Alvo constante de ativistas do meio ambiente e críticos das criptomoedas por seu alto nível de consumo energético, a mineração de Bitcoin (BTC) mostra ter potencial para reduzir os custos de energia elétrica para os consumidores nas regiões onde está instalada.
O princípio fundamental da mineração de Bitcoin baseia-se na resolução de problemas matemáticos com computadores que demandam grandes quantidades de energia. Assim, à primeira vista, pode parecer paradoxal que a atividade possa contribuir para a redução dos custos de eletricidade.
Em áreas de alta demanda, o custo da eletricidade tende a ser maior. Por outro lado, em regiões em que há energia ociosa, resultando em desperdício, as instalações de mineração podem utilizar o excedente para estabilizar a rede operando com cargas variáveis.
A mineração de Bitcoin pode reduzir os custos das contas de luz dos consumidores domésticos ao aproveitar a energia que seria desperdiçada em períodos de baixa demanda.
Um caso ocorrido recentemente em uma cidade do interior da Noruega comprovou a tese. O encerramento das operações de mineração de Bitcoin em Hadsel resultou em um aumento significativo nas contas de luz para os moradores locais, segundo uma reportagem do veículo de mídia local NRK.
O fim das atividades foi motivado por uma campanha dos moradores da cidade, que estavam insatisfeitos com o ruído gerado pelas operações da mineradora Krypto-vault. Os potentes ventiladores de resfriamento a ar, necessários para o funcionamento dos computadores, causavam incômodo aos moradores da vizinhança e foram alvo de inúmeras reclamações.
Finalmente, na semana passada, as operações foram desativadas. O impacto econômico foi imediato. As operações de mineração ajudavam a estabilizar a demanda energética na região com um consumo médio de cerca de 80 GWh por ano.
A Krypto-vault utilizava uma quantidade de energia capaz de atender a 3.200 residências domésticas e o encerramento de suas operações resultou em um aumento na conta de luz para os consumidores locais.
Ao perder uma importante fonte de receita, que representava cerca de 20% do seu faturamento, a empresa de energia Noranett promoveu um aumento de mais de 20% nas tarifas de energia para os habitantes da região.
Robin Jakobsen, gerente da Noranett, estimou que o custo médio anual de eletricidade para consumidores domésticos fosse de US$ 1.200 (R$ 6.720) enquanto a Krypto-vault estava em operação. Após o fim da mineração de Bitcoin na região, os habitantes terão um custo adicional de US$ 280 (R$ 1.568) por ano.
Mesmo com o aumento do custo de vida, muitos habitantes de Hadsel estão satisfeitos com o encerramento da mineração de Bitcoin na vizinhança, conforme afirmou o prefeito Kjell-Børge Freiberg à NRK:
"Havia um problema com o ruído em uma determinada área, que vinha causando incômodos para muitas pessoas."
"Agora, temos que lidar com isso”, disse o prefeito referindo-se ao reajuste na conta de luz. “É assim que funciona a regulamentação do nosso sistema de energia, é algo que está fora do controle do município."
O caso de Hadsel demonstra que a mineração de Bitcoin pode oferecer soluções eficientes para sistemas de gestão de energia.
Nos Estados Unidos, o estado do Texas é responsável por cerca de 14% da taxa de hash do Bitcoin minerado no país. Apesar das críticas de políticos contrários às criptomoedas e ambientalistas, estudos sugerem que as mineradoras baseadas no Texas estariam contribuindo para reduzir os custos da eletricidade, favorecendo a transição para fontes renováveis e promovendo a autonomia energética dos EUA, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.