Os mineradores de Bitcoin que atuam no Paraguai usando a energia da hidroelétrica binacional de Itaipu tem mais um problema para se preocupar: além da baixa no preço do BTC, que tornou boa parte dos ASICs deficitário a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) do Paraguai anunciou um aumento de 16% nos custos de energia dos mineradores de criptomoedas.

O reajuste, que varia entre 10% e 16%, eleva o custo para valores entre US$ 37,08 e US$ 59,76 por megawatt-hora (MWh). Esta decisão, formalizada pela Resolução P/Nº 49.238, foi justificada pela necessidade de ajustar as tarifas de acordo com os critérios comerciais vigentes e cláusulas contratuais estabelecidas anteriormente.

A medida provocou uma reação imediata dos representantes da indústria de criptomoedas no Paraguai. Jimmy Kim, diretor da Câmara Paraguaia de Mineração de Ativos Digitais (Capamad), expressou descontentamento com a decisão da ANDE.

"Os contratos permitem ajustes, mas modificar as tarifas sem consulta prévia cria instabilidade jurídica e desestimula investimentos," afirmou Kim. Ele destacou que as mineradoras já investiram US$ 538 milhões no país e planejam investir mais US$ 1,5 bilhão, investimentos que agora estão em risco devido ao aumento das tarifas.

Kim criticou a falta de aviso prévio sobre a mudança. "Se você vai tomar uma decisão tão drástica, pelo menos avise seus clientes com antecedência. Isso vai contra o que o presidente Santiago Peña prometeu sobre não haver insegurança jurídica," lamentou o diretor da Capamad.

Ele enfatizou que 90% do custo da mineração de criptomoedas é energia, e mesmo um pequeno aumento pode ter grandes impactos. "As consequências vão totalmente contra o que diz o presidente Santiago Peña, que não haverá insegurança jurídica," questionou Kim.

Críticas Políticas e Denúncias

O aumento das tarifas também gerou críticas no cenário político. O senador liberal Enrique Salyn Buzarquis foi um dos principais críticos, acusando a ANDE de corrupção.

"Altos dirigentes da ANDE faturam em média US$ 500 mil em subornos por roubo de energia do povo paraguaio com criptomoedas ilegais," afirmou Buzarquis, sem fornecer nomes. Ele pediu a renúncia de Félix Sosa e ameaçou iniciar um pedido de interpelação no Senado.

Buzarquis criticou a contradição do governo, que, segundo ele, promove o Paraguai como um destino para investimentos em energia barata, mas depois aumenta as tarifas drasticamente.

"Essas empresas vêm, pagam seus impostos, pagam quatro vezes mais, pagam três meses adiantados, investem milhões de dólares, e quando começam a operar, enfrentam um aumento de 14% nas tarifas," disse o senador.

O deputado Colym Soroka também se manifestou contra o aumento, alertando que isso poderia fomentar a ilegalidade. "O que vai acontecer é que as pessoas que trabalham legalmente vão fechar e apostar na ilegalidade. Ao fazer o ajuste na tarifa, já não é mais rentável para quem opera legalmente," afirmou Soroka.

A decisão da ANDE de aumentar as tarifas para a criptomineração coloca em risco a viabilidade de pequenos e médios mineradores no país. A indústria argumenta que essa mudança pode desestimular novos investimentos e fomentar atividades ilegais. Enquanto isso, a administração da ANDE permanece firme em sua decisão, defendendo que os ajustes são necessários e estão em conformidade com as normas vigentes.