos uma oportunidade significativa para modernizar o mercado financeiro tradicional, empregando uma infraestrutura eficaz proporcionada pelo blockchain”, diz Dan Yamamura, sócio da Fuse.

O anúncio destaca também a possibilidade de outras empresas utilizarem os serviços de staking de stablecoins da Stakease, personalizando experiências para seus clientes.

"O Stakease veio para simplificar o processo de stake de stablecoins, oferecendo uma experiência de usuário amigável para conectar carteiras e realizar operações de staking. Este lançamento é estrategicamente oportuno, aproveitando a expansão e o vasto potencial das iniciativas em blockchain para o sistema financeiro brasileiro, especialmente com o DREX no horizonte," destaca Cláudio Just, da Transfero.

Como os rendimentos funcionam

João Zecchin, da Fuse, explica ao Cointelegraph Brasil que a primeira camada dos rendimentos vem do lastro do BRZ. Cada stablecoin é lastreada por um real, que não fica em uma conta corrente, mas em veículos de investimento com vencimento no curto prazo. O rendimento desses produtos, por sua vez, permitem que o equivalente em BRZ seja emitido e se torne o rendimento pago no Stakease.

“É basicamente um CDB na blockchain, é uma representação do CDB investido no banco. Quando o cliente compra o BRZ, há um equivalente em reais no banco”, explica Zecchin.

Com os reais que dão lastro ao BRZ representando a primeira camada de rendimentos, Zecchin explica que a segunda camada consiste no uso do BRZ para realizar operações no ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) e gerar ganhos adicionais. 

Zecchin esclarece que as operações em DeFi estarão descritas na página de tesouraria da Stakease e, além disso, também estarão publicamente disponíveis na blockchain da Polygon

“Eu posso emprestar esse BRZ, posso alocar em alguma bridge, posso usar em um pool de liquidez. É possível fazer diversas operações em DeFi, e a Stakease consegue dar mais rendimentos que o CDI naturalmente”, acrescenta.

Existe ainda uma terceira camada de rendimentos, baseada no stBRZ. O token stBRZ é recebido no momento em que o staking de BRZ é feito na Stakease, da mesma forma como o stETH é dado aos usuários que fazem staking de Ether (ETH) com a Lido. 

Em suma, o token de staking líquido stBRZ atuará em conjunto com a stablecoin BRZ para gerar uma fonte de liquidez no mercado de criptomoedas.

“Nós pegamos o stBRZ do usuário, junto com o BRZ, e damos um NFT que é um certificado desses depósitos, chamado veBRZ. Esse NFT é muito semelhante aos NFTs de posição da Uniswap. Usando a Lido de exemplo, onde ela dá muitos rendimentos? É através do par stETH/ETH. Essa é a mesma coisa que queremos fazer: stBRZ com BRZ. Nós damos liquidez para esse par, coletamos as taxas de negociação e aumentamos os rendimentos para o usuário que deixou valores em staking”, conclui Zecchin.