Os ETFs de Bitcoin (BTC) e criptomoedas, bem como os fundos de investimento que oferecem exposição em criptoativos ajudaram a aumentar a oferta de investimentos no Brasil que subiu cerca de 62%, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A autarquia destaca que no primeiro semestre de 2021 foram emitidos R$ 287.8 bilhões em valores mobiliários, dos quais R$ 176.9 bilhões no segundo trimestre. Quando comparado ao mesmo período de 2020, houve crescimento tanto na quantidade de ofertas (35%) quanto no valor ofertado (62%).

Lançado no primeiro semestre do ano o ETF de criptomoedas da Hashdex o HASH11 é um dos mais negociados na Bolsa de Valores, B3 e o QTBC11, ETF 100% Bitcoin da QR Capital também está entre os ativos de maior negociação na bolsa brasileira.

Os dados estão presentes no novo Boletim Econômico da CVM, material que aborda os principais dados do mercado de valores mobiliários e revelou que a estimativa do total do mercado regulado pela CVM subiu 15% em relação ao mesmo semestre do ano anterior, chegando a R$ 33,7 trilhões.

Já o conjunto de regulados aumentou em 7.7% desde o início do ano, somando 66.529 participantes, puxado majoritariamente pelo aumento no número de agentes autônomos de investimento (15%) e fundos de investimento (9.9%).

Ampliação do mercado de valores mobiliários

Em busca de ampliar o acesso ao mercado de valores mobiliários a CVM declarou que está prestes a autorizar os investimentos "qualificados", restritos hoje a quem tem pelo o menos R$ 1 milhão em ativos, sejma liberados para o investidor comum.

A decisão da CVM pretende liberar investimentos em produtos com maior risco e mais complicados e antes restritos a investidores qualificados depois de realizar um estudo que comprovou que a flexibilização pode ser benéfica ao mercado.

O crescimento do número dos investidores de varejo, que saltou de 620 mil em 2017 para 4 milhões neste ano, é um dos fatores, já que o investidor comum hoje compreende melhor o funcionamento de títulos de dívida, mercados de ações, BDRs e ETFs.

A baixa das taxas de juros também ajudam na decisão, já que a poupança, o Tesouro Selic e outros papéis hoje têm rendimentos muito baixos, e a CVM acredita que as aplicações podem ajudar nos investimentos a longo prazo.

Em comparação com outros países, o Brasil ainda tem também boa parte dos investimentos individuais aplicados em papéis de pouco rendimento, com a mudança tendo papel fundamental para a migração destes investimentos para outros de maior rendimento.d

Bruno Luna, da CVM, apontas os riscos das mudanças e fatores para atenção dos investidores.

Como esses investimentos apresentam maiores complexidades e riscos, a CVM adianta que serão criadas regras para que o pequeno investidor tenha acesso a mais informações sobre esses produtos no momento em que eles forem oferecidos. A gente viu com o fundo imobiliário que ao ter cotas negociadas em Bolsa, o investidor tem uma porta de saída para resgatar a aplicação e também aumenta o volume de informações em circulação disponíveis para os aplicadores porque tem analistas escrevendo sobre esses fundos.

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