A Revista Veja desta sexta-feira, 18 de outubro, dedica uma matéria às pirâmides financeiras com Bitcoin, classificando-as de "criptotrambiques" e dizendo que elas recorrem à maior criptomoeda e a rostos famosos "para escapar da regulamentação e fraudar investidores".

A Veja dá o exemplo da 18K Ronaldinho, que usava a imagem do astro da seleção brasileira para vender investimentos com retornos irreais, prometendo quadruplicar o aporte em 200 dias. Ronaldinho prestou depoimento ao Ministério Público Federal nesta quinta-feira e disse que rompeu o contrato quando a empresa usou sua imagem indevidamente na oferta de criptomoedas, como noticiou o Cointelegraph Brasil.

A 18K Ronaldinho é mais uma empresa acusada de pirâmide financeira que começou a bloquear os saques nas últimas semanas. Casos como do Bitcoin Banco, da Atlas Quantum, da Unick Forex - que foi alvo de operação que prendeu seu presidente nesta semana -, e mais recentemente da GenBit têm chamado a atenção das autoridades brasileiras.

A Veja explica como a oferta do chamado "marketing multinível", que vende um produto e oferece bônus a quem trouxer novos investidores, muitas vezes trata-se do esquema Ponzi, no qual o investimento dos clientes é o único produto oferecido pela empresa fraudulenta, e quando os aportes diminuem o esquema deixa de ser sustentável.

A matéria cita outro caso em que rostos conhecidos foram usados para atrair investidores a um esquema aparentemente sedutor, mas a longo prazo insustentável: a Atlas Quantum. A Atlas teve como garotos-propaganda os atores Cauâ Reymond e Tatá Werneck, prometendo ganho de 60% sobre os investimentos. Hoje, a empresa bloqueou saques e tem um rombo estimado em R$ 100 milhões.

Os anúncios com os atores foi o que chamou atenção da CVM, que determinou que ela fosse tirada do ar por tratar-se de oferta pública de contratos de investimentos coletivos (CVC), que é regulada pela autarquia. Os atores dizem, através de sua assessoria, que não havia "nada que desabonasse a empresa" quando participaram da propaganda.

Após a determinação, houve uma corrida de saques pelos investidores, que evidenciou que a empresa não possuía fundos para garantir os investimentos. Rodrigo Marques, dono da Atlas, segundo um ex-diretor, mantinha ativos dos clientes em seu nome, e teria tido seu saldo bloqueado por regras contra lavagem de dinheiro. No processo, 1.200 Bitcoins desapareceram.

Outro caso abordado é o do Grupo Bitcoin Banco, que deixou um rombo de R$ 70 milhões e milhares de investidores desfalcados. O grupo chegou a ter espaço no programa do apresentador Amaury Jr., da RedeTV!, e teve proximidade com o também apresentador Ratinho, do SBT.

Amaury Jr., diz na matéria, falava em seu programa sobre sua conta no Grupo, e Ratinho discursava em eventos "sobre a personalidade vencedora de Oliveira". Amaury diz: "suspendemos o acordo desde que a fraude estorou". O contrato do GBB com a RedeTV!, de R$ 500.000 em 12 parcelas, nunca teria sido pago.

Sobre Cláudio Oliveira, dono do GBB que hoje tem seu passaporte retido pela Justiça Federal do Paraná, Ratinho diz:

"Para mim era um dos muitos empresários que usam a imagem de alguém famoso."

Ao fim da matéria, um especialista jurídico do escritório Mattos Filho, Paulo Branches, diz sobre os casos recentes de pirâmide financeira com Bitcoin no Brasil:

"A chance de reaver os investimentos em criptomoedas é remota. Depois de a pirâmide quebrar, torna-se difícil localizar bens da entidade fraudulenta".