Às vésperas do The Merge, a atualização mais revolucionária da história do mercado de criptomoedas, que vai transformar a Ethereum (ETH) em uma rede baseada em Prova-de-Participação (PoS), os investidores DeFi (finanças descentralizadas) estão voltados para o passado. Pior, para um passado desastroso.

Pela segunda semana consecutiva, o Luna Classic (LUNC), token do moribundo Terra Classic, segue tentando ressurgir das cinzas. Embora muito distante dos seus tempos gloriosos, quando chegou a valer US$ 120, o LUNC acumula ganhos de 170% em sete dias, puxando a recuperação da capitalização de mercado dos tokens DeFi nesta semana.

De acordo com dados do CoinGecko, o valor total destes tokens subiu de US$ 43,5 bilhões em 30 de agosto para US$ 49,9 bilhões na tarde desta terça-feira – uma alta de 14,7%.

No entanto, o valor total bloqueado (TVL) em protocolos de finanças descentralizadas não registrou crescimento semelhante nos últimos sete dias. Na verdade, se manteve praticamente estável, variando negativamente de US$ 59,6 bilhões para US$ 59,4 bilhões no período, de acordo com informações da plataforma de monitoramento de dados DeFi Lllama.

Embora a Ethereum se mantenha na liderança por uma larga distância, respondendo por 58,4% do TVL DeFi, o valor total bloqueado na rede diminuiu mais de 185% nos últimos nove meses. No início do ano, o TVL dos protocolos DeFi da Ethereum somavam US$ 98,81 bilhões, segundo o DefiLlama.

Outras métricas que dão sinais de declínio no ecossistema de finanças descentralizadas da rede líder de contratos inteligentes incluem o volume de negociação diário, em retrocesso desde maio, de acordo com a plataforma de monitoramento de dados OkLink; o número de usuários ativos diários nas exchanges descentralizadas da Ethereum também vem caindo; por fim, as receitas diárias caíram 74,6% nos últimos 180 dias, segundo dados do Token Terminal.

Além das condições mais amplas do mercado, o crescimento das soluções de camada 2 que oferecem suporte à rede também contribui para o declínio das atividades e das receitas da Ethereum.

A única rede a registrar um crescimento minimamente significativo nos últimos sete dias foi a Arbitrum, com 4,1%, justamente uma solução de camada 2 da Ethereum. No mais, apenas Solana (SOL), com 1,8%, BNB Chain (BSC), com 1,6%, e a própria Ethereum, com 0,6% registraram crescimento do TVL no mesmo período.

Polygon (MATIC), Avalanche (AVAX) e Tron (TRX) registraram perdas de 5,9%, 5,1% e 3%, respectivamente.

Em uma semana de valorização para os tokens DeFi, apesar do declínio do TVL, o supracitado Luna Classic, o DeFiChain (DFI) e o TRIBE foram os principais destaques do setor.

Terra Classic (LUNC)

O Luna Classic (LUNC) foi originalmente criado como token nativo da blockchain Terra sob o nome LUNA, originalmente lançado em 2018. Sua função era atuar como um mecanismo de estabilidade para absorver desvios de preço da stablecoin algorítmica do Terra, o TerraUSD (UST), hoje conhecido como USTC. A stablecoin mantinha seu preço atrelado ao dólar através da cunhagem ou queima de LUNA e UST.

Quando o UST perdeu a paridade com o dólar e entrou em colapso em maio de 2022, o LUNA entrou em uma mortífera espiral hiperinflacionária na tentativa de restaurar o preço alvo do UST. Hoje, o LUNC e o USTC, foram os fantasmas que restaram do LUNA e do UST depois da espiral da morte do ecossistema DeFi.

Mais de 99% abaixo de sua máxima histórica, o LUNC parece ter se tornado veículo para apostas especulativas, embora mantenha uma comunidade fiel de "lunáticos" – autodenominação que os adeptos do velho Terra utilizavam para demonstrar seu apreço ao protocolo.

No entanto, os desenvolvedores do Terra Classic estão trabalhando e recentemente lançaram uma atualização do protocolo que permite aos detentores do LUNC bloquearem suas moedas em staking para obter recompensas. Poucas horas após a implementação da atualização, mais de 1% do suprimento circulante do LUNC já havia sido bloqueado, embora não haja evidências de que o ecossistema DeFi que um dia existiu na rede original possa ser retomado.

Outro fator que impulsionou o renascimento do token foi o lançamento de um protocolo de queima automática de LUNC que será ativado no dia 12 de setembro. O novo mecanismo introduz uma taxa de queima de 1,2% para todos os swaps do protocolo. A princípio, seria aplicado a swaps on-chain, na própria rede do Terra Classic. No entanto, algumas das principais exchanges que têm o token listado em suas plataformas também devem aderir, incluindo a Binance e a KuCoin.

Nos últimos dias, não foi apenas o preço e o volume de negociação que aumentaram, mas a atividade dos desenvolvedores do LUNC e o tráfego de pesquisa nas redes sociais também cresceram recentemente. Ambos são sinais positivos que aumentam ainda mais as chances de aumentos futuros", afirmou.

Tantos sinais positivos, ao menos em aparência, reacenderam as esperanças da comunidade acerca do futuro do projeto e desencadeou uma alta de 170% do LUNC nos últimos sete dias. O token do Terra Classic saltou de US$ 0,0001507 em 30 de agosto para US$ 0.0004019 no início da tarde desta terça-feira, 6 de setembro, de acordo com dados do CoinMarketCap. Uma demonstração de que o momentum de alta se mantém é verificado no aumento de 107,3% no volume de negociação nas últimas 24 horas.

