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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Justiça brasileira cogita banir Telegram para combater propagação de fake news em ano eleitoral

Aplicativo de mensagens instantâneas russo é um dos canais de comunicação preferenciais da comunidade de criptomoedas.

Justiça brasileira cogita banir Telegram para combater propagação de fake news em ano eleitoral
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Instâncias do Poder Judiciário brasileiro estudam o bloqueio e o banimento do aplicativo de mensagens instantâneas Telegram no país, noticiou o site Canal Tech nesta quinta-feira.

A medida seria tomada para conter a propagação de fake news através do aplicativo em ano de eleições presidenciais, pois o Telegram não possui representação oficial no país, fato que dificultaria o controle das autoridades competentes sobre o conteúdo de mensagens falsas divulgadas através da plataforma.

Indiretamente, a comunidade brasileira de criptomoedas poderá ser bastante prejudicada caso a decisão seja confirmada. O Telegram é um dos canais preferenciais de comunicação de desenvolvedores, usuários e investidores de ativos digitais do mundo todo para compartilhamento de informações e divulgação de novos projetos, ao lado do Discord e do Twitter.

O Ministério Público Federal (MPF), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já teriam tentado comunicação com o escritório do Telegram em Dubai, mas jamais obtiveram qualquer tipo de retorno dos representantes da empresa. Daí a possibilidade de que seja tomada a medida extrema de bloquear os endereços IP do Telegram aos usuários brasileiros.

No ano passado, congressistas chegaram a mobilizar-se para aprovar uma legislação que proibisse o funcionamento de aplicativos que não tivessem representação oficial no país. O projeto de lei mirava especificamente o Telegram, mas acabaria impactando diversos outros aplicativos cuja utilização não representa nenhum possível dano aos princípios democráticos.

Além disso, os prejudicados iriam além dos usuários de criptomoedas, pois o aplicativo também é utilizado por empresas que o utilizam como parte da dinâmica de seus negócios e por pessoas que buscam alternativas aos termos de uso invasivos do WhatsApp, o aplicativo de mensagens instantâneas mais popular do mundo, que pertence à Meta (ex-Facebook).

A legislação acabou não sendo levada à votação e agora já não há tempo hábil para aprová-la e sancioná-la antes do início da campanha eleitoral.

Os aplicativos de mensagens instantâneas configuram-se como uma ferramenta eficaz para distribuição e propagação de notícias, sejam elas idôneas ou não. Nas eleições de 2018, o WhatsApp foi um instrumento importante para disseminação de propaganda eleitoral baseada em notícias falsas.

Porém, ao contrário do Telegram, a Meta tem representação no país e já assinou um termo de cooperação com o TSE para colaborar com o combate às fake news e ao bloqueio de conteúdo ilícito durante a campanha deste ano. Isso fez com que os grupos de mobilização política tenham migrado em massa para o Telegram.

Em dezembro, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, enviou um ofício ao diretor-executivo do Telegram, Pavel Durov, solicitando uma reunião para discutir possíveis formas de cooperação para combate à campanhas de desinformação realizadas através do aplicativo. Como não houve resposta, o órgão eleitoral estaria considerando a necessidade de tomar soluções drásticas.

Barroso entende que nenhum ator relevante no processo eleitoral de 2022 pode operar no Brasil sem representação jurídica adequada. Hoje, o Telegram está imune à legislação nacional e às decisões da Justiça.

O Telegram já foi banido em 11 países como medida para conter a desinformação dos cidadãos. Inclusive na Russia, jurisdição original da empresa, onde o aplicativo ficou inacessível aos usuários entre 2018 e 2020.

Embora o Telegram seja bastante útil aos investidores de criptomoedas, ele também pode ser usado para disseminar informações falsas ou divulgar projetos de caráter duvidoso, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil no ano passado.

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