A Bitso mira um cenário regulatório das criptomoedas no Brasil em que exchanges nacionais, estrangeiras e bancos coexistam em um ambiente saudável de livre mercado, de acordo avaliação da Country Manager da exchange de criptomoedas, Bárbara Espir.

Em entrevista publicada esta semana pela Exame, Espir reconheceu a polêmica sobre a chancela automática do Banco Central (BC) para que os bancos operem com criptomoedas enquanto as prestadoras serviço de ativos digitais (Vasps, na sigla em inglês) apresentem documentações adicionais a fim de que sejam autorizadas. Mas, para ela, “o BC quer manter o controle sobre o mercado, exigir que as empresas tenham representação no Brasil, ter informações financeiras disponíveis em caso de investigação.”

“São esses os interesses, não inviabilizar a operação", emendou.

A executiva defendeu a regulamentação como um “selo de confiança”, semelhante ao que ocorre com a utilização dos cartões de crédito, legitimidade que as empresas de criptomoedas não conseguiriam de outra forma, apesar dos recursos tecnológicos.

Bárbara Espir qualificou como essencial e inevitável a segregação patrimonial, que é a separação das criptomoedas dos usuários e das exchanges e outras Vasps.

"Se formos ver as outras licenças para instituições financeiras, de pagamento, está lá. É uma regra básica, até para mitigar riscos sistêmicos e resguardar os consumidores", justificou.

Outra aposta da Country Manager é a coexistência de stablecoins lastreadas ao real e o Drex, a versão brasileira de moeda digital emitida por banco central (CBDC, na sigla em inglês). Isso porque as primeiras devem se focar em bancos e Vasps, abertas ao público, enquanto o Drex, por ora, está centrado em liquidações em um ecossistema fechado voltado ao mercado tradicional.

“Mas as stablecoins também vão ser reguladas pelo Banco Central, então em algum momento vai ter esse encontro", acrescentou.

Outra coexistência apontada pela representante da Bitso diz respeito a exchanges nacionais e estrangeiras. Segundo ela, "cada exchange tem um viés muito particular. A gente entende que a Binance tem um foco muito mais de negociação diária, com muito mais pares que a gente, mas a UX da plataforma é mais difícil, truncada, é um pouco diferente o tipo de cliente que vai para lá e um pouco diferente do nosso tipo de cliente". 

"Já a Coinbase, a Crypto.com, essas corretoras internacionais têm aqui uma parcela de mercado muito pequena ainda e produtos também limitados. A Bitso sempre quis se posicionar no Brasil como uma empresa local. Estamos aqui há mais de dois anos e temos mais de 100 empregados, reportamos nossas operações à Receita Federal. A gente se considera uma empresa local e acho que não tem briga ainda com as exchanges internacionais", acrescentou.

 Bárbara Espir lembou que, “em geral, apenas 1% das mulheres assume posições C-level na América Latina”  e que um de seus principais objetivos à frente da exchange no país é “proporcionar a parte de educação financeira e incrementar o número de clientes mulheres dentro da plataforma de varejo. Não apenas trazer novas clientes, mas também incrementar e ter mais mulheres na liderança da Bitso. É uma iniciativa inclusive a nível global e quero cumprir essa meta até o final de 2025". 

Babi, como é carinhosamente conhecida a executiva, assumiu o comando da Bitso no começo de setembro e se tornou a primeira mulher a liderar a exchange no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.