Resumo da notícia:
Brasileiros estão de olho no AXS, mas altcoin derrete, apesar da alta acumulada mensal.
Criptomoedas avançam para mercados de previsão e outros segmentos TradFi.
Recuo do mercado cripto reflete incertezas, mas fundamentos permanecem sólidos, diz 21Shares.
As criptomoedas mais visitadas pelos investidores do Brasil recuavam até 34% na manhã desta quarta-feira (4), enquanto o Bitcoin (BTC) orbitava US$ 76 mil (-2,6%). Segundo a 21Shares, a retração não deve impedir a expansão para novos seguimentos.
De acordo com o monitoramento do agregador de dados on-chain CoinMarketCap voltado às criptomoedas mais visitadas pelos investidores nacionais e com maiores retornos no período, o Axie Infinity (AXS), apesar de acumular 61,3% de alta em 30 dias, recuava a R$ 8,27 (-34%). Esse comportamento também se aplicava ao HYPE e ao Chilliz (CHZ), transacionados respectivamente por R$ 173,74 (-3%) com valorização mensal de 23,1% e R$ 0,23 (+3,4%) com recuo de 2,7% em 30 dias e de 19,2% em sete dias.
A devolução de ganhos do AXS e de outros tokens queridinhos dos brasileiros acontecia na esteira do derretimento do Bitcoin em 14,8% e 23%, nos respectivos acumulados semanal e mensal. O derretimento, segundo análise divulgada esta semana pela 21Shares, está relacionado “à intensa movimentação econômica e geopolítica internacional”.
Para o analista sênior de ativos digitais de gestora de criptomoedas suíça, Karim Abdelmawla, “embora a volatilidade permaneça elevada, a movimentação de preços e os fluxos sugerem turbulências temporárias dentro de uma tendência de alta de longo prazo intacta”.
Apesar da relativa estabilidade nos preços, a adoção do Bitcoin durante choques geopolíticos assemelha-se cada vez mais à de um ativo escasso e não soberano em períodos de instabilidade global, enquanto a incerteza regulatória continua a limitar o potencial de valorização da maioria das altcoins e das finanças descentralizadas (DeFi), observou.
Ele também apontou o “caminho do dinheiro” dizendo que “ retorno ao investimento em valor é evidente, visto que ativos digitais de alta qualidade fora do Bitcoin, com fundamentos sólidos, apresentaram desempenho superior, como a exchanges descentralizada Hyperliquid (HYPE) e a blockchain focada em ativos do mundo real (RWA) e outros produtos das finanças tradicionais Canton (CC), com alta de aproximadamente 30% no acumulado do ano.
A próxima onda de crescimento em ativos digitais girará em torno de produtos voltados para o consumidor. Plataformas como a Polymarket, que agora ultrapassam US$ 800 milhões em volume semanal, sinalizam que a adoção pelo usuário final pode começar a superar a expansão da infraestrutura, acrescentou Abdelmawla.
Em relação ao HYPE, a explosão do token esta semana ocorreu após a Hyperliquid informar que pretende ingressar no mercado de previsão.
Para o estrategista de pesquisa da 21Shares, Matt Mena, “embora o momentum de curto prazo ainda permaneça frágil, o comportamento dos preços tem respeitado, até aqui, os principais níveis estruturais”.
Uma quebra sustentada abaixo do nível de suporte exigiria uma reavaliação, mas o movimento atual parece mais corretivo do que estrutural”, emendou.
5 razões para queda do Bitcoin
A análise elencou cinco catalisadores de baixa em janeiro, destacando que a retração do mercado de criptomoedas aconteceu no contexto de crescente fragmentação geopolítica e atraso na clareza regulatória nos EUA, e não devido à deterioração do crescimento da receita bruta dos ativos digitais:
Maduro
Segundo a 21Shares, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA desencadeou volatilidade imediata nos mercados de energia e ativos digitais. Embora o evento tenha reforçado a tendência de desdolarização de longo prazo, inicialmente levou os mercados a uma postura de aversão ao risco.
Irã
Para a gestora cripto, a escalada dos protestos, os apagões da internet e o colapso do Rial iraniano (IRR) em relação ao dólar americano em mais de 90% impulsionaram o Bitcoin em mais de 2.000% em relação ao IRR, chegando perto de 10 bilhões de IRR por BTC. Embora isso tenha tido um impacto limitado na precificação de ativos globais, reforçou o papel do Bitcoin como um meio financeiro não soberano sob controles de capital e estresse bancário.
Incerteza política e regulatória
O adiamento da Lei CLARITY, combinado com a crescente preocupação com uma possível paralisação do governo dos EUA, afetou fortemente a confiança dos investidores. Com os mercados tradicionais fechados durante o fim de semana, os mercados de criptomoedas absorveram todo o impacto dessa incerteza, provocando uma correção acentuada, porém contida, segundo a análise.
Ameaças à política e à liquidez
A análise considerou ainda que a ameaça do presidente Trump de impor tarifas de 10% a vários países europeus, relacionadas às negociações sobre a Groenlândia, provocou saídas semanais de mais de US$ 1 bilhão em ETFs de Bitcoin. Após o anúncio de um acordo preliminar e a suspensão das tarifas, os preços se recuperaram parcialmente, evidenciando a natureza transitória da medida.
Fragilidade das altcoins
A gestora considerou que a ambiguidade regulatória continua a suprimir o apetite por risco fora do Bitcoin. A capitalização de mercado das altcoins permanece estagnada entre US$ 800 bilhões e US$ 1 trilhão, refletindo a participação institucional limitada e a baixa tolerância ao risco. Segundo o relatório, historicamente, choques geopolíticos semelhantes resultaram em quedas de 4 a 8% em 48 horas, seguidas por recuperações com média de aproximadamente 22,75% em 30 dias, sugerindo que o movimento de janeiro se encaixa em um padrão corretivo familiar, em vez de uma mudança de regime.
Na semana anterior, investidores nacionais compraram a queda do Bitcoin e investiram R$ 8,9 milhões em fundos de criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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