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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Bitcoin ou ETFs de criptomoedas? Performances dos fundos da B3 no primeiro trimestre indicam melhor opção de investimento

Fundos de índice de criptomoedas da B3 movimentaram R$ 3,4 bilhões nos três primeiros meses de 2024, mas, em sua grande maioria, tiveram performance inferior à do Bitcoin no período.

Bitcoin ou ETFs de criptomoedas? Performances dos fundos da B3 no primeiro trimestre indicam melhor opção de investimento
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A aprovação do ETF de Bitcoin à vista nos Estados Unidos em janeiro deste ano contribuiu significativamente para a valorização de 61,3% alcançada pela maior criptomoeda do mercado no primeiro trimestre deste ano. Novidade nos Estados Unidos, no Brasil os fundos de índice atrelados ao Bitcoin (BTC) e outras criptomoedas estão disponíveis para negociação na B3 desde abril de 2021, quando a Hashdex lançou o HASH11.

Lançado poucos dias depois que o Bitcoin alcançou o recorde histórico de US$ 63.500, rapidamente o HASH11 tornou-se o segundo maior ETF em volume negociado da B3. Três anos depois, esse mercado oferece 13 opções de fundos atrelados a diferentes índices e criptoativos, proporcionando opções variadas para os investidores que buscam exposição ao mercado de ativos digitais de forma regulada e sem a exigência de conhecimentos técnicos sobre a tecnologia blockchain.

Ao contrário do mercado norte-americano, onde todos os ETFs de criptomoedas à vista oferecem exposição exclusivamente ao Bitcoin, os fundos negociados na B3 permitem que os investidores se exponham a diferentes narrativas, como finanças descentralizadas (DeFi), jogos, metaverso, plataformas de contratos inteligentes e até memecoins.

Performance dos ETFs de criptomoedas da B3 em 2024

No primeiro trimestre deste ano, o ETF de criptomoedas de melhor performance foi o META11 – Hashdex Crypto Metaverse FI, de acordo com o boletim mensal publicado pela B3. Com uma rentabilidade de 65,9%, o fundo temático atrelado ao CF Digital Culture Composite Index destacou-se como o único ETF da B3 a superar a performance do Bitcoin.

O META11 é composto por uma cesta de ativos variados vinculados ao setor de metaverso, jogos em blockchain, infraestrutura e memecoins. Inclusive, o Shiba Inu (SHIB) é o ativo de maior peso na composição do índice, com 31,82%.

Apesar da performance superior, o META11 tem um dos menores patrimônios líquidos entre todos os ETFs da B3, de apenas R$ 7 milhões, e movimentou apenas R$ 6,1 milhões até agora este ano.

Com a vantagem de ter sido o ETF pioneiro do setor de criptomoedas no Brasil, o HASH11 segue sendo o líder da categoria tanto em patrimônio líquido (R$ 2.752,4 bilhões) quanto em volume negociado (R$ 2.108,8 bilhões no primeiro trimestre).

Atrelado ao Nasdaq Crypto Index, um índice criado pela Hashdex em parceria com a Nasdaq, o HASH11 rastreia uma cesta de oito ativos. Apesar de ser composto majoritariamente por Bitcoin (72,28%) e Ethereum (25,92%), o HASH11 teve uma performance inferior à do BTC nos primeiros três meses deste ano, acumulando ganhos de 57,7%.

Vinculados exclusivamente ao preço do Bitcoin, o BITH11, emitido pela Hashdex, o QBTC11, da QR Asset Management, e o BITI11, do Itaú, também apresentaram retornos ligeiramente inferiores aos dos investidores que optaram por comprar a criptomoeda diretamente no mercado à vista – 59,6%, 57,4% e 56,5%, respectivamente. 

É comum que os ETFs não repliquem exatamente o desempenho de seus ativos subjacentes, devido à estrutura do fundo e às políticas de gestão de ativos em mercados altamente voláteis. Além disso, os fundos estão atrelados a índices diferentes de rastreamento do preço do Bitcoin. 

Em termos de volume negociado no primeiro trimestre, o BITH11 e o QBTC11 ficaram atrás apenas do HASH11, com R$ 426,5 milhões e R$ 399 milhões, respectivamente. Também ocupam a segunda e a terceira posição no ranking de patrimônio líquido dos ETFs de criptomoedas da B3. 

Atrelados exclusivamente ao Ether (ETH), o ETHE11 (Hashdex) e o QETH11 (QR Asset Management) renderam 53,7% e 47,0%, respectivamente. Ambos ficaram abaixo do rendimento de 55% registrado pelo criptoativo no mercado à vista no primeiro trimestre.

Com performance ligeiramente inferior, os fundos focados em tokens do setor de finanças descentralizadas DEFI11 e QDFI11 valorizaram 47,3% e 46,8 no começo deste ano, respectivamente. No entanto, ambos ficaram muito abaixo dos rendimentos de dois benchmarks de DeFi. O token da exchange descentralizada Uniswap (UNI) acumulou ganhos de 70% e do protocolo de empréstimos Maker (MKR), 137% no mesmo período.

Composto por 15 tokens vinculados a plataformas de contratos inteligentes e soluções de camada 2, o BLOK11, da Investo, acumulou ganhos de 45,6% nos três primeiros meses deste ano. Uma performance bastante inferior quando comparada a dos dois principais ativos que compõem o MarketVector Smart Contract Leaders Brazil Index. Solana (SOL) e Ether renderam 85,3% e 55% no primeiro trimestre, respectivamente.

De perfil idêntico, mas vinculado a uma cesta de 24 ativos, o WEB311 da Hashdex valorizou apenas 23,7%no período. Ainda assim, o ETF atrelado ao CF Web3 Index obteve uma performance superior a de todos os ETFs de renda variável da B3 vinculados à Tradi.

Por fim, com uma valorização de apenas 8,2%, o NFTS11, da Investo, ocupa a última colocação no ranking de ETFs da B3 no primeiro trimestre. Atrelado a cinco tokens do metaverso, o NFTS11 também está na última posição em termos de volume negociado no período (R$ 2,2 milhões), e de patrimônio líquido (R$ 6,3 milhões).

O desempenho da grande maioria dos ETFs de criptomoedas foi bastante superior aos dos demais fundos de índice listados na B3 no começo deste ano. Ainda assim, quando comparados com o preço do Bitcoin no mercado à vista, os ganhos mostraram-se similares ou potencialmente mais modestos.

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Vantagens e desvantagens de investir em criptomoedas via ETFs

O investimento em ativos digitais via ETFs oferece uma exposição simplificada a um mercado complexo e volátil, como o de criptomoedas, sem a necessidade de gerenciar carteiras digitais ou chaves privadas. Além disso, os ETFs são negociados em bolsas regulamentadas, proporcionando maior liquidez, transparência nos preços e proteção aos investidores. Esses fatores são especialmente atrativos para investidores pouco familiarizados com a tecnologia blockchain.

Por outro lado, a exposição às criptomoedas por meio de ETFs pode resultar em taxas de gestão e outros custos operacionais que incidem sobre os retornos líquidos dos investidores. Além disso, a exposição indireta vai contra os princípios de descentralização do Bitcoin, uma vez que a custódia e a negociação dos ETFs dependem de intermediários institucionais.

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