A startup suíça Cerealia anunciou sua entrada no mercado brasileiro de grãos com foco em permitir aos produtores nacionais, via blockchain e contratos inteligentes, a venda de soja, milho e outros grãos aos mercados da África e Oriente Médio.

Segundo revelou ao jornal O Globo, um dos sócios do empreendimento, o brasileiro Filipe Pohlmann Gonzaga, há uma demanda nestas regiões que pode ser atendida pela produção nacional.

"Estamos entrando no Brasil porque vimos que há uma enorme demanda para a soja brasileira e porque queríamos suprir a demanda por soja e milho no Norte da África e no Oriente Médio", explicou Gonzaga.

Ainda segundo o executivo, o Brasil tem cooperativas agrícolas gigantes que precisam da intermediação de tradings multinacionais para vender e a Cerealia pode atuar como intermediária e permitir que elas vendam diretamente para um moinho na Turquia, por exemplo. 

A Cerealia destaca que sua plataforma pretende trazer as facilidade do blockchain e da internet para uma indústria que é praticamente analógica, o comércio internacional de grãos que segundo a empresa tem muitos dos negócios do setor fechados em conversas telefônicas e oficializados em papel por meio de um processo burocrático e demorado.

“Agora os comerciantes podem ter 100% de certeza de que realmente fizeram a negociação, em comparação com a corretora tradicional por telefone. Instantaneamente, eles assinaram contratos digitalmente e registrados em blockchain ‘para sempre’, garantindo todas as tratativas do negócio”, disse o CEO da empresa, Andrei Grigorov.

No sistema, que funciona como se fosse uma Bolsa, são exibidos tanto os lotes de grãos à venda quanto as demandas de quem quer comprar e, tal qual ocorre em uma corretora, quando vendedor e comprador se entendem o negócio é fechado e o contrato fica registrado em blockchain.

"Isso garante que os termos do acordo jamais sejam alterados", destacou a empresa.

A plataforma iniciou seu processo de expansão no ano passado após dois anos de testes com empresas da Argélia, Brasil, Dubai, Japão e Ucrânia.

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