A senadora do estado de Massachusetts Elizabeth Warren e um grupo de seis outros congressistas dos EUA solicitaram informações ao chefe do Electric Reliability Council of Texas, ou ERCOT, sobre o uso de energia e o potencial impacto ambiental da mineração de criptomoedas.
Em uma carta datada de 12 de outubro, os senadores Elizabeth Warren, Sheldon Whitehouse e Edward Markey e os deputados Al Green, Katie Porter, Jared Huffman e Rashida Tlaib solicitaram que o CEO da ERCOT, Pablo Vegas, fornecesse detalhes sobre o impacto que as empresas de mineração de criptomoedas do Texas tiveram sobre a estabilidade da demanda, a rede de energia do estado, as mudanças climáticas e os subsídios concedidos às empresas. Na carta, os congressistas dos EUA alegam que os mineradores de criptomoedas estão “inundando” o Texas devido aos regulamentos frouxos do estado.
“O Texas se 'tornou um dos locais de referência para empreendedores de criptomoedas', com um lobby ativo doTexas Blockchain Council, e CEOs de criptomoedas e políticos estaduais prometendo tornar o estado a 'capital Bitcoin do mundo', 'a Cidadela do Bitcoin' e 'o centro do universo do bitcoin e da criptomoedas'”, dizia a carta, citando várias reportagens de veículos de mídia, inclusive do Cointelegraph. “ERCOT está intimamente ligado a esse crescimento na criptomineração.”
Os legisladores dos EUA citaram também relatórios sugerindo que os mineradores de criptomoedas usaram “quantidades substanciais de eletricidade” que resultaram em “quantidades substanciais de emissões de carbono” e em outros efeitos deletérios na qualidade do ar, além de acusarem o ERCOT de priorizar potencialmente as necessidades de energia das empresas no futuro, resultando em aumento preços para os consumidores de varejo. Eles também fizeram referência a “eventos climáticos extremos exacerbados pelas mudanças climáticas” no Texas que já haviam aumentado a demanda na rede, incluindo a onda de calor de 2022 e a tempestade de inverno do estado de 2021.
“Algumas estimativas indicam que o Texas agora abriga cerca de um quarto de toda a mineração de Bitcoin dos EUA e 9% do poder de computação de criptomineração em todo o mundo, uma participação que deve chegar a 20% até o final do próximo ano.”
Warren e os membros da Câmara e do Senado também questionaram subsídios concedidos a mineradores de criptomoedas que operam no estado. A carta afirmava que empresas como a Riot Blockchain “ganham dinheiro com uma atividade que produz grandes tensões na rede elétrica” e obtém “significativos” subsídios.
“Esses subsídios contribuem para um problema maior, fazendo com que os consumidores, em vez de indústrias com demanda de eletricidade desproporcional, como os criptomineradores, arquem com os custos de manutenção da rede elétrica”, disse a carta.
Os congressistas dos EUA solicitaram que Vegas fornecesse informações sobre o consumo anual de energia dos mineradores de criptomoedas que operam no Texas e as emissões correspondentes de dióxido de carbono desde 2017. Eles também pediram detalhes sobre os acordos entre a ERCOT e as empresas de mineração quanto aos pagamentos durante os períodos de pico de demanda e sobre como as empresas podem responder ao aumento da carga na rede no futuro. A carta solicitava uma resposta até 31 de outubro.
Embora muitos relatórios tenham como alvo mineradores de criptomoedas estabelcidos no Texas em meio a eventos climáticos que impõem uma demanda crescente sobre a rede elétrica do estado, alguns sugeriram que as mineradoras podem contribuir para criar fontes de energia mais barata, ajudando a estimular a infraestrutura da rede elétrica local. O Texas Comptroller’s Office divulgou um relatório em agosto sugerindo que a relação entre as empresas de mineração e o setor de energia era mais simbiótica – com subsídios beneficiando ambas as partes.
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