Braço norte-americano da maior exchange global de criptomoedas, a Binance US criou uma nova “unidade de investigações” e contratou um ex-agente especial do FBI para chefiá-la. O objetivo da empresa é identificar e bloquear atividades ilegais envolvendo criptomoedas realizadas através de sua plataforma.

A “unidade de investigações” é um departamento totalmente nova dentro da exchange de criptomoedas dos EUA, confirmou o chefe jurídico da empresa, Krishna Juvvadi, ao Cointelegraph, confirmando a contratação do ex-agente do FBI BJ Kang como o primeiro “chefe de investigações” da empresa.

O cargo o posicionará para agir em parceria com autoridades policiais, reguladores e até outras exchanges para identificar e bloquear atividades ilegais em sua plataforma. Kang também será responsável por criar uma “infraestrutura de investigações” para a Binance US.

Em uma declaração divulgada em 20 de outubro, a Binance US afirmou que fortaleceu suas operações jurídicas, de conformidade e de mitigação de riscos no ano passado, aumentando o número de funcionários deste departamento em 145% e dedicando mais de um quinto da força de trabalho total da empresa a essas funções.

Kang é conhecido por suas investigações de alto nível sobre fraudes envolvendo valores mobiliários e casos de uso de informações privilegiadas (insider trading) no espaço financeiro tradicional durante quase 20 anos de atuação no FBI (Departamento Federal de Investigações dos EUA).

O ex-agente do FBI já foi considerado  "o homem mais temido de Wall Street" pela Reuters depois de ganhar notoriedade ao ser fotografado prendendo Bernie Madoff – que foi considerado culpado de executar o maior esquema de pirâmide financeira jamais visto até hoje - e Raj Rajaratnam, um ex-gerente de um fundo de hedge considerado culpado em um eminente caso de uso indevido de informações privilegiadas em operações financeiras.

Anteriormente, ele atuou no esquadrão de crimes cibernéticos do FBI no Escritório de Campo de Washington investigando casos de lavagem de dinheiro, extorsão e ataques hackers habilitados para prática de crimes cibernéticos visando empresas de criptomoedas e financeiras, entre outros crimes.

A nomeação de Kang ocorre no momento em que a exchange está enfrentando investigações da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), que supostamente solicitou informações sobre duas empresas que supostamente atuam como formadoras de mercado para a plataforma e está investigando como a Binance US pode ter informado aos usuários suas possíveis conexões com ambas as empresas.

A Binance, que opera separadamente de seu braço nos EUA, também teve que contestar duas denúncias da Reuters no ano passado, nas quais a agência internacional de notícias acusou a plataforma de processar pelo menos US$ 2,35 bilhões em transações de fundos oriundos de hacks, fraudes de investimento e vendas de narcóticos entre 2017 e 2021.

As acusações mais recentes divulgadas em 17 de outubro alegaram que a plataforma “desviou o escrutínio” dos reguladores nos EUA e no Reino Unido, apontando duas propostas diferentes enviadas por funcionários ou afiliadas.

No caso da alegação do Reino Unido, foi sugerido que a Binance alterou a data de determinados contratos de serviço para obter uma isenção de registro financeiro e, no caso dos EUA, a empresa teria trabalhado para direcionar a atenção das autoridades para outra empresa dos EUA em vez da própria Binance.

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