O Bitcoin interrompeu uma sequência de três semanas de queda no fechamento semanal no domingo, 23 de fevereiro, com uma alta marginal de 0,15%, de acordo com dados da CoinGecko.
Com a volatilidade implícita muito próxima de suas mínimas históricas, o preço do Bitcoin (BTC) oscilou entre mínimas de US$ 93.388 e máximas de US$ 99.475 na última semana, mantendo-se em fase de consolidação sem uma tendência clara no curto prazo.
Um boletim da empresa de inteligência de dados Ecoinometrics publicado nesta segunda-feira, 24, afirma que o Bitcoin entrou em um período de “consolidação neutra”, com 48% de chances de manter-se entre US$ 86.000 e US$ 106.000 ao longo de março, “à medida que o momentum perde força na ação de preço, na correlação com as ações e na atividade on-chain.”
O movimento corresponde ao aumento das incertezas no cenário macroeconômico, à medida que as políticas domésticas e externas do presidente Donald Trump deixam os mercados em estado permanente de alerta.
Dados divulgados nos últimos dias sinalizam que a inflação ameaça fugir do controle nos próximos meses, com a guerra comercial de Trump e a valorização global do dólar em relação a outras moedas fiduciárias.
Jim Bianco, especialista em macroeconomia, apontou em uma thread no X que, embora o DXY (Índice da Força do Dólar) esteja relativamente estável, a moeda norte-americana está em alta em relação às divisas de maior peso na balança comercial dos EUA.
“O problema é o dólar FORTE. Isso precisa ser resolvido", afirmou Bianco. No gráfico abaixo, o analista delineou as razões para a impressão equivocada de que o dólar está subvalorizado.
Gráfico do DXY comparado ao Índice do dólar ponderado por transações comerciais do Fed. Fonte: Bianco Research
“O azul é o Índice do dólar ponderado por transações comerciais do Fed, que contém 26 moedas (Canadá e México têm grande peso nesse índice), que está subindo diretamente", afirmou Bianco. "Em laranja, o DXY, com 6 moedas e o euro representando 57% do total, mantém-se em movimento lateral", acrescentou.
Por sua vez, o mercado de trabalho emite sinais de desaquecimento. A combinação de repique inflacionário com desaceleração da economia aponta para um cenário de estagflação em 2025.
Na sexta-feira, 28, serão divulgados os dados de Despesas de Consumo Pessoal nos EUA (PCE), que é o indicador de maior peso para a política monetária do Banco Central dos EUA (Fed). Caso a tendência de alta da inflação seja confirmada pelo PCE, tornam-se cada vez mais distantes as perspectivas de retomada dos cortes nas taxas de juros.
Dados da FedWatch Tool da CME demonstram que atualmente, o mercado aposta em apenas mais um ou no máximo dois cortes de juros em 2025.
Análise do preço do Bitcoin
Diego Consimo, CEO e analista da Crypto Investidor, destacou a resiliência do Bitcoin diante do hack da Bybit – a maior exploração da história do mercado de criptomoedas:
“Mesmo após o hack de US$ 1,4 bilhão em ETH da Bybit, o Bitcoin continua em sua zona de acumulação desde novembro de 2024 entre as faixas de US$ 89.000 a US$ 108.000, o que é um bom sinal, pois acumulações são importantes para aliviar indicadores e criar zonas de suporte.”
No passado, um evento de tamanha magnitude teria derrubado o mercado, provocando uma sequência de prejuízos e liquidações inimagináveis, afirma Consimo.
Após iniciar a semana em baixa intradiária de 2,2%, o Bitcoin parece estar se encaminhando para testar o primeiro nível de suporte na região de US$ 92.000 a US$ 89.000, segundo o analista.
"Há grandes chances de o Bitcoin segurar o movimento corretivo nessa região, que está sendo muito bem defendida pelos investidores institucionais", afirma Consimo. “Caso o suporte atual seja violado, os próximos alvos de preço estão situados em torno da média móvel de 200 períodos, entre US$ 85.000 e US$ 80.000”, conforme o gráfico abaixo.
Gráfico diário anotado BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
No entanto, pondera o analista, os efeitos colaterais do hack da Bybit podem ainda não ter sido totalmente assimilados pelo mercado:
“Ao meu ver, temos que aguardar para entender as consequências desse hack. Está se falando muito em um rollback da Ethereum. Se isso ocorrer, o mercado pode se recuperar rapidamente. Por outro lado, se ocorrer um despejo do Ether roubado no mercado à vista, pode haver um movimento de 'venda de pânico', gerando um FUD [medo, incerteza e dúvida] muito grande, com um possível efeito cascata no preço.”
No pior dos cenários, “podemos ver o Bitcoin de volta à região dos US$ 70.000", devolvendo todos os ganhos acumulados após a eleição de Trump, projeta o analista.
O rollback da Ethereum (ETH) a que Consimo se refere é uma proposta que ganhou apoio de parte da comunidade cripto nos últimos dias. Na prática, seria uma forma de anular o roubo, revertendo a rede para o estado anterior ao hack da Bybit.
No entanto, Tim Beiko, desenvolvedor do Ethereum Core, argumentou em uma postagem no X que a proposta é tecnicamente inviável, embora possa ser considerada razoável.
Beiko explicou que não há uma forma razoável de reverter o hack sem implicações mais amplas para a rede, pois a transação que viabilizou a drenagem de US$ 1,4 bilhão em ETH não violou nenhuma regra do protocolo, ao contrário da exploração da Ethereum DAO em 2016, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.