Nesta sexta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, o Cointelegraph Brasil agradece e homenageia todas as mulheres pelo que representam para existência humana, pela força imperativa e resiliência que precisam para vencer os obstáculos de uma sociedade ainda corroída pelo ostracismo, machismo, que ora também fazem essa data ser marcada pela reflexão e luta.

Guardadas as devidas proporções, a trajetória histórica das conquistas femininas, em boa parte, se assemelha ao caminho percorrido pelas criptomoedas, desde a criação do Bitcoin (BTC), em 2008. Isso porque os ideais de liberdade financeira e descentralização que preconizam a tecnologia blockchain, base do benchmak cripto que se propagou para diversos outros segmentos, também enfrentaram, e ainda enfrentam, percalços. 

O que não é diferente no Brasil, embora a força, inteligência, sabedoria, capacidade e tantas outras virtudes das mulheres sejam aliadas. Em ordem alfabética, apresentamos algumas delas, Antônia Souza, Flávia Jabur e Gabrielle Ribon, através das quais registramos nossa gratidão a todas.

Antônia Souza:

Da Introdução ao Bitcoin à Liderança de uma das startups pioneiras no mercado

Antônia Souza, COO da startup Lumx, ingressou no mercado de tecnologia há quase seis anos. Naquela época, o número de mulheres nesse setor era escasso, e o mercado cripto era pouco conhecido por ela. Em 2016, foi apresentada ao Bitcoin por um colega de trabalho, que a incentivou a estudar mais sobre o assunto e investir, mas a descrença predominante na época a fez hesitar, um arrependimento que carrega até hoje.

Com o passar dos anos, mais mulheres entraram no mercado de tecnologia, aumentando sua representatividade. Quando entrou em sua primeira grande empresa de tecnologia em 2018, a presença feminina ainda era limitada. No entanto, ao longo do tempo, testemunhou um avanço significativo no número de mulheres no setor, embora reconheça que ainda há muito a ser feito nesse sentido.

Foi somente em 2022, ao assumir uma posição na equipe responsável pelo metaverso na América Latina na Meta, que Antônia começou a se envolver mais ativamente com o universo cripto. Enquanto mapeava as iniciativas de realidade aumentada e virtual na região, deparou-se com projetos de NFTs e empresas como a Lumx, que havia acabado de lançar o projeto da Reserva. Foi nesse período que conheceu outras mulheres atuantes no mercado cripto, como Cintia Ferreira da Eve, Amanda Marques da Cora, Helo Passos da Trexx, e Giovanna Simão do Bit das Minas, cujo apoio foi fundamental para sua compreensão desse mercado aparentemente complexo e dominado por homens.

A troca de experiências com essas mulheres incentivou Antônia a não desistir de entender o mercado cripto. Com o apoio de uma comunidade disposta a compartilhar conhecimento e aprender juntas, ela mergulhou nos estudos sobre criptomoedas, Web3 e tudo o mais relacionado.

No final de 2022, Antônia foi afetada pelo layoff da Meta, mas essa reviravolta se revelou uma das maiores oportunidades de sua carreira. No dia seguinte à notícia de sua demissão, foi convidada por Caio Barbosa, co-CEO da Lumx, para assumir o cargo de COO na empresa, um convite que a surpreendeu, mas que ela mergulhou de cabeça.

Ao ingressar na Lumx em janeiro de 2023, Antônia enfrentou o desafio de preparar a empresa para as futuras movimentações. Quatro meses após sua entrada, a Lumx recebeu investimento do BTG Pactual e fechou contratos com grandes marcas como Ambev, Nestlé, Grêmio e Sympla. Foi então que perceberam a necessidade de facilitar o acesso dessas empresas à blockchain de forma fácil e prática, o que os levou a desenvolver o Lumx Protocol, uma solução modular que permite a implementação sem a necessidade de conhecimento técnico em blockchain, democratizando o acesso a essa tecnologia.

Em 2023, Antônia foi destaque na Forbes Under 30 na categoria de tecnologia e inovação, sendo seu trabalho com blockchain fundamental para essa conquista. Sua jornada até aqui é um testemunho do poder da persistência, da determinação e de como o apoio de outras mulheres podem ajudar a superar os desafios e alcançar o sucesso no mercado cripto.

Flávia Jabur:

De repórter de grandes emissoras de televisão a destaque no mercado de criptomoedas

Flávia Jabur é jornalista, iniciou sua carreira em grandes emissoras de televisão, como a CNN e a Bandeirantes, tendo atuado como apresentadora na Band e repórter na CNN. No entanto, em 2019 se inseriu no mercado cripto ao começar a trabalhar em um portal de notícias para trazer as principais informações deste meio.

Na época, para entender bem o mercado, já que não tinha tanta informação como hoje, a jornalista aprofundou seus estudos visando trazer educação para os investidores, e foi através do site de notícias Bitcoin News que começou a ficar conhecida neste mercado. 

Desde então, Flávia passou por empresas referências nesse setor, como a exchange de criptoativos, BitcoinTrade, que atualmente se tornou Ripio Trade, onde exerceu a função de Coordenadora de Conteúdo, além de ter se tornado o rosto da empresa. 

Neste mesmo período, resolveu direcionar seu Instagram para a produção de conteúdo sobre criptomoedas, blockchain e tokenização de ativos, visando contribuir para que as pessoas entendessem de forma descomplicada esse mercado, além de ajudar que começassem pelo caminho certo.

Sua produção de conteúdo fez com que a jornalista passasse de apresentadora e repórter para entrevistada por grandes sites de notícias.

