Representantes de grandes empresas de tecnologia opinaram sobre a regulamentação da inteligência artificial (IA) e defenderam a abertura de diálogo com os governos integrantes do G20. Os debates sobre a tecnologia aconteceram na última quinta-feira em São Paulo, durante o Business 20 (B20) Summit, um dos eventos preparatórios para a 19ª reunião de cúpula do G20 no Brasil, em novembro.
Segundo o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, “há muita retórica em torno dos perigos e preocupações em torno da IA.”
“As pessoas têm direito de se preocuparem, mas eu acho que precisamos novamente sermos ousados e responsáveis. A responsabilidade acontece quando você se engaja com os regulamentadores ou legisladores. E temos tido discussões com o Congresso Nacional, com o Parlamento, com o Tribunal Superior Eleitoral. É importante discutirmos a IA para garantir que ela seja uma ferramenta positiva para a sociedade brasileira”, destacou.
Coelho acrescentou que a regulamentação deve ser "boa o suficiente para dar continuidade a evolução que tivemos desde 10 anos atrás, desde que tivemos o Marco Civil [da Internet no Brasil]”, que é o conjunto de leis definiu os princípios para a regulação da internet no país, entre eles, os relativos à proteção da privacidade e dos dados pessoais de usuários, assegurando a eles direitos e garantias.
De acordo com a Agência Brasil, o presidente do Google Brasil salientou que a regulação da IA terá impactos geopolíticos no mundo e será determinante para o fluxo de produção de tecnologia.
“O país terá mais capacidade de gerar valor se for um produtor de tecnologia ou um importador de tecnologia. No caso do Brasil, temos um país em que temos a capacidade de ter um salto enorme. Algumas pessoas não querem reconhecer isso, mas a sociedade brasileira é altamente digital”, defendeu.
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Fariba Wells, vice-presidente de Assuntos e Políticas Governamentais Globais da Kyndryl, a maior fornecedora mundial de serviços de infraestrutura de tecnologia da informação, pediu equilíbrio na regulação da IA e disse que o processo na União Europeia deve ser analisado com cuidado.
Em maio, a União Europeia aprovou regras sobre a Inteligência Artificial que deverão entrar em vigor ainda em 2024. A legislação europeia impõe obrigações de transparência aos sistemas de IA, com multas que variam de 7,5 milhões de euros a 7% do faturamento global das empresas acusadas de violações.
“Todo mundo que tem uma entidade regulamentada, a primeira coisa que você ouve é que há regras demais, há entidades demais a serem informadas. Precisamos de harmonização. Os governos tendem a regulamentar muito. É isso que vemos com o IA. Precisamos prestar atenção naquilo que os europeus estão fazendo”, argumentou Wells.
A IA também está no radar do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que anunciou esta semana o uso da tecnologia, além do reconhecimento facial, para evitar o acesso de crianças às bets, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.