Atualmente, o LUNC ocupa a 205ª posição no ranking de criptomoedas, com uma capitalização de mercado de US$ 2,5 bilhões.

Desempenho semanal do LUNC. Fonte: CoinMarketCap

DeFiChain (DFI)

O DeFiChain é um protocolo que procura oferecer serviços DeFi de forma segura e escalável, solucionando os gargalos das duas principais redes do mercado de criptomoedas: a do Bitcoin e a do Ethereum.

A DeFiChain tem sua própria blockchain construída a partir de um fork do Bitcoin e mantém seu vínculo com a rede original usando uma raiz de Merkle a cada poucos blocos validados. Ao mesmo tempo, as transações da DeFiChain não são Turing-completas como as do Ethereum, e isso as torna mais rápidas e seguras, com baixos custos de transação e um risco reduzido de erros ou falhas em seus contratos inteligentes.

O projeto foi lançado no começo de 2019 com o objetivo de oferecer serviços financeiros semelhantes aos prestados por bancos comerciais, como empréstimos, custódia de fundos e diferentes opções de investimento de renda fixa, porém de forma descentralizada.

Em 5 de setembro o pool de dUSD-DFI, utilizado para swaps entre a stablecoin algorítmica da DeFiChain e o token nativo do protocolo estava oferecendo um prêmio sobre o dUSD, então os usuários aproveitaram para trocar a stablecoin por DFI, contribuindo para impulsionar o preço do ativo.

Nos últimos sete dias, o valor total bloqueado na DeFiChain cresceu impressionantes 29,7%, de acordo com o DeFi Llama, contribuindo para impulsionar a alta de 31,2% do token nativo da plataforma.

Em 30 de agosto, o token estava cotado a US$ 0,8868 e no início da tarde desta terça-feira, 6, saltou para US$ 1,1307, de acordo com dados do CoinMarketCap. Atualmente, a capitalização de mercado do DFI é de US$ 573,7 milhões e o token está na 214ª posição no ranking de criptomoedas.

Desempenho semanal do DFI. Fonte: CoinMarketCap

Tribe (TRIBE)

Tribe é o token de governança da stablecoin algorítmica FEI, a qual tem como propósito oferecer uma nova solução descentralizada para moedas atreladas ao dólar.

TRIBE é o token de governança da organização autônoma descentralizada (DAO) que controla a governança do FEI e pode ser usado para obter acesso a voto em propostas de governança ou trocado por FEI.

O FEI propõe um modelo econômico semelhante ao design de um banco central de reserva fracionária. A Tribe DAO emitiu FEI a uma taxa subsidiada em relação ao Ether em seu lançamento para gerar um pool de Ether como seu tesouro.

A Tribe então implementou uma parte desse ETH com FEI recém-cunhado em um pool de liquidez ETH-FEI na exchange descentralizada Uniswap (UNI) para viabilizar a negociação da stablecoin. Embora os usuários possam comprar FEI do Tribe DAO, eles não podem vendê-lo de volta: são obrigados a negociá-lo no mercado.

Por sua vez, a estabilidade é mantida através de um sistema de incentivos. Se o preço do FEI exceder a paridade de 1:1 com o dólar, os traders podem vender ETH para o Tribe DAO e vender seu FEI na Uniswap, aproveitando estas oportunidades de arbitragem para obter lucro.

A Tribe DAO se envolvida em uma polêmica esta semana depois que o fundador do Fei Protocol, Joey Santoro, anunciou uma nova votação de governança, revelando a intenção da empresa de reembolsar as vítimas de um hack ocorrido em abril, que drenou quase US$ 80 milhões de vários pools da Rari Fuse.

A proposta apresentada por Santoro também detalha planos para resgate de ativos e distribuição de ativos de valor controlado por protocolo (PCV), cuja liquidez e rendimentos são gerenciáveis.

A proposta gerou sentimentos mistos na comunidade porque o plano prevê que a compensação das vítimas do ataque hacker seria feita através de 88,9 milhões de tokens TRIBE equivalentes a US$ 16 milhões. Ou seja, um valor muito inferior aos US$ 80 milhões comprometidos no hack.

Da forma como foi apresentada, a proposta oferece reembolsar o Frax (FXS) com 2% sobre um prejuízo total de US$ 12,3 milhões, o Olympus DAO (OHM) com 3% sobre perdas de US$ 8,9 milhões, o Balancer Labs com 19% e o VesperFi com 27%. Além disso, outros membros da comunidade questionaram a falta de prazos concretos dentro da proposta.

A proposta apresentada por Santoro acrescentava ainda que “após a conclusão desta proposta, e independentemente de as peças individuais falharem ou terem sucesso, a Fei Labs não participará mais da Tribe DAO”, dizia a proposta.

Apesar do dissenso, o TRIBE registrou um aumento do volume negociado e de seu valor de mercado logo após a apresentação da proposta e manteve uma alta sustentada nas últimas três semanas. Na semana passada, o token valorizou 9% em sete dias. Nesta semana, manteve-se pela terceira semana consecutiva entre os tokens DeFi de maior rendimento, com alta de 20%.

Em 30 de agosto, o token estava cotado a US$ 0,2409 e no início da tarde desta terça-feira, 30, era negociado por US$ 0,2893, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Atualmente, o TRIBE ostenta uma capitalização de mercado de US$ 131,2 milhões e ocupa a 162ª posição no ranking de criptomoedas.

Desempenho semanal do TRIBE. Fonte: CoinMarketCap

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