O Bitcoin (BTC) fechou a semana cotado acima dos US$ 69.000, em ritmo de "Uptober." A expressiva valorização de 9,8% garantiu o fechamento semanal mais alto desde o início de junho, confirmando a tendência histórica de que os maiores ganhos do Bitcoin em outubro são registrados na segunda metade do mês.

Combinada com a alta do dólar, a valorização do Bitcoin na semana passada foi suficiente para renovar o recorde histórico de preço do Bitcoin em reais no domingo, 20 de outubro, ao bater os R$ 398.741.

Em uma semana sem grandes acontecimentos no campo macroeconômico, as atenções dos mercados estarão voltadas para os desdobramentos da campanha presidencial nos EUA, que chega à reta final com o ex-presidente Donald Trump liderando com larga vantagem as probabilidades de vitória nos mercados preditivos.

Na falta de indicadores claros para a alta registrada na semana passada, visto que os dados da inflação nos EUA vieram acima das expectativas dos analistas e o conflito no Oriente Médio resultou em novos eventos dramáticos, a potencial vitória do candidato republicano sobre a vice-presidente Kamala Harris teria sido o principal catalisador do preço do Bitcoin.

A 15 dias da votação, Trump tem 61,3% de chances de se tornar o próximo presidente dos EUA contra 38,7% de Harris, de acordo com dados do mercado preditivo Polymarket. Atualmente, Trump também lidera a corrida nos seis estados pêndulo decisivos para a disputa.

Probabilidades de vitória nas eleições dos EUA em 21 de outubro. Fonte: Polymarket

A vantagem acentuada de Trump no Polymarket levantou suspeitas sobre uma possível manipulação do mercado, motivadas por apostas de baleias a favor de Trump. 

No entanto, Tarek Mansour, cofundador do mercado preditivo Kalshi, que, ao contrário do Polymarket, possui licença para operar nos EUA, refutou as acusações. Mansour disse que há mais indivíduos fazendo apostas em Trump na plataforma da Kalshi, e a diferença de mais de 20 pontos no Polymarket é um reflexo dessa tendência.

O favoritismo de Trump também seria um dos fatores por trás do crescimento da dominância do Bitcoin, que recentemente alcançou seu nível mais alto desde março de 2021, de acordo com dados da TradingView.

Uma análise da Into the Block, no entanto, avalia que o Bitcoin está posicionado para se beneficiar do cenário político, independentemente de quem venha a ser eleito.

Mesmo no caso de uma vitória de Harris, a política de repressão às criptomoedas da Comissão de Valor Mobiliários dos EUA (SEC) sob a atual administração democrata configura uma ameaça às altcoins, mas tem pouco efeito sobre a maior criptomoeda do mercado.

Análise de preço do Bitcoin

Apesar da ação de preço ter retomado parte da força na semana passada, nesta segunda-feira o par BTC/USD recuou até os US$ 67.000 e opera em baixa de 1,2% nas últimas 24 horas, de acordo com dados da CoinGecko.

Arthur Driessen, analista da Crypto Investidor, afirmou ao Cointelegraph Brasil que a correção neste início de semana é natural após o recente movimento de alta:

"O Bitcoin fechou a semana na faixa de US$ 69.500, testando pela primeira vez, no curto prazo, a resistência do topo anterior de julho de 2024, junto com o quinto teste frustrado da Linha de Tendência de Baixa (LTB) que vem do topo histórico de março."

Anteriormente, Driessen antecipara que a queda do preço do Bitcoin para US$ 57.610 em 17 de setembro pode ter oferecido aos traders a última chance de compra de BTC abaixo dos US$ 60.000

Agora, o analista aponta as zonas de suporte que o Bitcoin deve testar antes de retomar a tendência de alta:

"No curto prazo, o Bitcoin pode ter finalizado um movimento de onda 3 e dado início a um ABC de correção de onda 4 com alvo na região entre US$ 64.500 e US$ 65.500."

Apesar da queda, o analista alerta que os traders devem monitorar atentamente o comportamento do Bitcoin em desafio à resistência atual. Um rompimento definitivo pode acelerar o preço do Bitcoin rumo a novas máximas históricas.

"Nesse momento, as atenções estão todas voltadas para o rompimento dos US$ 69.500, que confirmará um topo ascendente sincronizado com o movimento da sua onda 5, que tem como preço-alvo os US$ 75.200, configurando um novo topo histórico para o Bitcoin", afirmou Driessen, conforme delineado no gráfico abaixo.

Gráfico anotado de 4 horas BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor

Driessen acrescenta ainda que a confirmação de uma nova máxima histórica tende a promover uma onda de liquidez e aumento do volume negociado, favorecendo a extensão da onda 5 acima dos US$ 80.000.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a continuidade do momentum de alta do Bitcoin pode impulsionar o mercado de altcoins. De acordo com a análise de Rakesh Upadhyay, Ethereum (ETH), Solana (SOL), Dogecoin (DOGE) e Shiba Inu (SHIB) estão bem posicionados para romper as resistências que momentaneamente impedem suas valorizações.