O clube de futebol do estado do Amazonas Iranduba lançou nesta semana uma "vaquinha" online para conseguir recursos para disputar a Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino e não ter que dispensar suas atletas e funcionários.
A equipe fechou um patrocínio com a empresa de criptomoedas VeganNation em fevereiro de 2019, mas nunca recebeu o pagamento prometido na criptomoeda vegancoin, que nunca foi lançada.
Segundo o clube disse ao GloboEsporte.com, o clube precisa de ajuda financeira para sanar os atrasos em salários, e algumas atletas do elenco atual e comissão técnica já deixaram o time.
O Iranduba também precisa de recursos para alimentação, moradia, transporte e passagens aéreas na disputa do Brasileiro.
O acordo com a VeganNation previa o pagamento do patrocínio em criptomoedas, que seriam lançadas em maio de 2019, o que nunca aconteceu. Além disso, o Iranduba não conseguiria liquidez para transformar os ativos em reais.
O último prazo dado pela empresa foi março de 2020, mas novamente ela não cumpriu o prazo.
O diretor de futebol do clube, Lauro Tentardini, diz na matéria:
"A situação do Iranduba é terrível. Nós devemos três meses para as jogadoras desse ano, nós devemos a algumas atletas que já saíram do clube. Djeni, Andressinha, Gisele, Julia, entre outras. Algumas que saíram um pouco antes também e nossa comissão técnica também tem salário atrasado desde o ano passado. A situação é bastante complicada. Iranduba, reforço que de 2016 até o início de 2019, pagou certinho todas as suas contas, mas nós estávamos preparados para a partir de maio de 2019 termos o aporte financeiro da patrocinadora VeganNation e infelizmente não recebemos nenhum centavo. Até porque a empresa alega que nos passou criptomoedas, a Vegancoin, só que a moeda ainda não está no mercado. Não tem valor nenhum. Não adianta nada. É como se uma pessoa fosse paga com cheque sem fundo. Essa campanha é a última forma de tentarmos sobreviver"
Outros clubes da região Norte e até o tradicional Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, fecharam parceria com a VeganCoin, como noticiou o Cointelegraph Brasil em janeiro. Estas parcerias, porém, envolveriam pagamento em Bitcoin, a criptomoeda que maior liquidez no mercado.
A VeganNation supostamente é uma empresa que usa "blockchain para promover valores veganos pelo mundo".
Em outra matéria do GloboEsporte, a VeganNation disse que estava "em contato com os clubes" para esclarecer os problemas, e que havia feito um contrato que não prevê a troca de VeganCoin por BTC, como afirmam os clubes do Norte.
Na matéria, a empresa dizia que a VeganCoin estaria disponível no primeiro semestre de 2020 e que "não havia informação no contrato sobre troca de Bitcoin por dinheiro real".
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