O Bitcoin (BTC) consolidou ganhos de 7,7% no fechamento semanal, sendo negociado acima dos US$ 60.000 por três dias consecutivos de sexta-feira a domingo. No entanto, bastou que os mercados tradicionais reabrissem na segunda-feira para devolver parte dos ganhos, voltando à zona de indecisão em uma semana que promete ser decisiva para o Bitcoin e os ativos de risco de modo geral.
Na quarta-feira, 18 de setembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) se reúne para deliberar sobre o corte nas taxas de juros dos EUA e apontar os rumos da política monetária do Fed.
Analistas têm apontado que raras vezes houve uma reunião do FOMC capaz de dividir as expectativas do mercado de forma tão equilibrada. Pouco menos de 24 horas antes do anúncio, a FedWatch Tool do CME Group aponta probabilidade de 67% para um corte de 0,5% e 33% de chances de que a redução seja de 0,25%. Exatamente há uma semana, esses números estavam invertidos.
Independentemente do tamanho do corte, a reversão da política monetária do Banco Central dos EUA é dada como certa e muito provavelmente já está precificada pelos mercados.
O rompimento dos US$ 60.000 da ação de preço do Bitcoin no fim de semana teria sido parte deste movimento. Em caso de confirmação do corte mais elevado, o Bitcoin poderá finalmente transformar este nível de resistência em suporte para mirar alvos mais elevados até o fim do ano.
Ainda no âmbito macroeconômico, uma retomada da tendência de alta pode ser travada pela confirmação de uma recessão nos EUA. Assim, a inflação deixa de ser o foco principal dos investidores e todas as atenções se voltam para os dados de empregos e atividade produtiva.
Enquanto não houver um indicativo claro sobre os rumos da maior economia do mundo, a indecisão tende a permanecer e a volatilidade seguirá dando as cartas no mercado de criptomoedas.
Análise de preço do Bitcoin
Arthur Driessen, analista da Crypto Investidor, aponta a resistência a ser superada no curto prazo para que o Bitcoin encerre a tendência de baixa iniciada após a máxima histórica registrada em março:
"O BTC conseguiu concluir 5 ondas para cima no curto prazo e pode iniciar uma pequena correção em formato ABC com suporte na região de US$ 56.500 a US$ 55.600, formando assim um possível pivô de alta cujo rompimento se encontra em US$ 60.625."
A confirmação do rompimento posicionaria o Bitcoin para buscar novas máximas históricas ainda este ano, segundo o analista. "Assim, poderíamos projetar os próximos alvos do BTC em US$ 70.000, possivelmente já em outubro, e US$ 80.800 até o fim do ano", conforme delineado no gráfico abaixo.
Gráfico de 4 horas anotado BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
Essa configuração só será invalidada se o Bitcoin cair abaixo de US$ 52.500, segundo Driessen, região que marca o início do pivô de alta.
Quedas de aproximadamente 30%, no entanto, ainda não estão totalmente descartadas, alertou o analista:
"Em um cenário mais pessimista, no qual o BTC venha a perder o suporte de US$ 52500, não só invalidaria o pivô de alta como também ativaria um pivô de baixa."
Nesse caso, a queda poderia alcançar a região entre US$ 42.600 a US$ 39.000, conforme o analista projetou no gráfico abaixo.
Gráfico de 4 horas anotado BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
Na manhã desta terça-feira, 17 de setembro, o Bitcoin opera com relativa estabilidade, em alta de 0,4% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 59.250, de acordo com dados da CoinGecko.