O que parecia ser uma escalada rumo à liderança de mercado foi interrompido no final de setembro, o crescimento da stablecoin USD Coin (USDC), cujo valor de mercado havia aumentado de US$ 48 bilhões para US$ 56 bilhões, desde o colapso da stablecoin algorítmica Terra UST (UST), do ecossistema Terra Luna, em maio deste ano em meio a preocupações semelhantes em relação ao Tether (USDT), maior stablecoin do mercado, que resistiu às especulações na ocasião. 

Na esteira da queda de cerca de 18%nos últimos três meses do USDC, cujo montante circulante é de aproximadamente US$ 46 bilhões segundo os dados do CoinMarketCap desta terça-feira (11), está a remoção da stablecoin da plataforma da exchange global de criptomoedas Binance, efetivada no final de setembro. Medida que pode ser percebida pelo peso da exchange, que é líder em volume de negociações, montante em torno de US$ 12,2 bilhões, pelo que apresentava o monitoramento.

Mas o declínio do USDC também pode ser contado por outros fatores, um deles a decisão do início de agosto do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de sancionar diversos endereços de USDC e ETH conectados ao mixer Tornado Cash, barrado na ocasião. Episódio que afastou diversos investidores do USDC, cuja retração foi de 3% na ocasião. 

Já a Binance favoreceu sua própria stablecoin, Binance USD (BUSD), cujo valor de mercado era de US$ 21,6 bilhões e registrava alta de 21% a partir de julho, período em que o USDT avançou 3% ao chegar a US$ 68,4 bilhões. Crescimento que, segundo alguns analistas, se deve à reputação construída pelo USDT diante da “prova de fogo” enfrentada pela stablecoin durante o colapso do UST, momento em que o USDT honrou seus compromissos, apesar de uma rápida perda de paridade com o dólar americano.

Segundo eles, mesmo com a perda de mercado, o USDC consegue atrair uma fatia de investidores por causa do apelo da stablecoin relacionado com a transparência de suas reservas e pelo fato de sua emissão ser regulada por órgãos dos Estados Unidos. 

Outro componente favorável à stablecoin é sua liderança em finanças descentralizadas (DeFi), ambiente em que o BUSD é pouco usado e onde o USDC responde pela maior parte do volume. Tanto que, na exchange descentralizada (DEX) Uniswap v3, por exemplo o USDC responde por 50% dos swaps, 77% do volume e 63% das taxas geradas, de acordo com informações do  analista de pesquisa da Messari ao CoinDesk. 

Os percalços no caminho acabaram atrapanhando o USDC, já que os gráficos indicavam que a stablecoin ultrapassaria o USDT e assumiria a liderança de mercado em outubro em meio à pressão regulatória global, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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