O ano de 2024 ficará lembrado na história dos mercados financeiros como o ano da definitiva institucionalização do Bitcoin (BTC).
Em janeiro, os Estados Unidos aprovaram o primeiro ETF spot de Bitcoin no país; ao longo da campanha à presidência dos EUA, Donald Trump tornou-se um grande entusiasta das criptomoedas, prometendo criar uma reserva estratégica de Bitcoin caso fosse reeleito; por fim, com a confirmação de sua vitória, a maior criptomoeda do mercado atingiu e superou a marca simbólica de US$ 100.000.
Além da consolidação dos ativos digitais enquanto uma classe de ativos única descorrelacionada das finanças tradicionais, o desempenho da maior criptomoeda do mercado neste ano legitima o Bitcoin como o melhor investimento da última década, conforme afirma um relatório publicado pela CoinGecko na sexta-feira, 13 de dezembro.
Negociado acima dos US$ 100.000 neste domingo, 15, o Bitcoin acumula ganhos de 129% em 2024, contra 32,2% do ouro, 28,3% do índice S&P 500, 8,2% dos títulos do Tesouro de 10 anos e 5,3% dos títulos do tesouro de 5 anos.
Desempenho do Bitcoin comparado ao de ativos financeiros tradicionais em 2024. Fonte: CoinGecko
Mais de 11 anos se passaram desde que o Bitcoin saiu dos US$ 100 para adicionar outros três zeros à sua cotação, atingindo os seis dígitos. A valorização nesse período foi de impressionantes 26.931%, de acordo com os dados do relatório.
Em segundo lugar, abaixo do Bitcoin, vem o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos, que acumula uma alta de 193,3% desde 2015. Principal ativo de reserva de valor, ao qual o Bitcoin frequentemente é comparado, o ouro valorizou 125,8% no período, ficando atrás dos títulos de 5 anos do Tesouro dos EUA, que renderam 157,1%.
Os títulos de 10 anos ofereceram rendimentos de 86,8%, enquanto o petróleo registrou uma alta de apenas 4,3%.
Desempenho do Bitcoin comparado ao de ativos financeiros tradicionais nos últimos 10 anos. Fonte: CoinGecko
A comparação com ativos financeiros tradicionais revela porque os grandes investidores, bancos, gestoras e até mesmo estados nacionais estão finalmente se rendendo ao Bitcoin, segundo a CoinGecko:
“Esse panorama de uma década afirma o Bitcoin como o ativo definitivo de alto crescimento, enquanto ouro, títulos e ações oferecem alternativas mais seguras e de menor retorno para investidores avessos ao risco. Entretanto, o Bitcoin ainda é um ativo relativamente novo, com uma capitalização de mercado significativamente menor. Isso permitiu que ele crescesse em um ritmo muito mais acelerado.”
Apesar da lucratividade do Bitcoin, retornos nem sempre garantidos
Embora o desempenho do Bitcoin supere todas as demais classes de ativos nos últimos dez anos, nem sempre os retornos são garantidos. O lucro ou o prejuízo das operações com a criptomoeda dependeram do momento em que os investidores a compraram ou venderam, destaca o relatório:
“Ao longo desses 10 anos, houve 2 ciclos de alta, que ocorreram nos anos de 2017-2018 e 2020-2021, e atualmente estamos no meio de um deles. No final dos ciclos, o preço do BTC tende a cair 70% abaixo de seu pico. Essa volatilidade extrema ressalta a natureza de alto risco-retorno do Bitcoin, tornando-o atraente para investidores focados em crescimento, mas desafiador para aqueles que buscam estabilidade.”
Por exemplo, em uma janela de três anos, entre dezembro de 2021, logo após o topo de US$ 69.000 do preço do Bitcoin, e novembro deste ano, o rendimento do Bitcoin perde para os títulos do Tesouro dos EUA de 5 e 10 anos.
Esse período coincide com a contração da liquidez global motivada por uma política de elevação das taxas de juros dos bancos centrais das maiores economias do mundo, favorecendo investimentos em produtos de renda fixa e menor risco.
Nos últimos três anos, o desempenho do Bitcoin manteve-se negativo durante a maior parte do tempo. Apenas em fevereiro de 2024, o preço do Bitcoin voltou aos patamares do topo do ciclo de alta anterior, revela o relatório, passando a apresentar um desempenho positivo.
A aceleração dos ganhos no final de 2024 compensou as perdas e, em novembro, o Bitcoin acumulava uma alta de 72% nos últimos três anos, superando o ouro (49,5%) e o S&P 500 (32,97%).
Desempenho do Bitcoin comparado ao de ativos financeiros tradicionais nos últimos 3 anos. Fonte: CoinGecko
Ampliando um pouco a janela temporal para compreender os últimos cinco anos, a valorização do Bitcoin volta ser desproporcional: 1.283%, contra 169,5% dos títulos do Tesouro dos EUA de 5 anos, 142,9% dos títulos de 10 anos, 96,7% do S&P 500, 78,5% do ouro e 22,2% do petróleo.
Correlação do Bitcoin com ouro e S&P 500
A institucionalização do Bitcoin a partir do ciclo de alta de 2020-2021 contribuiu para aproximar as tendências do mercado de criptomoedas às do mercado acionário dos EUA. Nem sempre, no entanto, a correlação foi absoluta, afirma o relatório:
“Ao longo dos anos, a correlação do Bitcoin com o S&P 500 tem sido inconsistente, muitas vezes oscilando perto de zero. No entanto, desde 2020, a correlação se fortaleceu, com o Bitcoin se alinhando mais diretamente com as ações em eventos que afetam a economia global, como a pandemia da COVID-19. A correlação de preços também se alinha com as altas do BTC em 2018, 2020 e 2024.”
Apesar de ser comparado ao ouro por suas propriedades de reserva de valor e proteção patrimonial, a correlação do preço do Bitcoin com a cotação do metal precioso costuma ser inversa, afirma a CoinGecko:
“O Bitcoin e o ouro geralmente se movimentam independentemente um do outro, apesar de ambos serem vistos como investimentos alternativos. Observa-se também que a correlação se move de forma oposta ao preço do BTC. À medida que o preço do Bitcoin sobe, a correlação cai e vice-versa.”
Apesar de momentos esporádicos de correlação em condições macroeconômicas ou geopolíticas extremas, o “Bitcoin ainda não se consolidou como o ‘ouro digital’", conclui o relatório.
Segundo especialistas brasileiro, no entanto, o crescimento do Bitcoin desde a sua criação, em 2010, aponta para uma tendência de que o Bitcoin venha a substituir o ouro e o dólar como ativo de reserva número 1 da economia global.