Os empresários brasileiros Renato Soriano, sócio-fundador da Rosenberg Partners e Luiz Eurico Klotz, da Muzikizmo, se uniram em busca de lançar uma plataforma que pode permitir aos investidores nacionais comprar royalties musiciais de grandes artistas nacionais e também de promessas da música.

Para isso os empresários uniram forças e pretendem levantar R$ 500 milhões para lançar o sistema que deve tokenizar os direitos financeiros relacionados a músicas e artistas como o catálogo do Gui Boratto e uma parte da Nikita Digital, do Felipe Llerena que já fazem parte da equipe do Muzikizmo.

“Chegamos a discutir no começo fazer uma captação inicial de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões, mas agora já vemos interesse para falar de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões”, diz Soriano.

A principal razão para a receptividade com a proposta, segundo Klotz, está justamente nas características da classe de ativos.

“A música tem se tornado um ativo financeiro extremamente confiável, rastreável e quantificável”, explica. “São ativos que têm estrutura financeira mas, ao mesmo tempo, não têm correlação com os demais mercados”, afirma Soriano.

Ainda segundo os empresários o investimento em direitos autorais musicais se destaca por não ter correlação com o ambiente sociopolítico ou econômico

“As pessoas ouvem música, consomem música e têm na música a sua trilha sonora nos seus melhores e piores momentos. Você pode ficar sem uma roupa, sem ir ao cinema ou sem jantar fora, mas você não fica sem ouvir música", afirmou Eurico.

Royalties musicais

Desta forma quando o investidor comprar uma parte da musica ele passará a ser 'sócio' daquela canção e toda vez ela tocar em qualquer lugar, “cairá um dinheiro na conta dele”, destaca Soriano.

Ao Valor, Klotz, explicou que o direito autoral se constitui, por exemplo, quando um cantor escreve a letra de uma música e chama parceiros, outros músicos ou compositores, para fazer a harmonia, o arranjo ou a melodia.

Depois que a música estiver pronta, é feita uma distribuição da autoria, por exemplo, 60% para quem fez a letra e o arranjo, e o restante é distribuído entre os outros que participaram da criação. Entre esses parceiros é definida a participação de cada um, de modo que quem fez o principal e quem ajudou estejam satisfeitos.

Esse é o direito autoral da composição.

Depois disso um estúdio irá gravar a música, o que resultará num fonograma. Dele, nascerá o direito fonomecânico, que será dividido entre quem detém o fonograma, no caso aqui, a gravadora; e o direito autoral. A proporção dessa divisão é variável. Quanto maior o peso do artista, maior fatia ele terá no direito fonomecânico.

“Às vezes o artista é tão grande que detém até todo o direito fonomecânico. A gravadora tem só uma parcela, por distribuir. É o caso de grandes artistas globais”, diz Klotz.

Desta forma, com o lançamento da plataforma a ideia dos empresários é reunir músicos, produtores, intérpretes, bandas, compositores, autores etc, e comprar 50% dos direitos dests que serão tokenizados e oferecidos para os investidores.

“Nossa meta será calcular o fluxo de recebíveis desses direitos e trabalhar para que o dinheiro estimado para um determinado período seja alcançado, e num prazo menor e num volume maior”, diz Klotz.

Ainda segundo revelou ao jornal Valor, o fundo não terá foco específico em nenhum estilo musical. O que há, ele explica, são critérios de avaliação para estágios de carreira. Por exemplo, se o artista tem poucos lançamentos, ou se já está consagrado. 

“Eles têm interesse em entender quanto vale a obra deles e como ela pode ser precificada”, diz.

A estimativa dos executivos é que o mercado de direitos autorais no Brasil seja de R$ 20 bilhões. Os valores pagos em direitos não são fixos, variam de acordo com o período, com instituição pública, o tamanho do artista, da plataforma etc.

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