Atualmente Flávia é Community Manager da Liqi, companhia especializada em soluções de infraestrutura blockchain, focada na tokenização do mercado de capitais, e apresentadora do podcast “Talkenização”.

Jabur segue produzindo conteúdo em suas redes sociais sobre blockchain, tokenização de ativos do mundo real (RWA) e criptomoedas, já ganhou prêmio como influencer destaque no setor, palestrou diversas vezes pelo Brasil, e realizou mais de 1.500 mentorias ao longo desses anos.

Para 2024 e os próximos anos, Flávia enxerga que além da importância das criptomoedas o setor de RWA vai ter um crescimento gigantesco, principalmente após a nossa economia ser tokenizada com o Drex, sendo assim a mesma levar muito mais informações sobre esse assunto que de acordo com Citibank e JP Morgan é um mercado que deve atingir trilhões de dólares até 2030.

Gabrielle Ribon:

O mercado de produtos bancários deve ser mais feminino e voltado para as mulheres

Gabrielle Ribon, advogada que no mercado financeiro com foco em novos produtos e tecnologias, ingressou no mercado financeiro há quase dez anos. Quando iniciou seus estudos em Direito, na PUC-SP, não imaginava que optaria por trabalhar nessa área, pois sempre teve aptidão com a academia e imaginava se tornar professora. No entanto, uma experiência precoce em consultoria e auditoria a levou por outros caminhos.

Com o passar dos anos, especializou-se em tributação, uma vertente do Direito predominantemente masculina, aumentando sua representatividade. Nas consultorias, reparava que a maior parte dos cargos de consultores eram ocupados por mulheres, no entanto a mesma lógica não se refletia nos quadros de gerente e sócios. Foi para o mercado esperando encontrar uma experiência diferente em um banco de investimento, mas encontrou um ambiente ainda mais masculino e com poucos avanços em termos de diversidade.

Em 2017 fez uma breve temporada no Vale do Silício, onde foi impactada não apenas pela diversidade de imigrantes atuando nas maiores empresas de tecnologia do mundo, mas também pelo número de mulheres ser muito mais representativo do que no Brasil. Foi somente em 2021 que teve a primeira oportunidade de responder por uma diretoria feminina, no ABN Amro Clearing, onde as áreas de Legal e Compliance eram lideradas pela Alessandra Hazl Dambock, primeira grande referência que teve em liderança.

Enquanto tributarista, envolveu-se com a bandeira de diversidade feminina tanto dentro das instituições, quanto fora. Participou das primeiras reuniões do Women in Tax, liderado por mulheres como Tathiane Piscitelli, e escreveu uma tese de conclusão do LL.M voltado para a discussão do Pink Tax. Como curiosidade, menciona que a banca avaliadora não contava com nenhuma mulher, e que seu orientador não sabia do que se tratava a tese.

Aproveitou sua experiência com bancos tradicionais e de investimento para dar um novo salto na carreira e abraçar a frente de produtos. No Inter, iniciou sua atuação com o Comitê de Produtos, onde ampliou a interface e o contato com os times de produtos e o jurídico, estreitando os laços na relação entre essas duas áreas inicialmente tão distantes. Essa aproximação com o time de produtos a levou, posteriormente, a assumir a posição de especialista jurídico em produtos de meios de pagamento, conta digital, câmbio e tesouraria, auxiliando a estruturar uma parte relevante da carteira de produtos da instituição. E ressalta que não faz isso sozinha: é muito bem acompanhada de outras advogadas em seu time, sendo a maior parte da área composta por mulheres e respondendo a uma liderança feminina.

A troca de experiências com essas mulheres é fundamental para criar confiança e enfrentar desafios no dia a dia. Ressalta a importância dessa consciência na rotina, afinal, entender que ainda são uma minoria no mercado financeiro em termos de representatividade cria uma rede de apoio sem igual para movimentar iniciativas profissionais e pessoais.

Atualmente tem como principal desafio colocar um holofote sobre as tendências do futuro e como elas impactam o mercado financeiro. Percebeu a necessidade de falar mais sobre ativos alternativos, ativos digitais e novas tecnologias, e como é importante que os olhares estejam voltados para as novidades para não ser uma instituição desatualizada. O crescimento sustentável, com produtos bem estruturados e bons processos é fundamental para essa estratégia, que deve abraçar a inovação sem perder a confiabilidade e os bons resultados. Na sua opinião, o foco deve ser a inclusão e a democratização do acesso bancário aos clientes, o que impacta partes normalmente esquecidas dessa rede, como mulheres de baixa renda e microempreendedoras.

Gabrielle entende que atingir essa base de clientes é uma função importante do sistema bancário e que deve ser valorizada. Uma parte relevante das famílias brasileiras é sustentada por mulheres e elas devem fazer mais parte da economia que provê retornos financeiros mais relevantes para uma parcela que contribui tanto para fazer as coisas acontecerem como conhecemos.

 Em 2024, Gabrielle tem se dedicado a falar sobre Drex em artigos e painéis, e ainda não abandonou o sonho de ser professora. Sua jornada até aqui é um testemunho de que é possível achar propósito em tudo o que faz, e cultivar bons relacionamentos, valorizando os profissionais que interagem com você no dia a dia, é fundamental para construir uma carreira de sucesso. É necessário o apoio e a inspiração de outras mulheres para lembrar que esses lugares de destaque também podem ser ocupados por mulheres, e o mercado deve se acostumar com lideranças mais femininas nos próximos anos.

Nesse Dia Internacional das Mulheres, a memecoin Milady e uma nova altcoin dispararam até 1.920%, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.