O setor de Biocombustíveis no Brasil pode, em breve, ganhar rastreabilidade com a tecnologia blockchain já que por meio da plataforma Bioledger que realizou recentemente uma prova de conceito sobre o uso de DLT no setor junto com a  RSB com produtos derivados do óleo de cozinha usado.

Segundo um comunicado encaminhado ao Cointelegraph a parceria visa explorar o potencial de um banco de dados de blockchain para apoiar a rastreabilidade do biocombustível e suas matérias-primas e superar as vulnerabilidades identificadas na garantia do fornecimento de energias renováveis ​​sustentáveis.

“A RSB está empenhada em apoiar a transição para o transporte de baixo carbono. Dados transparentes e confiáveis ​​da cadeia de suprimentos são essenciais para dar confiança nos biocombustíveis e combustíveis de baixo carbono. Este projeto foi uma grande oportunidade de trabalhar com Bioldeger para ver como aplicar os mais altos padrões de sustentabilidade com um banco de dados sofisticado e fácil de usar que criará transparência e confiança no mercado.”, disse o Diretor Executivo do RSB, Rolf Hogan.

O projeto foi viabilizado por uma doação do Fundo de Inovações da  ISEAL, que é apoiado pela Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO).

A solução proposta, um banco de dados de blockchain que permite comprovação verificável de origem, criação de remessa segura, simplificação de processos, eficiência de auditoria, integridade de dados e governança central, foi prototipada e testada com parceiros de projeto para processar um total de 1.927.906 litros de matéria-prima.

Blockchain no setor de biocombustíveis

Para avaliar a eficiência e adequação do banco de dados, o protótipo foi pilotado por quatro parceiros envolvidos na produção e distribuição de combustíveis à base de óleo de cozinha usado.

Esses parceiros foram Greenergy (Reino Unido), o maior produtor de biodiesel baseado em resíduos da Europa; Rexon Energy (Singapura), um exportador de OAU para a UE; Bensons Products (UK), um colecionador de OAU; e Valley Proteins (EUA), coletor e exportador de óleo de cozinha usado.

Ao testar a abordagem com um grupo tão diverso de parceiros, o projeto foi capaz de identificar recomendações e observações para construir um banco de dados completo a ser usado pela indústria globalmente para melhorar a transparência e o controle em cadeias de abastecimento de biocombustíveis sustentáveis ​​certificadas.

"Este projeto de blockchain foi bem-sucedido graças ao compromisso do parceiro em chegar a um consenso sobre as regras e funcionalidades que os uniriam igualmente em um mercado digital - essa é uma conquista bastante única para um banco de dados de blockchain que abrange concorrentes e parceiros em uma cadeia de abastecimento global", Patrick Lynch, CEO da Bioledger.

O teste realizado com as empresas europeias deve ser expandido para outros setores  e países na medida em que a solução passa a ser certificada na Europa e, desta forma, pode em breve chegar ao Brasil que já usa blockchain para rastrear a indústria do Etanol.

Embrapa

Desde o ano passado a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) firmou um Acordo de Cooperação Técnica com a Safe Trace e a Usina Granelli Ltda para o desenvolvimento de uma aplicação em blockchain capaz de rastrear a cadeia de produção da cana-de-açúcar no Brasil.

No total, segundo a Embrapa, será investido cerca de R$ 466.001,64. O projeto tem prazo de execução de dois anos.

"O objetivo é a integração de esforços entre as Partes para a execução de trabalhos de pesquisa, desenvolvimento, de interesse mútuo, consistente na execução de atividades para a concepção e desenvolvimento de um sistema de rastreabilidade, utilizando tecnologia blockchain, para produtos e processos agroindustriais da cadeia produtiva da cana-de-açúcar", destaca a Embrapa.

Segundo a instituição, a iniciativa faz parte do esforço de reunir informações seguras dessa cadeia produtiva em um sistema único voltado ao setor sucroalcooleiro. 

A Embrapa e a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) já firmaram, em 2019, um acordo de cooperação que buscava criar uma solução usando blockchain

Desta forma, segundo a instituição, com o blockchain, será possível integrar informações de todos os elos da cana-de-açúcar, desde a fase de produção da cultura, passando pela distribuição e comercialização, ou seja, da origem do produto até o consumidor.

“O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar e etanol; em tempos de concorrência acirrada, um sistema seguro, confiável e de fácil acesso, que concentre todas as informações sobre a cadeia produtiva da cana-de-açúcar pode propiciar um diferencial para atingir mercados mais exigentes e melhor remuneração pelo investimento em tecnologia”, afirma Castro. “Além disso, a centralização das informações sobre a cadeia produtiva em um sistema seguro amplia a capacidade gerencial tornando a tomada de decisão mais ágil e assertiva”, complementa.

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