Eduardo Paes foi reeleito prefeito do Rio de Janeiro em 6 de outubro, no primeiro turno das eleições municipais, tendo como uma de suas principais propostas a transformação da "cidade maravilhosa" em um polo global de inovação tecnológica.

"Queremos posicionar o Rio como a capital da inovação da América Latina, pois quando você olha para as cidades mais desenvolvidas do mundo, todas investem em tecnologia e inovação", afirmou o prefeito em entrevista à Forbes Brasil. 

Paes pretende acelerar projetos como o Porto Maravalley, um hub de tecnologia localizado no Centro da capital fluminense que já atraiu 100 empresas do setor, e a adoção de ciência de dados e inteligência artificial (IA) para otimizar a administração pública por meio de parcerias público-privadas (PPPs).

"Um dos pilares da minha administração tem sido fomentar parcerias com o setor privado para impulsionar o desenvolvimento econômico no Rio", afirmou o prefeito. 

Em seu primeiro mandato, Paes remodelou a Companhia Carioca de Parcerias e Participações (CCPar) para focar na prospecção e gestão de projetos desenvolvidos em parceria com empresas privadas." Em paralelo, criou a Invest.Rio, uma empresa que busca atrair investimentos para empreendimentos no Rio de Janeiro.

IA na gestão do Rio de Janeiro 

O pioneirismo na adoção de IA e análise de dados em larga escala nas áreas de segurança pública e gestão climática tem produzido resultados positivos e será expandida para novas áreas, prometeu o prefeito:

"Quando retornei à prefeitura, em 2021, uma das primeiras coisas que fizemos foi criar o Escritório de Dados, um centro de pesquisa, educação e visualização de dados. Por meio dessa iniciativa, lançamos projetos com IA, como um que detecta alagamentos em tempo real usando imagens das mais de 3.500 câmeras instaladas pela cidade."

A prefeitura também fechou parcerias com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e instituições acadêmicas locais para desenvolver modelos de IA que resultam em previsões meteorológicas mais precisas. Combinadas, ambas as medidas contribuem para a mitigação de riscos em eventos climáticos extremos.

Paes acredita que a IA pode "ser uma ferramenta poderosa para a redução da violência." Em junho, a prefeitura lançou a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança Pública (CIVITAS), um órgão auxiliar à Secretaria Municipal de Ordem Pública que utiliza imagens de câmeras de segurança, radares e análise de dados para auxiliar com o que o prefeito chama de "cerco inteligente" aos criminosos.

O uso de IA na segurança pública é uma das matérias que tem travado a aprovação da lei nacional de inteligência artificial.

A proposta atual permite exceções para o uso de sistemas de reconhecimento facial em espaços públicos, especialmente para segurança pública e persecução penal.

No entanto, especialistas em direito digital argumentam que essa prática viola direitos fundamentais dos cidadãos e pode reforçar discriminações estruturais, especialmente contra populações negras e mulheres.

O próprio prefeito reconheceu que este é um tema sensível. "O Big Brother está aí, vamos todos ser filmados, para o bem e para o mal", afirmou Paes durante o lançamento do CIVITAS.

Cinco meses após a implantação, "o CIVITAS já ajudou a investigar centenas de crimes, com o apoio de mais de 5.300 dispositivos de monitoramento espalhados pela cidade", afirmou o prefeito, que avalia positivamente a atuação do órgão.

Porto Maravalley

O Porto Maravalley, iniciativa-chave da gestão de Paes para fomentar desenvolvimento da indústria de tecnologia e inovação no Rio, já abriga 20 empresas em um espaço compartilhado no centro da cidade.

O hub de inovação foi criado com o compromisso de desenvolver soluções tecnológicas que impactem tanto a economia local quanto o dia a dia dos cariocas. Ou "transformar a zona portuária do Rio de Janeiro no Vale do Silício carioca", como afirmou Paes durante o lançamento do projeto em 2022.

Segundo o prefeito, há outras 80 empresas que pretendem abrir escritórios no local. Além disso, a prefeitura pretende replicar o modelo do hub de inovação em três outras regiões da cidade.

Embora Paes não tenha mencionado as criptomoedas nos seus planos para o segundo mandato, a prefeitura vem adotando medidas para transformar o Rio de Janeiro em uma cidade "crypto friendly." 

Além de fomentar o ecossistema de criptomoedas e tecnologia blockchain, atraindo empresas do setor para o Porto Maravalley, em 2022, a prefeitura promulgou um decreto que permite que os contribuintes paguem o Imposto Territorial Urbano (IPTU) com criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião. 

"Nosso objetivo é fazer do Rio o ecossistema cripto do Brasil. Além do robusto ecossistema de blockchain já existente aqui, temos potencial exponencial de crescimento, impulsionado pela concentração de universidades e centros de pesquisa na região.", afirmou na ocasião Chicão Bulhões, Secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação da prefeitura.