Uma das maiores gestoras de investimentos do Brasil, a XP, acaba de promover seu diretor de tecnologia, Thiago Maffra, ao posto de CEO, segundo matéria do Valor Econômico.
O novo CEO deve assumir em 12 de maio, na primeira mudança desde que a empresa foi fundada, há duas décadas. A promoção de um especialista em tecnologia ao cargo de CEO marca um novo posicionamento da gestora, que quer adotar mais tecnologias disruptivas e contratar especialistas nesta área.
Maffra, de 36 anos, entrou para o mercado financeiro em 2006 e passou pelas corretoras Bulltick e Souza Barros antes de entrar na XP através de Guilherme Benchimol. Em 2017, foi um dos sócios da exchange cripto XDEX, da XP, em projeto que durou apenas dois anos.
Ele também passou pelos cargos de gerente de equidade no varejo, até assumir o cargo de CTO (executivo de tecnologia), onde conseguiu estabilidade inédita na empresa, já que a XP já havia demitido cinco antecessores no cargo.
Em uma entrevista recente, Maffra declarou que queria ver a XP como "a melhor companhia de tecnologia brasileira". Neste trimestre, a empresa pretende contratar 180 funcionários para as áreas de tecnologia, depois de contratar mais de 500 profissionais em 2020, advindos de gigantes de tecnologia como Facebook, Google, Amazon e Mercado Livre.
A ascenção de Maffra à presidência da XP é um marco que encontra paralelo recente em outros gigantes financeiros brasileiros, apesar de nomes fortes de tecnologia ainda serem raros à frente das empresas.
No ano passado, o Itaú Unibanco ficou perto de nomear o vice-presidente de tecnologia a CEO, mas o cargo acabou com Milton Malujy Filho, de perfil mais empresarial. O maior rival da XP, o BTG Pactual, tem como presidente Roberto Sallouti, que estudou programação para preparar o banco de investimentos para a entrada de pessoas físicas.
Nos Estados Unidos ocorre um movimento parecido, com empresas como Betfair, Willian Hill e GE Digital nomeando CEOs vindos de áreas de tecnologias inovadoras.
As iniciativas, lembra o texto, tenta preparar as instituições financeiras mais robustas para a concorrência de fintechs, entre elas exchanges de criptomoedas e tokens, e os bancos digitais, que têm conseguido uma boa inserção entre instituições financeiras para pessoas físicas e juristas.
Benchimol ainda reconhece que se inspitou em big techs para indicar Maffra para a presidência da empresa:
“Estamos lutando para ganhar a guerra, não para ser mais um participante. E a guerra vai ser ganha com tecnologia, de cloud a inteligência artificial. Nossa agenda de tecnologia vai para intensidade máxima. Eu como CEO e Maffra como CTO estávamos o tempo todo falando dessa importância. Mas não tem forma mais clara de empoderar a tecnologia na empresa do que colocar o CTO de CEO”
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