Em artigo publicado na última semana pelo Medium, o professor da Universidade Nova York e apresentador da CNN Scott Galloway “passou um pente fino” em suas previsões feitas no início de 2022 antes de apontar os possíveis rumos das criptomoedas e outros segmentos tecnológicos para 2023. Autor de um livro que aborta as big techs que ditam os caminhos da Web2, Galoway fez questão de dizer que suas previsões haviam sido feitas antes da guerra na Ucrânia, do “começo do namoro entre Elon Musk e o Twitter”, do galope da inflação recorde nos EUA e de uma “confusão de coisas” ao longo do ano.
Ao relembrar que havia classificado 2021 como “ano da bolha” ele frisou que acertou ao prever a derrocada das ações das gigantes tecnológicas e outras “memeações”, entre elas as da Tesla (-50%), Lucid (-80%), Opendoor (-89%) e Gamestop (-44%), que, somadas, perderam em valor de mercado o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Índia.
Entre as flopadas previstas pelo professor está “o maior fracasso tecnológico da história”: o metaverso de “Mark Zuckerverso”. Nesse caso, o apresentador justificou que sua previsão estava calcada no fato de que “o cosmos não quer que nenhuma organização ou pessoa consolide todo o poder” e que “o mecanismo de segurança é que o poder corrompe e torna você estúpido”, razão pela qual “a Meta continua gastando/perdendo US$ 1 bilhão por mês no Reality Labs.”
Ao relembrar que também previu que Elon Musk compraria o Twitter, o especialista disse apenas que acertou e que está “cansado de falar sobre isso”, mas voltou a mencionar o bilionário para frisar que errou quando avaliou que a ex-gerente de produtos do Facebook, Frances Haugen, ganharia o prêmio Pessoa do Ano da Time depois que ela vazou documentos apontando que a gigante das redes sociais usa algoritmos para fomentar a discórdia entre as pessoas e criar dependência de consumo. Isso porque o prêmio acabou indo para as mãos de Elon Musk.
Ele usou o termo “yogababble”, palavra empregada para classificar promessas fora da realidade e sem fundamentos, como o que, segundo ele, foi praticado por Adam Neumann, que teria criado uma bolha com as ações da empresa de tecnologia WeWork, e Sam Bankman-Fried (SBF), da exchange de criptomoedas falida FTX. Isso porque, para ele, a dupla retrata outra previsão correta: a de que a Web3 se revelaria um esquema Ponzi (pirâmide).
O outro erro elencado por Galloway diz respeito ao marketplace de tokens não fungíveis (NFTs) OpenSea. Isso porque ele previu que a plataforma dobraria de valor de mercado esse ano após receber aportes que levaram a empresa a ser avaliada em US$ 10 bilhões no final do ano passado. O que não aconteceu, já que o mercado de NFTs também entrou em colapso e já caiu 90% desde o começo do ano, segundo ele.
O apresentador lembrou que estava certo em relação ao surgimento de “criptomoedas de luxo.” O que foi o caso dos NFTs que davam direito a benefícios e acesso VIP ao Coachella Valley Music & Arts Festival. Porém, apesar de acertar, Galloway lembrou que o criptoativo não escapou ao colapso da FTX, embora ele ainda tenha manifestado otimismo em relação a esses tipos de token.
Ele menciou o colapso da FTX ao dizer que o episódio causou “calafrios no sul do estado da Flórida”, além de citar problemas enfrentados por Austin (Texas). Isso porque esses locais serviram de referência para outra previsão feita por ele: a ascensão da Cidade do México, o que de fato ocorreu ao longo de 2022 em relação à visitação e pedidos de residência feitos por cidadãos estadunidenses.
No caso dos superaplicativos, outra previsão feita por ele, o professor disse que, apesar de ainda não terem se tornado uma realidade, a Microsoft anunciou que pretende abarcar a ideia, a exemplo do que Elon Musk prometeu em relação ao Twitter.
Em março desse ano, Scott Galloway também afirmou que a Inteligência Artificial (IA) será a tecnologia dominante no metaverso e não a realidade virtual, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.